T Ó P I C O : Queda de chumbinhos após as chuvas recentes: causas fisiológicas e estratégias de prevenção | Por Prof. Donizeti
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Queda de chumbinhos após as chuvas recentes: causas fisiológicas e estratégias de prevenção | Por Prof. Donizeti
Autor: Leonardo Assad Aoun
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Último comentário neste tópico em: 15/12/2025 23:01:02
Leonardo Assad Aoun comentou em: 15/12/2025 22:06
Queda de chumbinhos após as chuvas recentes: causas fisiológicas e estratégias de prevenção | Por Prof. José Donizeti Alves
Queda de chumbinhos após as chuvas recentes: causas fisiológicas e estratégias de prevenção
Prof. José Donizeti Alves
A queda de frutos no estádio chumbinho é um fenômeno complexo, condicionado por múltiplos fatores, entre eles os fisiológicos. Para tornar a explicação mais didática, organizei em tópicos, retirados de “slides” de minhas palestras, com dados de uma tese de doutora o que orientei na UFLA, como o tema: “como a retenção e a queda desses frutos são influenciadas pelas chuvas quando precedidas por períodos de seca” — situação que tanto preocupa técnicos e cafeicultores.
(i) Estrutura celular e força de desprendimento
A resistência do fruto de café no estádio chumbinho está diretamente relacionada ao grau de estruturação das células na região proximal do pedúnculo à roseta.
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Em condições favoráveis, como chuvas regulares e temperaturas moderadas na primavera, essas células permanecem bem-organizadas e coesas.
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Paredes celulares mais resistentes conferem elasticidade e tolerância mecânica, permitindo que as plantas suportem até mesmo, déficit hídricos moderados.
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Como resultado, os frutos permanecem firmemente aderidos à roseta, e a queda é mínima.
(ii) Déficit hídrico e alterações hormonais
Neste ano, o atraso das chuvas (escassez em setembro e retorno apenas no início de dezembro) provocou déficit e estresse hídrico nas plantas. Esse estresse desencadeou na região de inserção do pedúnculo à roseta:
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Ativação da rota biossintética do ácido abscísico (ABA), sinalizando a condição de déficit hídrico.
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Em cascata, ocorreu a biossíntese de etileno, hormônio-chave na regulação da abscisão.
(iii) Efeito do etileno sobre as células do pedúnculo
As células na região de inserção do pedúnculo à roseta são altamente sensíveis ao etileno, respondendo de forma dose-dependente. Essa resposta inclui:
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Afrouxamento e degradação da parede celular.
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Redução da adesão intercelular.
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Perda da coesão estrutural que mantém os frutos presos à roseta.
Altos níveis de etileno, portanto, desestabilizam a estrutura celular, diminuindo a força de retenção dos frutos tornando-os suscetíveis à queda. Isso é o que comumente acontece quando a lavoura é exposta a forte calor e seca prolongada na fase chumbinho.
(iv) Formação da camada de abscisão na seca e rompimento após as chuvas
Como as células dessa região, respondem de forma dose-dependente, essa desestabilização celular, durante o período de escassez de chuvas, nem sempre ocorre de maneira uniforme. Em condições de déficit hídrico moderado, normalmente forma-se uma camada de abscisão (fraqueza) parcial. Quando isso acontece, a probabilidade dos chumbinhos caírem nesse período é pequena. Entretando...
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Com o retorno das chuvas após o período de seca, sobretudo quando acompanhadas de ventos intensos, a água penetra no fruto sob alta pressão. Esse processo pode desestabilizar a camada já fragilizada e provocar sua ruptura, ocasionando a queda dos chumbinhos tal como a que está ocorrendo nessa época
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Em anos de seca prolongada seguida por chuvas intensas, esse processo é praticamente inevitável.
(v) Estresse anaeróbico também causa queda de chumbinhos pois chuva em excesso enxarca o solos e:
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Induz um estrese anaeróbico (falta de oxigênio) nas raízes.
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As raízes passam a produzir lactato e etanol, toxico às plantas
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Induz síntese de etileno na parte aérea
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Queda de chumbinhos e folhas
(vi) Estratégias de prevenção
Embora pouco se possa fazer nessas condições, a prevenção é possível e passa pelo fortalecimento da parede celular.
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Paredes celulares mais resistentes conferem elasticidade e tolerância mecânica, permitindo que as plantas suportem melhor as tensões externas.
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A manutenção adequada dos níveis de cálcio e boro durante a fase chumbinho é fundamental, pois ambos os nutrientes:
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Estabilizam e reforçam a parede celular.
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Reduzem a suscetibilidade à ruptura.
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Minimizam a queda de chumbinhos em condições adversas.
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Finalmente, é fundamental destacar que plantas vigorosas — caracterizadas por folhas verdes e sadias, reservas adequadas de carboidratos nos ramos, raízes profundas e equilíbrio nutricional e hormonal — realizam a fotossíntese em sua capacidade máxima. Dessa forma, produzem e armazenam energia em quantidade suficiente para enfrentar os estresses ambientais e garantir a preservação da produção.
Para os produtores que desejam aumentar a produtividade de sua lavoura, evitando quedas de frutos em todos os seus estádios:
● O caminho passa, obrigatoriamente, por melhorias na fotossíntese, como estratégia para aumentar a produção de energia.
● O resto, é consequência ...
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