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T Ó P I C O : Visita destaca importância da conservação de germoplasma de café

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Visita destaca importância da conservação de germoplasma de café


Autor: Leonardo Assad Aoun

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Último comentário neste tópico em: 22/03/2026 12:02:37


Leonardo Assad Aoun comentou em: 22/03/2026 12:28

 

Visita destaca importância da conservação de germoplasma de café

 

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Pesquisadores da Embrapa Café visitaram, na quarta-feira da semana passada (11/3), o Banco Genético da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília (DF). De acordo com a chefe de Pesquisa e Desenvolvimento Priscila Grynberg, o objetivo foi apresentar à equipe da Unidade a estrutura de conservação da Empresa e o sistema Alelo, usado para padronizar, organizar e gerir informações sobre coleções e bancos de germoplasma.

Priscila explicou que, atualmente, os bancos ativos de germoplasma (BAGs) e coleções de pesquisa para café, tanto em Unidades da Embrapa quanto em instituições consorciadas, não estão cadastrados no Alelo nem possuem material conservado no Banco Genético.

“Embora pesquisadores apontem limitações na preservação por sementes, já existem protocolos viáveis de criopreservação e de conservação in vitro. Ainda assim, esse material não está incorporado às estruturas de conservação da Empresa”, afirmou a chefe de P&D.

O grupo foi recebido pelo chefe-geral da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Ricardo Alamino, e pelos pesquisadores Juliano Pádua, Jonny Pereira e Aluana de Abreu.

Alamino destacou a importância de as duas Unidades trabalharem juntas para garantir a segurança da preservação de materiais genéticos para a cultura do café. “Essa sinergia institucional permite a integração de competências técnicas e o fluxo seguro de materiais genéticos, fortalecendo nossa rede de pesquisa em temas estratégicos como a bioeconomia e a preservação da biodiversidade”, completou o chefe-geral.

Segundo ele, com a troca contínua de materiais genéticos entre os diversos centros de pesquisa da Embrapa, é possível assegurar que “a riqueza biológica nacional seja protegida e disponibilizada para gerar soluções inovadoras e segurança alimentar de forma colaborativa e eficiente”.

Aproximação

De acordo com Priscila Grynberg, parte dos pesquisadores da Embrapa Café não conhece o funcionamento do Alelo e tem dúvidas sobre a segurança das informações disponibilizadas no sistema.

Atualmente, entre as instituições consorciadas, apenas o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná utiliza o Alelo. “A visita buscou, justamente, aproximar os pesquisadores das equipes responsáveis, promover esclarecimentos e estimular a inserção de dados no sistema”, assinalou.

Para a chefe de P&D, a principal vantagem de usar o Alelo é a padronização e organização das informações. “O sistema permite catalogar os dados em uma linguagem comum entre instituições, além de oferecer uma visão mais clara da diversidade genética existente”, explicou.

Já o banco Genético, segundo ela, funciona como uma estrutura de segurança. “Ele permite conservar materiais, especialmente os mais raros, como uma espécie de backup. Isso é relevante porque há relatos de BAGs com dificuldades de manutenção, alguns em processo de abandono”, comentou.

Alternativa

Nesse contexto, Priscila destacou que a conservação in vitro e por criopreservação surge como alternativa para garantir a conservação desses materiais no longo prazo.

“Hoje, esses materiais são mantidos apenas em campo. Em alguns casos, há dificuldade até mesmo em classificar as coleções como BAGs, devido à falta de organização e sistematização das informações”, acrescentou. Essa ausência de dados consolidados, na opinião da chefe de P&D, impede qualquer estimativa precisa sobre o tamanho e a diversidade dessas coleções.

“A partir da visita, os participantes levarão essas informações às suas instituições e a expectativa é de retomarmos o tema ao longo do ano”, informou. De acordo com Priscila, existe a possibilidade de criação de projetos ou metas institucionais para viabilizar a inserção de dados no Alelo e a conservação dos materiais no Banco Genético.

Protocolo

A pesquisadora Sttela Veiga, lotada na Universidade Federal de Lavras (MG), desenvolveu um protocolo de conservação de café que pode ser adotado no Banco Genético da Embrapa.

De acordo com ela, o gênero Coffea produz sementes classificadas como recalcitrantes e intermediárias, que têm baixa longevidade devido à alta sensibilidade à dessecação. “Isso inviabiliza o armazenamento em bancos de sementes convencionais, sob temperatura de -18ºC, colocando em risco o patrimônio e a variabilidade genética da cultura”, acrescentou.

Já a conservação de acessos em campo, segundo Sttela, exige um grande aporte financeiro e está sujeita a desastres ambientais como estiagem, geadas, ataques de pragas e doenças. “Por isso, a conservação de germoplasma vegetal em temperatura ultrabaixa, em nitrogênio líquido, a -196° C (criopreservação) é uma alternativa para o armazenamento por tempo indeterminado para espécies que produzem sementes recalcitrantes ou intermediárias, como as de café”, explicou.

Sttela lembrou que a tolerância à criopreservação é específica para cada espécie, o que requer padronização de procedimentos. No caso das sementes de Coffea arábica L., o protocolo de criopreservação já está consolidado. “O ponto crucial e que irá garantir a sobrevivência após o descongelamento é ajustar o teor de água das sementes, que pode formar cristais de gelo, letais para as células”, detalhou.

O protocolo desenvolvido por Sttela envolve quatro etapas:

1. Secagem rápida em sílica gel até 20% em base seca;

2. Imersão direta no nitrogênio líquido;

3. Armazenamento por tempo indeterminado;

4. Após retirada do nitrogênio reaquecimento em banho-maria a 42ºC por dois minutos.

 “O desenvolvimento de técnicas de criopreservação de sementes de todas as espécies de Coffea, bem como de regeneração de plantas a partir das sementes criopreservadas, é fundamental para a preservação do patrimônio genético e a garantia da sustentabilidade da cafeicultura brasileira e mundial”, finalizou a pesquisadora.

Infraestrutura

O Banco Genético da Embrapa (BGE) é o maior da América Latina e o quinto maior do mundo, reunindo coleções de plantas, microrganismos e material animal em condições controladas de alta segurança. Inaugurado em 2014, o complexo tem capacidade para armazenar até 750 mil amostras de sementes, além de cerca de 10 mil acessos conservados in vitro e coleções mantidas em criopreservação, a −196 °C, funcionando como backup estratégico dos bancos ativos distribuídos pelo país.

Segundo o pesquisador Juliano Pádua, o BGE tem uma infraestrutura completa para a criopreservação de germoplasma de café, com criotanques disponíveis e fábrica para produção própria de nitrogênio, o que confere segurança às ações de conservação.

“Reunindo as expertises e a infraestrutura da Embrapa Café e de suas consorciadas com as da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia poderemos avançar no estabelecimento de um criobanco para armazenamento de germoplasma de café, buscando integração institucional”, ressaltou.

Juliano frisou que, assim como para qualquer produto vegetal, a conservação de germoplasma de café é fundamental, por ser a matéria-prima para o desenvolvimento de novas cultivares.

“Em bancos de germoplasma é possível identificar acessos que podem ser utilizados para aumentar a produtividade, para obter grãos que confiram maior qualidade à bebida, identificar fontes de resistência/tolerância a pragas e doenças (ferrugem, nematoides, insetos) e também à adaptação climática”, comentou.

Para o pesquisador, o Brasil, como maior produtor mundial, precisa avançar na conservação de recursos genéticos de café, cultura estratégica para o País. “Essa atividade sustenta a competitividade e a segurança da cafeicultura nacional no longo prazo. Além disso, um banco de germoplasma apoia estudos em diversas linhas de pesquisa como fisiologia, genômica e biotecnologia”, completou.

Eduardo Pinho Rodrigues (MTb/GO - 1073)
Embrapa Café

Contatos para a imprensa
cafe.imprensa@embrapa.br

 

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