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T Ó P I C O : Café e sêmen de boi: quais produtos vão 'garantir' exportações de MG mesmo com tarifaço de Trump?

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Café e sêmen de boi: quais produtos vão 'garantir' exportações de MG mesmo com tarifaço de Trump?


Autor: Leonardo Assad Aoun

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Último comentário neste tópico em: 21/04/2025 19:05:49


Leonardo Assad Aoun comentou em: 21/04/2025 19:08

 

Café e sêmen de boi: quais produtos vão 'garantir' exportações de MG mesmo com tarifaço de Trump?

 

Movimentando R$ 27 bilhões em 2024, EUA foi o segundo principal comprador de itens mineiros no ano passado e perdeu apenas para a China

Por Rodrigo Oliveira

Café foi o principal produto mineiro exportado para os EUA em 2024

Café foi o principal produto mineiro exportado para os EUA em 2024 - Foto: Jequitinhonha Alimentos/Divulgação

Minas Gerais é uma potência quando falamos em vendas de produtos para outros países. Em 2024, o estado se destacou como o terceiro maior exportador brasileiro, movimentando US$ 41,9 bilhões (cerca de R$ 247 bi), um aumento de 4,1% em relação ao ano anterior, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). Segundo maior importador de itens mineiros, atrás apenas da China, os EUA compraram em torno de 3,5 milhões de toneladas de produtos no ano passado, gerando US$ 4,6 bilhões (cerca de R$ 27 bi) em negócios. Agora, com a taxação imposta pelo governo de Donald Trump, essa relação comercial poderá ser abalada? 

Na visão de muitos especialistas, mesmo diante da tarifa mínima de 10% imposta sobre produtos brasileiros, dificilmente o país norte-americano deixará de consumir o que é produzido em terras mineiras. Isso porque os EUA ainda dependem de determinados produtos de outros países, como o café, para o seu abastecimento interno. 

Marcos Matos, diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), aponta que os EUA são o maior consumidor mundial da bebida e destaca a importância do país nesse cenário. “Eles produzem pouco e em localidades restritas, como Califórnia e Havaí. O Brasil, que detém participação de 32% no mercado de lá, é o principal fornecedor de café para os norte-americanos. Além disso, se a medida de Trump se mantiver, teremos vantagens sobre países onde a taxação foi maior, como Vietnã,46%, e Indonésia, 32%”, explica. 

De acordo com a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Sede-MG), o café foi o produto mineiro mais exportado para os EUA em 2024 - representando 33,1% das nossas vendas para lá e movimentando US$ 1,5 bilhões (cerca de R$ 5,9 bilhões). 

Outro fator que corrobora a teoria de que dificilmente os EUA reduziram a compra dos grãos é a importância econômica do café para o mercado norte-americano. De acordo com pesquisa de 2022 conduzida pela Technomic, encomendada pela National Coffee Association (NCA), parceira da Cecafé, a população dos EUA gasta em média US$ 110 bilhões (cerca de R$ 649 bi) em café e itens relacionados por ano.

“A atividade cafeeira sustenta mais de 2,2 milhões de empregos nos Estados Unidos, proporcionando mais de US$ 101,2 bilhões (cerca de R$ 597 milhões) em salários. Além disso, a cada US$ 1 (R$ 5,90) gasto com café pelos Estados Unidos, são gerados US$ 43 (R$ 253) para a economia do país”, aponta Matos. 

Quem compartilha dessa visão otimista é Antônio de Salvo, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg). Segundo ele, o momento é de “manter a tranquilidade” e dificilmente as exportações serão fortemente abaladas. “Nossa capacidade de produção e preço no mundo é imbatível. Se os norte-americanos não comprarem do nosso café, dificilmente comprarão de outro país. O agro mineiro é forte”, diz.

O diretor-geral do Cecafé pondera, entretanto, que é preciso aguardar para analisar os impactos reais que o tarifaço gerará no consumo de café nos Estados Unidos a longo prazo. “Nenhum país produtor, e que fornece para lá, estará imune ao aumento dos custos para as indústrias e aos consumidores. A inflação poderá reduzir a procura pela bebida e, consequentemente, diminuir a demanda em algum momento”, analisa. 

Agronegócio e aviação como pontos fortes  

Além do café, outros produtos do agronegócio como soja, suco de laranja e açúcar também têm boa demanda no país do Tio Sam. De acordo com Alisson Batista, professor de ciências contábeis da Estácio, também tratam-se de itens que os EUA não conseguem produzir o suficiente para abastecer o mercado interno. 

“Nem sempre eles são vendidos em supermercados de lá, mas servem como base para outros alimentos, como bolos e rações. Um bom exemplo recente é o ovo, que tem sido bastante exportado para ser incorporados receitas das indústrias. Inclusive é um produto que pode ganhar ainda mais mercado por lá”, afirma. 

O professor também destaca a venda de aeronaves, que continuaria interessante para os EUA por conta da diferença de câmbio entre os dois países e o contexto histórico das negociações. Em 2024, a venda de veículos aéreos representou 3,1% das nossas exportações para os EUA e movimentou US$ 114,3 mi (cerca de R$ 675 mi), de acordo com a Sede-MG. 

“A Embraer tem a tradição de fornecer para eles há anos. Esse tipo de confiança é difícil de ser estabelecida de uma hora para outra, então é um tipo de exportação que tende a se manter em alta”, aponta. 

Nova vocação e futuro da exportação 

Mesmo não estando na lista de mais exportados para os EUA, alguns produtos de Minas também têm despontado como “promessas” de novas vocações do estado - como o sêmen bovino. Segundo dados da Sede-MG, na última década foram feitas duas importantes vendas do produto para o país norte-americano. Uma em 2016, no valor de US$ 75.500 (cerca de R$ 445 mil), e outra em 2022, no valor de US$ 30.800 (cerca de R$ 181 mil). 

De acordo com Frederico Amaral e Silva, secretário de estado adjunto de desenvolvimento econômico, isso demonstra a força da pecuária mineira e a importância da melhoria genética. Para ele, os produtos mineiros, de forma geral, continuarão tendo mercado nos EUA, mesmo diante das taxações. 

“Não só apenas os itens mineiros vão ficar mais caros, mas produtos de todo mundo. Ainda assim, também temos trabalhado para ampliar nossos mercados junto a outros parceiros comerciais importantes, como China, União Europeia, Japão e Argentina. Isso pode mitigar riscos dessas novas barreiras tarifárias e eventuais instabilidades que possam surgir dessas disputas comerciais. Minas vende para mais de 190 países e continuaremos a ser um dos principais exportadores brasileiros”, afirma. 

Ranking dos produtos de MG mais exportados para os EUA em 2024*

  • Café - 33,1% (US$ 1,5 bi)
  • Ferro fundido bruto - 20,9% (US$ 965,3 mi)
  • Ferro-ligas - 4,3% (US$ 198,1 mi)
  • Tubos de revestimento de poços, de ferro ou aço - 4,2% (US$ 195,6 mi)
  • Transformadores elétricos e conversores - 3,3% (US$ 152,8 mi)
  • Veículos aéreos - 3,1% (US$ 114,3 mi) 
  • Outros silícios - 3% (US$ 137,9 mi)
  • Celulose - 2,5% (US$ 114,7 mi)
  • Carne bovina - 2,5% (US$ 114,5 mi)
  • Berílio, crómio, germânio e suas obras - 2,4% (US$ 111,4%)

*Fonte: Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais

Países que mais compraram produtos de MG em 2024*

  • China (37%)
  • Estados Unidos (11%)
  • Alemanha (3,8%)
  • Argentina (3,7%)
  • Países Baixos (3%)

*Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic)

Fonte: O Tempo

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