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T Ó P I C O : Café Jacu, que custa R$ 1,6 mil o quilo, atrai consumidor brasileiro

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Café Jacu, que custa R$ 1,6 mil o quilo, atrai consumidor brasileiro


Autor: Leonardo Assad Aoun

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Último comentário neste tópico em: 01/09/2025 12:08:57


Leonardo Assad Aoun comentou em: 01/09/2025 12:09

 

Café Jacu, que custa R$ 1,6 mil o quilo, atrai consumidor brasileiro

 

Vendas avançam porque a população passou a conhecer o produto e muitas cafeterias surgiram pelo país

Por Eliane Silva — Domingos Martins (ES)/Globo Rural

Produtor Henrique Sloper nalavoura de café da variedade arara da Camocim, em Domingos Martins (ES)

Produtor Henrique Sloper na lavoura de café da variedade arara da Camocim, em Domingos Martins (ES) — Foto: Eliane Silva

Em tempos de menor oferta — e agora também de tarifaço americano —, o consumidor está pagando pelo menos o dobro pelo quilo de café convencional neste ano. A alta do preço provavelmente afetou o consumo do produto em parte dos lares brasileiros. Mas um café especial, de baixo teor de cafeína produzido no Espírito Santo — a partir dos grãos extraídos das fezes de um pássaro — não viu redução nas vendas. Ao contrário.

O Café Jacu, o mais caro do Brasil, custa R$ 1.600 o quilo, e suas vendas cresceram 15% a 20% neste ano no país em relação a 2024, segundo o cafeicultor, Henrique Sloper, da fazenda Camocim, em Domingos Martins (ES). Ele não revela o volume, mas afirma que o Brasil se tornou o quarto maior mercado para o Café Jacu, que tem no topo do ranking o Japão, seguido por Inglaterra e França.

Em Londres, um quilo do café é vendido na luxuosa Harrods pelo equivalente a R$ 9.000. No Brasil, o produto é comercializado em embalagens de 100 gramas, 250 gramas e 1 quilo. Sloper afirma que as vendas do Jacu cresceram porque o brasileiro está aprendendo a conhecer café e muitas cafeterias surgiram pelo país.

Ex-presidente da BSCA (Brazil Specialty Coffee Association), o produtor diz que o Jacu representa menos de 2% da sua produção anual de cafés orgânicos e biodinâmicos, estimada em 270 toneladas. Atualmente, 83% da produção de café da fazenda é exportada.

O alto preço do Jacu, argumenta, deve-se ao trabalho inteiramente manual e demorado, que vai desde o recolhimento das fezes do pássaro (o jacu) na lavoura até a limpeza e processamento. Sloper, que mantém uma cafeteria em sua fazenda com vista para as Montanhas Capixabas, diz que nunca fez as contas do custo de produção do Café Jacu.

“Não faço contas e não coloco esse café em competição. É café exótico, como existem muitos outros no mundo. Se fizesse as contas, provavelmente não produziria mais. Mantenho no portfólio porque ele me permite mostrar o que acontece numa propriedade quando se adota a agricultura regenerativa, que, acredito, é o futuro do café.”

Origem

Ave nativa da Mata Atlântica que esteve sob risco de extinção, o jacu é um sinal de saúde ambiental da região. O pássaro é “parceiro” da Camocim desde 2018, quando o produtor flagrou mais de 30 jacus comendo café. Sloper, que já conhecia o processo de produção do café mais caro do mundo, o Kopi Luwak, da Indonésia, teve a ideia de tentar desenvolver uma bebida semelhante com os resíduos do jacu.

O café Kopi Luwak é produzido a partir das fezes de um pequeno animal, a civeta, e chega a custar US$ 3.000 o quilo.

“Para nós, o jacu tem três funcionalidades: serve como alarme de colheita porque onde ele está comendo o café já está maduro; é selecionador de café porque só come cafés maduros, de peneira grande e sem defeitos; e é plantador de árvores frutíferas porque come todas as frutas e espalha as sementes na agrofloresta”, afirma o cafeicultor.

Para quem tem receio de experimentar o Jacu, Sloper explica que depois de comer os grãos de café, o pássaro fica apenas com a mucilagem (uma camada viscosa entre a polpa e o pergaminho) e expele, cerca de 40 minutos depois, o pergaminho, a camada protetora que envolve o grão, que é separado e torrado. Após o processamento, o café fica congelado por um mês.

“É um low coffee porque o jacu fica com 70% da cafeína. A bebida tem menos corpo, mais doçura e acidez diferente devido à fermentação feita pelo jacu. Considero que é o pinot noir dos cafés”, diz, comparando com a uva vinífera.

A jornalista viajou a convite do Sebrae-ES

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