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T Ó P I C O : Café e Turismo - algumas lições do Café da Colômbia

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Comentários do Tópico

Café e Turismo - algumas lições do Café da Colômbia


Autor: Paulo Henrique Leme

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12 comentários

Último comentário neste tópico em: 12/07/2012 15:09:47


Paulo Henrique Leme comentou em: 10/07/2012 00:13

 

Café e Turismo - algumas lições do Café da Colômbia

 

 

Por Paulo Henrique Leme
 
O potencial turístico brasileiro, por suas belezas naturais, já é por si só gigantesco. Se somarmos aos dons naturais a nossa cultura e a culinária brasileira, teremos à nossa frente um maravilhoso mosaico de possibilidades, capaz de entreter o mais exigente dos turistas. O agronegócio brasileiro se aproveita muito pouco desta vocação turística. Temos paisagens maravilhosas no Brasil, onde o cultivo da terra, o respeito à natureza, a cultura e a gastronomia convivem de forma harmoniosa. Poucas pessoas conhecem, pouquíssimas desfrutam.

Em nossas regiões cafeeiras, o turismo deveria ser a segunda força econômica. Não existe bebida mais apaixonante que o café, que pode envolver o consumidor em todas as etapas de produção, da lavoura à xícara. Pude ter uma amostra deste potencial em visita ao eixo cafeeiro na Colômbia (“eje catero”), à convite da empresa Agroceres em seu seminário “Transformando Café em Ouro”.

A história de sucesso do marketing do Café da Colômbia – motivo de minha viagem – tem relação direta com a frutífera indústria do turismo que se desenvolveu no eixo cafeeiro colombiano. O sucesso de Juan Valdez e da marca “Café de Colombia” geraram a curiosidade em consumidores no mundo todo, e alguns deles, ousaram fazer as malas e procurar o simpático personagem do café nas montanhas colombianas.

Na Colômbia, o turismo cafeeiro ocorre principalmente nos departamentos (estados) de Caldas, Quindío, Risaralda e Valle del Cauca no centro do país e cortados pela Cordilheira Central, que juntos formam a “Paisagem cultural cafeeira”, patrimônio mundial reconhecido pela UNESCO. Na região existem muitas fazendas preparadas para receber e hospedar turistas, onde eles podem não apenas passear pela propriedade como conhecer a história do café na região, a história do cultivo, o porque de o café colombiano ter a fama de ser tão superior aos outros cafés do mundo, mas também se envolver na colheita e com os trabalhadores e lógico, depois do passeio, provar e comprar os cafés.

Também foi criado o Parque Nacional do Café, um parque temático, com material sobre a cultura do café, pequeno museu, centro de degustação de café, com atrações e teleféricos no departamento de Quindío. Existem também hotéis fazenda e pousadas. Nada grandioso ou cinematográfico, porém, o que mais me chamou a atenção foram a cordialidade dos colombianos e qualidade da prestação de serviços em todos os locais que estivemos. E é aqui que mora a grande diferença com o Brasil a meu ver.

A maior parte de nossas regiões cafeeiras possui a beleza natural, a cordialidade, a gastronomia e a simpatia de nossos produtores, mas não possui uma estrutura de serviços capaz de dar o conforto e as orientações que todo turista precisa. Não existe entrosamento entre cafeicultores, hotéis, restaurantes e agentes de turismo. Cada um pensa no seu bolso e o turista que encontre seus próprios caminhos. 

Falta consenso estratégico, ou seja, falta saber aonde queremos chegar e quais caminhos cada um deve seguir para que todo o arranjo produtivo, cluster ou a região se beneficiem mutuamente. 

O sucesso dos colombianos deve servir de inspiração. Desde o início de sua história, acreditavam que tinham o melhor café do mundo, e o queriam vender desta forma. Este é o objetivo central, a obsessão que levou o “Café de Colombia” ao status que possui hoje. No turismo, acreditam que possuem a mais bela região cafeeira do mundo, e fazem de tudo para que realmente seja.


 
 
 
 
 
 
 

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josé carlos JORDÃO da silva comentou em: 10/07/2012 10:39

 

CAFÉ DA COLOMBIA E O MARKETING....

 

MEU CARO E DOUTO AMIGO PAULO HENRIQUE , SUAS OBSERVAÇÕES SOBRE O " MARKETING" DO CAFÉ DA COLOMBIA SÃO MUITO INTERESSANTES E MUITA COISA SE PODERIA APROVEITAR. mAS APESAR DE TUDO SÓ GANHA DINHEIRO COM TODA ESSA MOVIMENTAÇÃO, QUE OS AMERICANOS E FRANCESES ADORAM, A FEDERAçÃO DE CEFETEROS DE COLOMBIA E O AGRICULTOR COLOMBIANO É UMA PÁRIA NA SOCIEDADE. EXPLORAM A VAIDADE DELES E AMIGOS MEUS DE LÁ, AFIRMAM QUE JAMAIS PUDERAM, SE QUER, TIRER FÉRIAS, DEPOIS DE QUARENTA ANOS PRODUZINDO CAFÉS. tALVEZ ALGUMA GRANDE PRODUTORA POSSA ESTAR SATISFEITA. dIGA-ME PORQUE A PRODUÇÃO COLOMBIANA QUE JÁ FOI 16, 18 MILHÕES DE SACAS HOJE CAIU VERTIGINOSAMENTE PARA MENOS DE 10 E BEIRA 5 MILHÕES????? qUE BELEZA DE MARKETING PARA O ibc DELES. o NOSSO JÁ ACABOU FAZ TEMPO. dIZEM QUE EU NUNCA GOSTEI DO IBC. qUANDO QUIZERES SABER PORQUE É SÓ PERGUNTAR. gRANDE ABRAÇO DO AMIGO QUE MUITO LHE ADMIRA, MAS BERANDO OS OITENTA NOS DE VIDA, APREENDI ALGUMA COISA..... O SER HUMANO É O MAIS IMPORTANTE INSUMO PARA UM BOM CAFÉ.... SER HUMANO RECONHECIDO E SATISFEITO..... ABRAÇOS DO JORDÃO.( ISTO INCLUI OS TRABALHADORES RURAIS DO CAFÉ.)

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Paulo Henrique Leme comentou em: 10/07/2012 14:34

 

Marketing e turismo

 

Caro Jordão, muito bem observado meu amigo.

Acho que fica mais uma lição neste caso, faltou um dos pilares fundamentais para a sustentação de uma cadeia do agronegócio bem sucedida:

- Marketing: ok

- Qualidade: ok

- Mas faltou: tecnologia.

Algo onde o Brasil foi muito além.

Grande abraço!

Paulo Henrique

 

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Helga Andrade comentou em: 10/07/2012 15:16

 

Guardados e nunca esquecidos, o lado ruim das experiências também nos mostra um caminho...

 

Prezado Jordão,

não me atrevo, nos meus poucos anos de vivência no café, a questionar seus motivos para criticar a Federação da Colombia e o IBC do Brasil. Os constantes comentários aqui na rede favoráveis e contrários a uma entidade que centralize os esforços pela cafeicultura mostram que temos que discutir, ouvindo as experiências dos tantos como o sr. que realmente viveram esses momentos.

Mas meu comentário é sobre o turismo, o café e o modelo da Colômbia.

Caro Paulo, também tive a oportunidade de conhecer o Eixo Cafeeiro colombiano ano passado, levando um grupo de profissionais do setor em uma experiência que denominamos "Projeto Umami" (www.projetoumami.blogspot.com). Pudemos identificar algumas características essenciais na construção do modelo colombiano:

- o tripé que embasa é formado por pessoa-produto-lugar, ou seja, cafeicultor, café colombiano e paisagem cultural cafeeira;

- a estrutura produtiva do país é de agricultura familiar, que pelos mínimos volumes de produção, dependem (e dizem muitos, sofrem) da comercialização via federação

- a imagem do café colombiano ("os cafés suaves") foi construída de forma a dar lugar e rosto ao produto, respondendo à "necessidade do primeiro mundo de contribuir para o aparente desenvolvimento do terceiro mundo"

- o turismo foi usado como complemento de renda e agregador de valor ao produto café, e não como uma panacéia capaz de substituir o cultivo

- é impressionante como a sensação em solo colombiano é de uma experiência única, do amor do colombiano pelo seu café, da paisagem mágica, da comida deliciosa, do vínculo com a terra.

Impressionante, não?

Agora, experimente reler isso pensando em uma região produtora de montanha em MInas Gerais:

- o tripé café, cafeicultor e região produtora

- grande percentual de cafeicultura familiar e de pequeno porte

- imagem do café (natural, parte indispensável do blend para um espresso), com um rosto e uma origem (indicação geográfica?)

- pluriatividade e multifuncionalidade nas propriedades e famílias produtoras

- amor pelo café, vínculo com a terra, paisagem encantadora, culinária conhecida em todo o mundo.

Perfeitamente possível.

Acontece que engessaram tanto no exterior a cafeicultura brasileira como latifundiária, mecanizada, impessoalizada, que passamos a acreditar nisso.

Para fazer frente à Federação, o produtor brasileiro tem com parceiro (ou carrasco) a cooperativa. Emfim, podemos facilmente encontrar semelhanças nos desafios e nas vantagens competitivas, com a sutil diferença de que alguém soube aproveitar-se melhor (ou primeiro) dos posicionamentos possíveis.

Não tenho uma resposta quando me pergunto se é possível adaptar o modelo colombiano para a realidade mineira. Mas o case de sucesso mostrado pelo Paulo e a sábia advertência trazida pelo Jordão mostram que temos muito o que aprender, e talvez voltar alguns passos antes de dar novos.

TAGS: turismo, café, colombia, minas gerais

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Paulo Henrique Leme comentou em: 10/07/2012 15:58

 

Café e turismo! No Brasil?

 

Prezada Helga,

Antes de mais nada, parabéns pelo projeto Umami, passeei pelo blog e achei muito legal a iniciativa.

Acho que você captou muito bem em sua experiência na Colômbia a relação das pessoas com o café. Com relação a Federação, o fato é que ela foi e ainda é muito importante para a estrutura  da cafeicultura naquele país. Tem seus defeitos e qualidades, e também tem um grande desafio em recuperar a produção do café colombiano.

Mas o mais legal é que você captou bem a mensagem que queria passar - e provocar - aqui no Brasil: temos as mesmas qualidades, porque não temos o mesmo turismo?

Sei de muitos projetos legais de tursimo e café aqui no Brasil, e sei que muitas pessoas e iniciativas ainda esbarram na essência do problema: falta de consenso entre os atores da região e falta de serviços de qualidade.

Ninguém vai solucionar esse problema sozinho. Não basta termos uma linda fazenda que produz e serve um grande café se não tivermos todo um conjunto de atividades e pessoas envolvidas na recepção, coordenação e direcionamento do turismo na região.

Potencial nós temos, faltam ações coordenadas.

Obrigado pelo comentário e quando tiver mais uma dessas belas viagens marcadas, me avise!

Grande abraço,

Paulo Henrique Leme

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Helga Andrade comentou em: 11/07/2012 10:50

 

Café e Turismo? Sim, no Brasil!

 

Caro Paulo, é um prazer colocar em discussão esses dois temas que, no meu trabalho, se torna quase uma bandeira.

Como Turismóloga, acredito no turismo como fator importante para o desenvolvimento local e rural. Como Barista, me encanto com os atrativos que encontro em cada uma das minhas viagens, e fico maquinando formas de transformar esses atrativos em produtos.

É dever nosso, começar a construir esse turismo. 

Depois da Colômbia, o Projeto Umami também teve uma experiência em Buenos Aires. Na nossa próxima empreitada, te aviso para se juntar a nós!

Abraço,

Helga

TAGS: café, turismo

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Fernanda Moraes comentou em: 11/07/2012 16:49

 

café e turismo

 

OLá Helga, td bem? sou a Fernanda de caconde.

é Paulo, vc tem razão, pois eu sou uma das pessoas que deseja explorar o turismo em torno do café, mas esbarro na falta de uma estrutura organizada para a prestação de serviço de turismo, e olha que ainda minah cidade (caconde) é considerada uma cidade turística , mas a verdade é qeu, estamos mto longe ainda de ter uma estrutura física e organizada para receber e prestar um bom serviço aos turistas. Como vc disse Paulo, eu tenho uma bela fazenda, produzo um café de qualidade, até tenho uma estrutura física que daria pra começar, mas sózinha não poderia prestar um serviço de qualidade.  Pra começar, teria qeu ter o apoio da prefeitura no sentido de  manter as estradas (qeu são municipais) de acesso em boas condições de rodagem; depois vem todo esse processo que vc mencionou, há que se ter uam recepção, coordenação e direcionamento turístico que depende de vários autores. Acho que o primeiro passo seria um despertar de consciência para as possibilidades econômicas em torno do turismo cafeeiro, acho que o principal que falta ao brasileiro, principalmente em minah região ou município, é enxergar esse potencial econômico qeu temos nas mãs. eu não conheço a Colômbia, mas acredito que talvez tenhamos um potencial turístico em torno da produção de café nas mãos  mto maior que a colômbia e nao estamos nos dando conta disso.

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Juliano Tarabal comentou em: 11/07/2012 18:27

 

Turismo no café no Brasil! Com certeza!

 

 

Prezados, muito bacana a reflexao, me anima abrir o PEABIRUS e ver este nivel de discussão, ainda mais quando se concentra fora da porteira!

Turismo em Café no Brasil com absoluta certeza. Nosso mercado interno esta sedento para consumir iniciativas como esta. Agora, o Modelo Colombiano é o Modelo Colombiano. Impossivel de ser copiado pois é unico e repleto de particularidades, valores unicos e exclusivos.

Serve muito bem como benchmark e inspiração.

No Brasil temos diversas formas de explorar o Turismo no Café, em cada uma das Regiões, cada uma com suas particularidades.

Diferente da Colombia que faz isso através de uma organização que atua em nivel nacional, no Brasil pela propria dimensao territorial em que estão localizadas as regiões cafeeiras isso se dara de forma descentarlizada, com a iniciativa partindo de diferentes organizações, que podem trocar impressoes e experiencias entre si.

Uma dobradinha entre cafeterias e produtores tendo baristas de repente como intermediadores seria espetacular.

São idéias que ja estao sendo trabalhadas, temos nosso brilho próprio no Brasil, temos é que valorizar isso, toda essa riqueza.

Abraços e sucesso a todos.

Juliano Tarabal

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Paulo Henrique Leme comentou em: 12/07/2012 09:48

 

Enorme potencial

 

Prezada Fernanda,

O que me inspirou a fazer o artigo foi justamente a percepção de que temos um potencial gigantesco em nossas mãos.

Ainda não tive o prazer de conhecer Caconde e Divinolândia, mas conheço bem S. S. da grama e E. S. do Pinhal, e posso te assegurar, que basta um pouco de organização para estes projetos deslancharem.

Mas acho que aí dependemos muito de agências de fomento (SEBRAE) e do governo... Mas o primeiro passo, é termos a Sociedade civil organizada iniciando o processo.

Grande abraço e não desista!!

Paulo Henrique Leme

 

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Paulo Henrique Leme comentou em: 12/07/2012 09:55

 

Descentralizar

 

Caro Juliano,

Acho que o caminho realmente é este, descentralizar e valorizar cada região, com seus aspectos característicos.

O interessante do turismo é que se as ações não forem coordenadas por todos os envolvidos na cadeia, nada acontece. Portanto, a participação de baristas e cafeterias é fundamental.

Grande abraço!

Paulo Henrique Leme

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