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T Ó P I C O : Portos brasileiros à beira da ruptura comprometem exportações de café

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Portos brasileiros à beira da ruptura comprometem exportações de café


Autor: Leonardo Assad Aoun

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Último comentário neste tópico em: 26/05/2025 18:35:56


Leonardo Assad Aoun comentou em: 26/05/2025 18:22

 

Portos brasileiros à beira da ruptura comprometem exportações de café

 

Xícara de café

Xícara de café (Foto: Marcelo Camargo/ ABr)

O esgotamento da infraestrutura portuária brasileira tem se tornado um entrave cada vez mais crítico para o setor do agronegócio, afetando diretamente cadeias produtivas como a do café. Segundo Mario Veraldo, CEO da empresa de logística MTM Logix, os problemas não são mais pontuais, e tornaram-se estruturais. “Os portos operam hoje no limite. Equipamentos obsoletos, falta de manutenção e investimentos abaixo do necessário criam um cenário insustentável”, alerta o especialista.

De acordo com Veraldo, o Brasil investiu apenas 2,2% do PIB em infraestrutura em 2024, quando seria necessário quase o dobro (4,3%) para suprir a demanda projetada para as próximas três décadas. Essa defasagem ocorre justamente em um momento de forte expansão das exportações do agronegócio, que alcançaram US$ 164,4 bilhões no último ano — quase metade (48,9%) das exportações totais do país.

Custo logístico

Em março de 2025, o Brasil deixou de embarcar 637.767 sacas de café, equivalentes a cerca de 1.932 contêineres, devido aos gargalos logísticos, o que gerou um prejuízo de R$ 8,901 milhões, segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). Desde junho de 2024, houve um prejuízo de R$ 66,576 milhões com custos extras em função da estrutura defasada nos principais portos de escoamento de café do Brasil. O não embarque desse volume de café também fez com que o país deixasse de receber R$ 1,510 bilhão, como receita cambial em suas transações comerciais no mês de março deste ano.

Conforme o Boletim Detention Zero (DTZ), elaborado pela startup ElloX Digital, 55% dos navios, ou 179 de um total de 325 embarcações, tiveram atrasos ou alteração de escalas nos principais portos do Brasil em março de 2025. O tempo médio de espera de um contêiner nos portos pode ultrapassar 40 horas e, em alguns casos, chega a dez dias, especialmente em Santos. Veraldo explica que a capacidade instalada atual, de 234 milhões de toneladas, não dará conta da demanda projetada para 2028, que é estimada em 238,9 milhões de toneladas.

“É preciso ampliar e modernizar os portos urgentemente, desburocratizar processos e investir em tecnologia e alternativas logísticas, como os portos do Arco Norte, que vêm se consolidando como uma rota estratégica para o escoamento da produção agrícola brasileira”, defende o CEO.

Café

Na outra ponta da cadeia, os reflexos chegam diretamente ao produtor. Rodrigo Reis, gerente de logística da Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer), relata que os gargalos afetam desde o planejamento operacional até a receita dos cooperados. “Os custos operacionais extras poderiam ser usados na valorização do café. Ao invés disso, são canalizados para contornar falhas estruturais”, afirma.

Segundo Reis, a Expocacer adota uma gestão preventiva, com planejamento logístico antecipado e escolha criteriosa de armadores. Ainda assim, enfrenta problemas recorrentes como indisponibilidade de contêineres, alteração de deadlines dos navios e altos custos com pedágios em rodovias de pista simples.

“A falta de previsibilidade afeta toda a cadeia. Quando o navio atrasa ou antecipa, precisamos reposicionar contêineres, pagar taxas de detention e arcar com prazos estourados. Isso gera um efeito cascata de ineficiência e custo”, explica Reis.

Para mitigar os prejuízos, a cooperativa intensificou sua atuação institucional. A Expocacer é ativa nos Comitês Logísticos do Cecafé e acompanha as diretrizes da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ), buscando representatividade junto aos órgãos reguladores. Internamente, criou um setor dedicado à auditoria das cobranças portuárias, o que tem permitido a reversão de tarifas indevidas e a redução do impacto financeiro sobre os produtores.

“O Brasil precisa repensar sua logística com urgência. Não adianta promover comercialmente o nosso café no exterior se não conseguimos embarcá-lo com previsibilidade e custo competitivo. Seguimos operando com uma infraestrutura que parou no tempo. Enquanto isso, o volume exportado cresce ano após ano. Essa conta não fecha”, conclui Reis.

Soluções

De acordo com a MTM Logix, o cenário exige ação coordenada entre governo, setor privado e produtores. Sem isso, o Brasil corre o risco de ver sua competitividade escorrer pelos vãos de uma logística que já não acompanha seu próprio potencial.

“A digitalização e a automação despontam como ferramentas estratégicas para transformar a logística portuária brasileira, hoje marcada por ineficiências e altos custos. A adoção de tecnologias inteligentes permite acelerar processos, reduzir erros operacionais e melhorar a gestão das informações ao longo de toda a cadeia logística. Sistemas automatizados agilizam desde a liberação de cargas até o gerenciamento de estoques, diminuindo o tempo de espera e aumentando a produtividade nos terminais”, afirma Veraldo.

Além disso, a integração digital entre transportadoras, armadores, operadores portuários e órgãos reguladores viabiliza uma comunicação mais fluida e decisões mais assertivas.

“Para que essa modernização ocorra em escala, no entanto, é indispensável o engajamento do poder público. Políticas voltadas à ampliação dos investimentos em infraestrutura, incentivo à iniciativa privada, desburocratização regulatória, integração entre modais de transporte e qualificação da mão de obra são medidas urgentes para destravar o sistema e preparar os portos brasileiros para os desafios logísticos do futuro”, finaliza o CEO.

Fonte: Monitor Mercantil

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