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T Ó P I C O : Cerrado Mineiro: a primeira Denominação de Origem do café agora lidera o futuro da cafeicultura regenerativa

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Cerrado Mineiro: a primeira Denominação de Origem do café agora lidera o futuro da cafeicultura regenerativa


Autor: Leonardo Assad Aoun

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Último comentário neste tópico em: 18/03/2026 14:59:16


Leonardo Assad Aoun comentou em: 18/03/2026 15:24

 

Cerrado Mineiro: a primeira Denominação de Origem do café agora lidera o futuro da cafeicultura regenerativa

 

Federação dos Cafeicultores da RCM promove reposicionamento estratégico, além da marca; diretrizes constantes são impacto ambiental, inovação produtiva e desenvolvimento territorial

Por Michelle Valverde | Diário do Comércio

Cerrado Mineiro: a primeira Denominação de Origem do café agora lidera o futuro da cafeicultura regenerativa

Região do Cerrado Mineiro conta com 4,5 mil produtores e a safra anual é de 6 milhões de sacas de café | Foto: Diário do Comércio / Michelle Valverde

Nos últimos anos, a intensificação da crise climática tem impactado a produção de café. Diante do desafio, produtores rurais têm buscado alternativas para atenuar o impacto negativo do clima e também contribuir para a redução dos efeitos de eventos climáticos extremos. Na Região do Cerrado Mineiro (RCM), conhecida pelo pioneirismo na busca por inovações e na conquista da primeira Denominação de Origem para cafés no Brasil, os cafeicultores estão adotando a agricultura regenerativa. Com uma produção cada vez mais sustentável, a Federação dos Cafeicultores do Cerrado anunciou o reposicionamento estratégico, indo além da marca de origem e promovendo um movimento regenerativo no mundo.

Lançada na última semana, a nova marca territorial veio formalizar a estratégia que integra impacto ambiental, inovação produtiva e desenvolvimento territorial como diretrizes permanentes da região. A região conta com 4.500 produtores distribuídos em 55 municípios do Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas Gerais. No Cerrado, a produção de café gira em torno de 6 milhões de sacas anuais. O grão de alta qualidade da região é exportado para mais de 30 países.

Com o reposicionamento, o objetivo também é ampliar o uso da marca, que além do café, poderá integrar outras produções da região. O selo, que é administrado pela federação, poderá promover a valorização e o fortalecimento da RCM como um todo. Além do grão, a ideia é incluir também produtos como o queijo do Cerrado, vinhos e cachaça, além do turismo.

Café do Cerrado Mineiro

Foto: Diário do Comércio / Michelle Valverde

O gerente regional Sebrae Noroeste Alto Paranaíba, Marcos Geraldo Alves da Silva, explica que a região do Cerrado Mineiro produz cafés há 50 anos e foi pioneira na definição de uma estratégia de branding – há 13, 14 anos. Agora, chegou a hora de renovar.

“O mundo mudou desde que essa estratégia pioneira foi estruturada. Agora, em um mundo em constante mudança, que cada vez mais clama seja pela produtos sustentáveis, bem como pela rastreabilidade, a região escreve a história novamente, criando a condição não só de garantir a produção sustentável, mas de ter essa mensagem muito clara da decisão pela produção de cafés regenerativos, bem como também de conseguir ter toda a rastreabilidade desse produto até o cliente final”, reforça.

Ainda segundo Alves, a expectativa é, mais uma vez, o reposicionamento para produção de cafés sustentáveis e, em especial, o atendimento de mercados cada vez mais exigentes.

Futuro regenerativo

Conforme o diretor-executivo da Federação dos Cafeicultores do Cerrado Mineiro, Juliano Tarabal, a ressignificação da estratégia de marca que guia a Região do Cerrado Mineiro traz um novo propósito que vai orientar os próximos passos do desenvolvimento da região, envolvendo todo o ecossistema de cooperativas de produtores, a federação, todas as empresas e a sociedade que vive no Cerrado Mineiro em busca de construir um futuro regenerativo.

“O reposicionamento é um marco histórico para a nossa região. É a terceira mudança que acontece desde que criamos a primeira marca em 1992. Em 2011, veio a estratégia de branding da região e, agora, em 2026, a gente traz esse novo reposicionamento, trazendo uma inovação que está no DNA do produtor da nossa região, que é sempre ser pioneiro nas nossas estratégias”, confirma.

Ainda segundo Tarabal, através da nova estratégia a ideia é levar, influenciar e construir um futuro regenerativo para o café, transformando toda a comunidade cafeeira e das demais culturas que existem na região.

Conforme o presidente da Federação dos Cafeicultores do Cerrado, Gláucio de Castro, o reposicionamento estratégico da marca traz mudanças e inovação em busca de atender a demanda do consumidor.

“O consumidor busca uma leitura mais moderna e algo que signifique o que a região está promovendo para o café do Cerrado Mineiro. A marca é o ressignificado do modo de produzir. Ela está relacionada ao fator regenerativo que os cafeicultores daqui estão promovendo e tem muito a ver com o significado que o cafeicultor daqui quer passar em relação à preservação, ao trabalho com com solo e ao trabalho que é desenvolvido no Cerrado, que nenhuma outra região tem feito isso e promovido dessa maneira”, acrescenta Castro.

Projeção futura é construir uma cesta de produtos do Cerrado

Além da certificação voltada para os cafeicultores para o uso da marca, Juliano Tarabal explica que o projeto prevê a expansão para outros produtos da região. A ideia é englobar itens – como queijos, vinhos e cachaça – produzidos nos 55 municípios aptos. A marca territorial lançada tem registro em nome da Federação dos Cafeicultores do Cerrado, entidade responsável por coordenar a governança e licenciar o uso para os membros, como produtores, cooperativas, associações e organizações.

“Para as demais cadeias como o queijo do Cerrado – detentora da Identificação Geográfica Queijo do Cerrado – vinhos, carne suína e cachaças, nós vamos construir um processo. É uma inovação onde pretendemos integrar essas cadeias à nossa estratégia, governança e propósito. São governanças independentes, mas que elas conversem e que a gente possa integrar o uso da marca e fortalecer o posicionamento da região como um todo. Que o benefício da promoção do café não seja somente para o grão, mas também do vinho, queijo, cachaça, carne suína entre outros. A ideia é que isso vire uma cesta de produtos”, esclarece Tarabal.

Agricultura regenerativa avança na Região do Cerrado Mineiro

A agricultura regenerativa vem sendo bastante adotada na RCM e é vista como uma alternativa para minimizar os impactos da crise climática nas produções. Foi na região, na cidade de Patrocínio, que a primeira propriedade cafeicultora no mundo – a Agro Beloni – conquistou a certificação Regenagri®, de agricultura regenerativa, em 2022. Conforme Tarabal, o manejo avança na região e, hoje, já são mais de 40 mil hectares com certificações de agricultura regenerativa.

“A agricultura regenerativa é pautada por um novo modelo de produção baseado na cobertura do solo. O manejo tem como premissa o cuidado com o solo, deixando-o sempre coberto com um mix de plantas e uma semi-arborização. O manejo ajuda a diminuir um pouco o efeito das mudanças climáticas, do aquecimento global. Há também o maior uso de produtos biológicos, a maior retenção de água no solo para que esse ecossistema esteja sempre se regenerando, se renovando em busca de manter a sustentabilidade desse ecossistema”, ensina.

Grãos de caféFoto: Michelle Valverde / Diário do Comércio

A gestora de qualidade de cafés especiais da Fazenda Santa Cruz do Grupo AgroBeloni, Elesandra Beloni, conta que a propriedade foi a primeira do mundo a conquistar a certificação Regenagri® – concedida pela britânica Control Union. Para ela, a cultura regenerativa é uma forma de pensar muito além da produção, “é pensar no legado”. A certificação comprova a qualidade dos produtos e validam o respeito da empresa pelo meio ambiente, no uso racional dos insumos e responsabilidade com a saúde dos funcionários.

“Na agricultura regenerativa, as práticas focam, principalmente, o solo, o meio ambiente e os colaboradores. Quando se fala em práticas regenerativas, estamos pensando em deixar um legado para as futuras gerações, em construir um futuro preservado e sustentável. O novo redirecionamento da cafeicultura do Cerrado mostra o trabalho do produtor dentro da porteira, em busca de construir um futuro sustentável e deixar um legado”, acrescenta a gestora.

O CEO da Quatro Irmãos Agronegócio, em Patrocínio, Mário Alves Rebehy, explica que na Fazenda Bom Jardim State Coffee é feito o manejo regenerativo e a empresa tem a filosofia de levar possíveis compradores na unidade, onde podem vivenciar e entender o manejo.

“Ao vivenciar e entender o nosso manejo, os compradores poderão agregar valor à cadeia deles e, sem problema nenhum, dar um ágio. Hoje tem esse tipo de comprador, um comprador que precisa de uma história, não só o café de pontuação como nós temos, mas de uma história, um manejo, uma coerência em manter uma equipe, uma atenção ao social. Enfim, hoje, isso conta muito e isso é natural nosso, a gente está desde sempre com essa filosofia”, explica.

Entre os diferenciais , Rebehy destaca a padronização da qualidade do café: “A fazenda se destaca, por exemplo, por um padrão muito bom e que se mantém. Uma cadeia de cafeterias, que quer manter o café dele com o mesmo padrão e ter uma quantidade boa, a gente pode garantir isso. Nosso café tem uma pontuação de 84 a 86 em toda a produção, resultado do clima, terroir, manejo pós-colheita, fermentações e microlotes”.

Quanto à safra 2026, as expectativas são positivas. “Esse ano, absurdamente choveu nesses últimos três meses, o volume de um ano e isso ajudou o enchimento. Vamos colher, pela bienalidade, uma safra um pouco menor. Eu acho que os preços ficarão em torno de R$ 1.600, 1.500 por saca de 60 quilos, com momentos de baixa de R$ 1.400, 1.300. É um valor que dá retorno”, garante.

*A repórter viajou a convite do Sebrae Minas

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