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T Ó P I C O : Ele trocou a tecnologia por uma cafeteria em BH e transformou em rede que fatura R$ 33 milhões

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Ele trocou a tecnologia por uma cafeteria em BH e transformou em rede que fatura R$ 33 milhões


Autor: Leonardo Assad Aoun

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Último comentário neste tópico em: 18/05/2026 13:51:45


Leonardo Assad Aoun comentou em: 18/05/2026 14:09

 

Ele trocou a tecnologia por uma cafeteria em BH e transformou em rede que fatura R$ 33 milhões

 

Cristian Figueiredo largou a computação, apostou em cafés especiais e ergueu a Mr. Black Café Gourmet, hoje com 50 unidades em oito estados e 1,5 tonelada de café vendida por mês

Por Felipe Lessa

Cristian Figueiredo, CEO da Mr. Black Café

Cristian Figueiredo, CEO da Mr. Black Café - Foto: Divulgação

Cristian Figueiredo, 41 anos, não sabia fazer café quando abriu a primeira cafeteria em Belo Horizonte (MG), em julho de 2006. Dois anos depois, criou a marca Mr. Black Café Gourmet. Em 2014, estreou no franchising. Hoje, a rede conta com 50 unidades em oito estados, comercializa cerca de 1,5 tonelada de café por mês e faturou R$ 33 milhões em 2025 — com projeção de chegar a R$ 42 milhões até o fim do ano.

A história começa não em uma cozinha, mas em frente a um computador. Na adolescência, Cristian já fazia manutenção de equipamentos para amigos e vizinhos e cobrava por isso. Depois passou a revender tênis e câmeras importadas dos Estados Unidos pelo Mercado Livre. "Sempre fui muito comerciante, mas ligado à informática", conta. Parecia natural, então, que escolhesse Ciência da Computação.

A realidade do curso frustrou as expectativas. "Percebi que não era o que imaginava. Era muito focado em programação, uma profissão voltada para ficar sozinho na frente de um computador." Um estágio na Belgo Mineira Sistemas (BMS), em 2004 e 2005, confirmou a sensação. Aos 20 anos, quando o pai, Wilson Figueiredo, encontrou uma oportunidade de negócio — um ponto no Shopping Cidade, em BH —, Cristian enxergou uma saída.

A primeira loja e o aprendizado do zero

Wilson não tinha experiência em alimentação. Tampouco Cristian. O que havia era disposição e uma consultoria contratada junto a um empresário do setor de buffet em Belo Horizonte, que ajudou na estruturação inicial da operação. O investimento foi de cerca de R$ 200 mil.

O estabelecimento se chamava Café Cidade e funcionava dentro do shopping homônimo. "Não tínhamos experiência alguma com alimentação. Foi um período intenso de aprendizado, erros e muitos acertos. Viajei, estudei, pesquisei na internet e fomos moldando o negócio conforme entendíamos o comportamento do consumidor", relembra Cristian.

A divisão interna foi clara desde o início: o pai cuidava do financeiro e da estratégia; Cristian ficou com a operação. Ele criava receitas, pensava em melhorias no ambiente, controlava estoque, avaliava fornecedores e desenhava processos. A rotina era intensa. "Saía de casa às 9h e voltava às 22h. Trabalhei fins de semana, feriados e Natal por cerca de dez anos." Esse tempo todo dentro da operação seria, anos mais tarde, a base sobre a qual a franquia seria erguida.

Primeira unidade da Mr. Black Café Gourmet, em Belo Horizonte (MG), passou por reformulações ao longo dos anos e marcou o início da expansão da rede — Foto: Divulgação

Primeira unidade da Mr. Black Café Gourmet, em Belo Horizonte (MG), passou por reformulações ao longo dos anos e marcou o início da expansão da rede — Foto: Divulgação

O nome que virou marca

A segunda unidade, inaugurada em 2008 no Minas Shopping, trouxe um desafio inesperado: era preciso um nome capaz de unificar as duas lojas. Nasceu ali a Mr. Black Café Gourmet.

A reação do público surpreendeu. "As pessoas começaram a perguntar se era uma marca de fora, se era franquia, se vinha dos Estados Unidos", lembra Cristian. O que poderia parecer um problema revelou-se um ativo. "Mineiro é desconfiado. Muitas marcas de fora chegam e não se sustentam. Curiosamente, até hoje muita gente acha que a Mr. Black não é mineira, mas se identifica tanto com o nosso padrão de qualidade que isso acabou impulsionando o desejo de expansão por meio de franquias."

Foi também em 2008 que a rede adotou os cafés especiais — posicionamento que só se tornaria popular entre grandes redes anos depois. O contato veio por meio de Alexandre Gonzaga, produtor que exportava cafés especiais para cafeterias nos Estados Unidos, na Inglaterra e na Nova Zelândia. "Na época, praticamente ninguém fazia isso. As cafeterias trabalhavam com marcas tradicionais", diz Cristian. A Mr. Black apostou em cafés de origem mineira com torra artesanal e nunca voltou atrás.

Ser franqueador é virar líder de líderes

Por volta de 2010, os clientes já perguntavam se havia franquias disponíveis. Cristian começou a estudar o modelo, mas levou dois anos até contratar uma consultoria especializada em franchising. Em 2013, a Mr. Black tornou-se oficialmente uma franquia. No ano seguinte, a primeira unidade franqueada foi inaugurada — em um shopping em Minas Gerais. A rede tinha, então, três lojas próprias.

 

"Nascemos como um pequeno negócio familiar, sem grandes pretensões de expansão. Mas fomos aprendendo, gostando cada vez mais do segmento e percebendo que cafeteria é um negócio extremamente prazeroso para quem gosta de lidar com pessoas", diz.

 

Sobre o ritmo que imprimiu à própria trajetória, Cristian não esconde a autocrítica. Se pudesse voltar no tempo e dar um conselho ao Cristian de 20 anos, a resposta é direta: "Teria começado a franquear antes. Pensei demais."

A transição para o franchising exigiu uma mudança que ia além da operação. "Quando você trabalha com lojas próprias, a relação é com funcionários. Com franqueados é diferente. São empreendedores. Você precisa ter uma liderança mais consultiva, quase de mentoria. Eles investiram o próprio dinheiro e precisam sentir que estão recebendo valor todos os dias", explica.

Para ele, esse é o maior desafio de quem decide franquear. "O franqueado também é dono. Ele tem ideias, experiências, culturas diferentes. Você precisa ouvir, absorver, filtrar e entender o que faz sentido para a marca como um todo. É um exercício diário de liderança, empatia e visão estratégica."

Unidade da Mr. Black Café Gourmet no ParkShopping, em Brasília (DF) — Foto: Divulgação

Unidade da Mr. Black Café Gourmet no ParkShopping, em Brasília (DF) — Foto: Divulgação

Identidade mineira como diferencial

Desde 2017, toda a produção de doces e salgados da rede é própria, feita em uma cozinha central em Belo Horizonte. A decisão não foi apenas estratégica — foi uma resposta ao risco de comoditização. "Quando começamos a franquear, percebemos que seria fácil copiar o modelo. As redes utilizavam os mesmos fornecedores. Na época da crise de 2015 e 2016, com o forte aumento de custos, criamos a cozinha central para personalizar produtos e criar diferenciação", explica Cristian.

Com a centralização da produção, as receitas passaram a ser exclusivas. Os produtos chegam congelados e porcionados às unidades, em cargas refrigeradas. O franqueado descongela, finaliza e vende. "Praticamente não cozinha. Apenas os cafés são preparados na hora, com mais de 80 receitas. Qualquer pessoa é capaz de manipular e colocar à venda de forma descomplicada."

Os cafés vêm exclusivamente de fazendas mineiras. Do Cerrado Mineiro, chegam grãos com perfil mais achocolatado, usados no espresso. Das Matas de Minas, vêm cafés mais frutados, preparados em métodos como o V60. Da Mantiqueira de Minas, os grãos são mais cítricos e suaves.

A torra é feita em microtorrefação na própria capital. "Temos o melhor pão de queijo do mundo", afirma Cristian, sem meias palavras, lembrando que Belo Horizonte é reconhecida pela UNESCO como cidade criativa da gastronomia. O título foi concedido em outubro de 2019.

A identidade local não impede adaptações. No Nordeste, tapioca entra no cardápio. Em São Paulo, pão na chapa. Cada loja também tem um projeto arquitetônico pensado para a localização e o perfil do consumidor local, mantendo um padrão visual reconhecível, mas com flexibilidade regional.

A rede tem hoje 50 unidades — metade delas em Minas Gerais. As demais estão em São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Alagoas, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Goiás. As duas lojas próprias em shoppings de Belo Horizonte seguem sendo as de maior faturamento da rede.

Para 2026, a projeção é abrir entre 10 e 12 novas unidades e encerrar o ano com faturamento de R$ 42 milhões e 50 unidades vendidas. O crescimento vem de duas frentes: aumento de faturamento nas lojas existentes e abertura de novos pontos. "Não adianta expandir a qualquer custo. Precisamos manter a saúde das unidades atuais e crescer a estrutura produtiva junto", pondera o empreendedor.

A estratégia de expansão prioriza cidades com mais de 200 mil habitantes e ao menos um shopping center. O foco atual está no eixo Rio-São Paulo, o que favorece a eficiência logística. Regiões como o Norte do país são avaliadas com mais cautela, justamente pelas dificuldades de distribuição.

Os critérios para escolha de novos mercados incluem renda per capita, perfil socioeconômico, presença de grandes operações e o conhecimento do franqueado sobre o território. "A decisão é tomada em conjunto", afirma o CEO.

No dia a dia, Cristian acompanha três indicadores: faturamento, tíquete médio e quantidade de atendimentos. "São os dados que dizem se a loja está saudável", resume.

Quanto custa

A Mr. Black oferece três formatos de negócio: quiosques em shopping, lojas de rua ou espaços corporativos, e lojas maiores voltadas a shoppings e aeroportos. O investimento inicial varia de R$ 250 mil a R$ 450 mil, com faturamento médio mensal estimado em R$ 75 mil, margem líquida em torno de 20% e retorno projetado entre 24 e 36 meses.

A rede não exige que o franqueado tenha experiência prévia com café. Treinamentos em barismo, gestão de pessoas e operação são oferecidos antes da abertura. "O que exigimos é desejo real de empreender e disponibilidade para se dedicar. Franquia não é investimento passivo", afirma Cristian.

A equipe da franqueadora conta com cerca de 50 colaboradores diretos. Considerando toda a rede, o número chega a aproximadamente 200 pessoas.

Para os próximos anos, a meta é atingir 100 lojas. Para isso, a empresa está construindo uma nova cozinha central em Belo Horizonte, com capacidade cinco vezes maior que a atual. A escala cresce, mas o processo permanece artesanal. "O que acontece lá fora, em poucos anos chega ao Brasil. Se a franqueadora ficar parada no tempo, perde relevância. Precisamos estar sempre nos adaptando às novas realidades", conclui.

A expansão geográfica avança, mas a origem não se perde. O café continua vindo de Minas. A cozinha central também. E a marca que muita gente ainda acha que é americana segue sendo, sem qualquer dúvida, mineira.

Fonte: Revista PEGN

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