T Ó P I C O : Beber café realmente tira o sono? Entenda
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Beber café realmente tira o sono? Entenda
Autor: Leonardo Assad Aoun
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Último comentário neste tópico em: 04/03/2026 12:19:19
Leonardo Assad Aoun comentou em: 04/03/2026 12:30
Beber café realmente tira o sono? Entenda
Especialista explica os mecanismos biológicos que fazem a bebida interferir na qualidade do descanso e orienta sobre consumo adequado ao longo do dia
Por Clara Beatriz Saraiva Ferreira | IG Saúde

Foto: Foto: Divulgação/CNA
Beber café realmente tira o sono? Entenda
Presente na rotina de milhões de pessoas, o café é a segunda bebida mais consumida no mundo, ficando atrás apenas da água. Além de apreciado pelo sabor, ele também é associado a benefícios à saúde , por possuir ação antioxidante e potencial efeito anti-inflamatório. Por outro lado, a bebida é frequentemente apontada como responsável por noites mal dormidas.
Em entrevista cedida ao iG, a médica, especialista em Nutrologia pela ABRAN (Associação Brasileira de Nutrologia) e coordenadora médica da Nutrologia do Hospital Regional Rota dos Bandeirantes em São Paulo, Mariana Valini Monteiro afirma que existe uma explicação biológica no fato do queridinho das manhãs interferir na qualidade do sono.
Como a cafeína age no cérebro?
De acordo com Mariana, a cafeína atua bloqueando a adenosina, substância responsável por sinalizar ao cérebro que o corpo está cansado.
"Ao longo do dia, a adenosina vai se acumulando no cérebro, aumentando a sensação de sonolência. A cafeína “engana” o organismo: ela se liga aos receptores de adenosina e impede que essa mensagem de cansaço seja transmitida" , explica.
O resultado gerado pela cafeína no organismo é um estado maior de alerta, com redução da percepção de fadiga, aumento da atenção e da concentração, além de estímulo indireto à liberação de dopamina e noradrenalina.
A especialista ainda ressalta que o café não proporciona energia ao corpo, ele, na verdade, reduz a sensação de cansaço.
O efeito varia de pessoa para pessoa
Mariana Monteiro destaca que a reação ao café não é igual para todos . A intensidade e a duração dos efeitos da cafeína podem variar de acordo com características individuais de quem consome a bebida.
Entre os principais fatores está a genética . Algumas pessoas metabolizam a substância de forma mais rápida, enquanto outras a processam mais devagar. Essa diferença está relacionada, sobretudo, a variações no gene CYP1A2, responsável por regular a metabolização hepática da cafeína.
A sensibilidade individual é outro fator que pode influenciar na insônia. Algumas pessoas apresentam sintomas como ansiedade , taquicardia e dificuldade para dormir mesmo após ingerir pequenas quantidades.
Além disso, o uso de determinados medicamentos, como anticoncepcionais e alguns antidepressivos, pode prolongar o tempo de ação da cafeína no organismo.
Outro ponto importante é a tolerância . O consumo diário tende a gerar uma adaptação gradual, fazendo com que o efeito estimulante pareça menos intenso ao longo do tempo.
A especialista cita ainda que fases específicas da vida e alterações hormonais, incluindo a gestação, também podem modificar a forma como o corpo processa a cafeína.
Quanto tempo a cafeína permanece no corpo?
Segundo Mariana, em adultos saudáveis, a meia-vida da cafeína, ou seja, o tempo que o organismo leva para eliminar metade da substância, varia entre quatro e seis horas, podendo chegar a oito horas em algumas pessoas.
“Isso significa que, se você consome café às 16h, ainda pode ter cerca de 50% daquela dose circulando no organismo às 22h. Em gestantes, essa meia-vida pode ser ainda maior” , explica.
Ela ainda diz que mesmo quem afirma dormir normalmente após consumir a bebida pode, na verdade, ter uma qualidade de sono reduzida, mesmo que consiga adormecer.
Existe uma quantidade ideal para consumo?
Ao ser questionada sobre qual seria uma quantidade ideal de consumo, a especialista explica que, de modo geral, adultos saudáveis podem ingerir até 400 miligramas de cafeína por dia, o que corresponde, aproximadamente, a três ou quatro xícaras de café coado.
No entanto, quando o foco é preservar a qualidade do sono, o fator mais relevante não é apenas a quantidade, e sim o horário em que a bebida é consumida.
Para a maioria das pessoas, a orientação é evitar cafeína após as 14h ou 15h, principalmente se houver sintomas como dificuldade para adormecer, sono leve, despertares durante a noite ou sensação de cansaço ao acordar.
No caso das gestantes, a recomendação é mais restritiva: o limite indicado é de até 200 miligramas por dia.
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