T Ó P I C O : Ferramenta certifica café sem desmatamento
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Ferramenta certifica café sem desmatamento
Autor: Leonardo Assad Aoun
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Último comentário neste tópico em: 26/02/2026 10:49:34
Leonardo Assad Aoun comentou em: 26/02/2026 11:11
Ferramenta certifica café sem desmatamento
Conab lança plataforma para certificar café brasileiro como livre de desmatamento

Foto: Pixabay
Na manhã desta terça-feira (24), a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) lançou, em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a Plataforma Parque Cafeeiro, ferramenta pública e gratuita voltada à cadeia produtiva do café, com objetivo de certificar a produção brasileira como livre de desmatamento. A cerimônia ocorreu na sede da estatal, em Brasília, com a presença do presidente da Conab, Edegar Pretto, da secretária-executiva do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Fernanda Machiaveli, do secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), João Paulo Capobianco, do secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Guilherme Campos, e da secretária de Serviços Compartilhados do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), Isabela Gebrim, além de representantes do setor.
A iniciativa apoia o cumprimento do Regulamento (UE) 2023/1115, da União Europeia, que exige comprovação de que produtos como o café não sejam provenientes de áreas desmatadas após 31 de dezembro de 2020. Segundo a Conab, a plataforma garante a rastreabilidade da produção nacional e atende às exigências de mercado para manutenção das exportações.
Com chancela do Governo Federal, o sistema permite que produtores emitam declaração de conformidade ao não desmatamento, desde que atendam às diretrizes europeias. Outros agentes podem acessar relatórios para comprovar a regularidade dos lotes destinados ao mercado externo. “É uma ferramenta pública e gratuita que dá segurança ao produtor e abre caminho para o Brasil se afirmar como referência: produzir muito, com responsabilidade, e comprovar isso com dados”, afirmou Edegar Pretto, presidente da Conab.
O principal diferencial está na arquitetura tecnológica integrada a bases governamentais por meio de APIs, garantindo atualização quase em tempo real e consistência das informações. A secretária do MGI, Isabela Gebrim, destacou o ganho institucional. “É a modernização do Estado na prática. Dados qualificados, interoperabilidade e entrega melhor para o setor produtivo e para a sociedade”, ressaltou. A integração permitiu o mapeamento do parque cafeeiro e a vinculação dos imóveis produtores às regras europeias de desmatamento zero após 2020.
O monitoramento utiliza dados atualizados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), por meio do Projeto PRODES, incluindo o PRODES Marco Temporal, além de verificar informações do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e sobreposição com Terras Indígenas, Territórios Quilombolas e Unidades de Conservação.
Representando o MMA, João Paulo Capobianco reforçou o papel da ferramenta na agenda ambiental. “O governo quer o desmatamento zero. A plataforma antecipa exigências, separa com precisão o que é regular do que é irregular e protege quem produz certo”, afirmou.
O mapeamento das lavouras foi realizado entre 2021 e 2025 com uso de inteligência artificial e imagens de satélites de alta resolução. A metodologia emprega Redes Neurais Convolucionais para identificar áreas em produção e em desenvolvimento, considerando mudanças ao longo de cinco anos e características da cultura.
O sistema foi construído com articulação entre a Conab e os ministérios do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e Ministério dos Povos Indígenas (MPI), além de órgãos como o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI). Fernanda Machiaveli ressaltou a importância da iniciativa. “Quando o Estado organiza dados com credibilidade, ele reduz custos, dá previsibilidade e fortalece quem produz dentro da lei”, afirmou.
Pelo Mapa, Guilherme Campos destacou a relevância econômica do produto. “A maioria absoluta dos agricultores de café produz corretamente. O diferencial aqui é a fé pública da informação, que ajuda a mostrar ao mundo a responsabilidade do nosso produto”, explicou.
Representando o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), o diretor-geral Marcos Antonio Matos afirmou que “Sem uma referência oficial, a checagem vira estresse e custo. A plataforma dá base pública para comprovar conformidade e sustentar renda com segurança”. Já o presidente executivo do Conselho Nacional do Café (CNC), Silas Brasileiro, declarou: “É um trabalho de gigantes. O café é um produto nobre, com impacto social enorme, e agora o Brasil responde à demanda global com tecnologia e credibilidade”.
O diretor-executivo de Política Agrícola e Informações da Conab, Sílvio Porto, reforçou o caráter público do projeto. “A plataforma nasce para servir ao produtor, às cooperativas e aos exportadores. É gratuita, integrada e dá a garantia de que o café exportado está em conformidade com as exigências da União Europeia.”
O diretor-secretário da Cooperativa Agropecuária e de Cafeicultores de Franca e Região (Cocapec), José de Alencar Coelho Júnior, avaliou que “O insumo mais raro hoje é a confiança. Um processo transparente e seguro transforma a sustentabilidade em ativo, e não em passivo, e esse é o maior diferencial do produto brasileiro”.
Para a coordenadora do Centro de Sensoriamento Remoto e do CT-Modelagem da UFMG, Sónia Maria Carvalho Ribeiro, o resultado é fruto de dois anos de trabalho conjunto. “Conjuntamente, conseguimos criar uma plataforma do Brasil, e o grande diferencial é que ela integra diferentes bancos de dados governamentais, utilizando a API do Conecta GOV.BR, que permite em tempo quase real termos esses dados sobre café e desmatamento, acerca da posição em áreas indígenas e quilombolas, e emite a declaração em apoio a diligência devida, mas, sobretudo, é um instrumento para gestão territorial de todo o setor cafeeiro”, concluiu.
A Plataforma Parque Cafeeiro já está em funcionamento e pode ser acessada no site oficial da Conab. Segundo a estatal, a iniciativa reforça a rastreabilidade e a conformidade ambiental do café brasileiro no mercado internacional.
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