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T Ó P I C O : Tarifa de 50% dos EUA interrompe crescimento do café solúvel brasileiro e pressiona exportações

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Tarifa de 50% dos EUA interrompe crescimento do café solúvel brasileiro e pressiona exportações


Autor: Leonardo Assad Aoun

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Último comentário neste tópico em: 29/01/2026 17:11:35


Leonardo Assad Aoun comentou em: 29/01/2026 17:33

 

Tarifa de 50% dos EUA interrompe crescimento do café solúvel brasileiro e pressiona exportações

 

Apesar da queda no volume embarcado, receita atinge recorde; setor enfrenta desafios comerciais e tributários em 2026

Tarifa de 50% dos EUA interrompe crescimento do café solúvel brasileiro e pressiona exportações

Exportações de café solúvel recuam, mas receita cresce

Em 2025, as exportações brasileiras de café solúvel somaram 85,082 mil toneladas, equivalentes a 3,688 milhões de sacas de 60 kg, queda de 10,6% em relação às 95,221 mil toneladas registradas em 2024, segundo o Relatório do Café Solúvel do Brasil 2025, da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (ABICS).

Apesar da redução no volume, as divisas geradas atingiram US$ 1,099 bilhão, alta de 14,4% em comparação ao ano anterior, impulsionadas pela valorização do preço do café arábica e conilon, que elevou o valor do solúvel no mercado internacional.

“O aumento do faturamento, mesmo com menor volume, reflete a valorização da matéria-prima, que compensou parcialmente os efeitos da retração nos embarques”, explica Aguinaldo Lima, diretor executivo da ABICS.

Tarifa de 50% nos EUA afeta competitividade

A introdução da tarifa de 50% sobre o café solúvel brasileiro nos Estados Unidos teve efeito direto sobre os embarques, que recularam 28,2% em relação a 2024. Entre agosto e dezembro, período de vigência da tarifa, a queda atingiu 40%, evidenciando o impacto imediato sobre a competitividade do produto no mercado norte-americano.

“A tarifa encarece o solúvel brasileiro de forma proibitiva, levando compradores a buscar alternativas em países concorrentes. É urgente pensar em estratégias de diversificação de mercados”, alerta Lima.

Os EUA continuam sendo o maior importador, com 558.740 sacas adquiridas em 2025, apesar da retração. Em seguida, aparecem Argentina (291.919 sacas, +40,2%) e Rússia (278.050 sacas, +9,8%). Outros destinos relevantes incluem Indonésia (165.308 sacas), México (128.595 sacas), Vietnã (118.691 sacas) e Colômbia (130.029 sacas, +178,2%), todos grandes produtores de café solúvel.

Necessidade de redirecionamento e novos acordos comerciais

O impacto do tarifaço dos EUA evidencia a dependência do mercado norte-americano e reforça a urgência de diversificação de destinos. Segundo Lima, redirecionar volumes significativos demanda tempo, investimentos em marketing, adaptação a regulamentações locais e negociação de condições comerciais, muitas vezes via acordos bilaterais ou blocos econômicos.

“O Brasil enfrenta limitações de acordos comerciais abrangentes, o que dificulta uma resposta rápida a barreiras tarifárias impostas por outros países”, observa o executivo.

Crescimento do consumo interno de café solúvel

Enquanto as exportações enfrentam desafios, o consumo doméstico alcançou 27,008 mil toneladas (1,17 milhão de sacas), crescimento de 9,5% sobre 2024. Lima destaca que o aumento reflete preferência crescente do consumidor e estratégias bem-sucedidas das indústrias, além de preços mais atrativos devido à menor inflação sobre o solúvel (34%) em comparação ao torrado e moído (75%).

Reforma Tributária deve pressionar o setor

A Reforma Tributária, com vigência a partir de 1º de janeiro de 2027, extinguirá o crédito presumido de 7,4% sobre café verde industrializado para exportação, elevando o custo implícito das exportações.

“O impacto será significativo: estima-se perda de R$ 430 milhões para a indústria, equivalente a 7,4% do valor exportado em 2025. Na prática, a cada 14 sacas exportadas, o Brasil ‘perderá’ uma em tributo”, explica Lima.

Perspectivas para 2026 e necessidade de estratégia global

O cenário de 2026 destaca a dicotomia entre um mercado interno sólido e desafios no comércio internacional. O setor precisará:

  • Diversificar mercados, reduzindo dependência dos EUA;
  • Aproveitar oportunidades na União Europeia, especialmente com o acordo Mercosul-UE;
  • Mitigar efeitos da Reforma Tributária junto ao governo brasileiro;
  • Aprimorar competitividade e acordos comerciais, para proteger o setor contra barreiras tarifárias.

“O recorde de divisas em 2025 mostra a resiliência do setor, que investiu R$ 2,5 bilhões em produção, ampliação e sustentabilidade nos últimos seis anos. É preciso uma abordagem estratégica e proativa diante de um cenário geopolítico, comercial e tributário em constante mudança”, conclui Lima.

Fonte: Portal do Agronegócio

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