T Ó P I C O : Café do Brasil quer vencer Donald Trump pelo sabor
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Café do Brasil quer vencer Donald Trump pelo sabor
Autor: Leonardo Assad Aoun
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Último comentário neste tópico em: 24/07/2025 22:40:45
Leonardo Assad Aoun comentou em: 24/07/2025 09:16
Café do Brasil quer vencer Donald Trump pelo sabor
O produto brasileiro é considerado essencial na composição dos blends de cafés vendidos nos Estados Unidos
Por Cassiano Ribeiro — São Paulo/Globo Rural
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Segundo Márcio Ferreira, presidente do Cecafé, EUA dependem do Brasil para o blend nos cafés — Foto: Canva/Creative Commons
Os Estados Unidos até podem comprar mais cafés de outros países e menos do Brasil, caso o tarifaço de Donald Trump entre em vigor a partir de 1 de agosto e o país diminua as compras do grão brasileiro. Mas os americanos precisarão aceitar uma mudança drástica no sabor do café que estão habituados a consumir diariamente, avalia o presidente do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Márcio Ferreira.
O produto brasileiro é considerado essencial na composição dos blends de cafés vendidos nos Estados Unidos. Possui características de corpo, níveis de acidez e doçura capazes de atender a todo o tipo de paladar em território americano. Além de haver poucas opções de países com capacidade de fornecimento em escala, nenhum outro grande fornecedor no mundo tem café com essas características.
Para Ferreira, diante disso, os americanos não terão como sustentar essa interrupção de compras de cafés brasileiros repentinamente e comprometer o funcionamento de um setor que movimenta 1,2% do PIB dos EUA.
“Não se muda um blend de café da noite para o dia. Quando você quer mudar um produto na linha de um grande, pequeno ou médio importador, muitas vezes leva-se dois, três ou até cinco anos para entrar com esse produto na prateleira do supermercado. Você precisa de pesquisas e entender se aquele produto realmente conversa com o público que o consome”, diz.
O executivo acredita que esse fato, além de o produto brasileiro ser atualmente mais competitivo do que o grão de qualquer outra origem, deve ajudar o setor privado americano a convencer o governo Trump de que taxar o café do Brasil vai custar caro ao bolso dos consumidores e ainda deixar um sabor amargo na boca dos milhões de americanos, literalmente. Aliás, o consumo por lá supera o do Brasil.
Ferreira faz parte do grupo de lideranças do agronegócio brasileiro que mantêm interlocução direta com o governo federal e ao mesmo tempo com os compradores dos EUA na crise instalada desde o anúncio de taxação pelo republicano Donald Trump.
O dirigente acredita que, diante do prazo curto e da urgência do tema, a medida prometida pelo presidente americano deve ser adiada, até porque ainda não há nenhuma ordem executiva, com todas as regras sobre como será esse novo comércio tarifado na prática.
Questionado sobre o que seria um meio-termo aceitável, o presidente do Cecafé acredita na solução em linha com o que vem sendo negociado com outros países-alvo de Trump, ou seja, uma tarifa inferior aos 50% prometidos inicialmente.
“A gente não trabalha com a hipótese de 50% em função do que vemos nas conversas lá fora, na consciência do que esse café brasileiro representa para a indústria e para o PIB americanos. É o que a gente espera [uma tarifa menor]”, diz Ferreira.
Ele destaca ainda que o produto brasileiro tem potencial de ganhar mais mercados, especialmente na Ásia, onde mais cresce o consumo no mundo, e que o Brasil fornece 33% de todo o grão comprado pelos Estados Unidos. “O americano não deixará de tomar o café brasileiro. Ninguém em sã consciência imagina que daqui a um mês ou dois ou seis meses vai entrar no supermercado e uma marca tradicional vai dizer que não tem produto para atender o seu consumidor. Isso não existe”, afirma.
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