T Ó P I C O : 25º Seminário Internacional do Café de Santos | Por Celso Vegro
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25º Seminário Internacional do Café de Santos | Por Celso Vegro
Autor: Leonardo Assad Aoun
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Último comentário neste tópico em: 20/05/2026 21:07:06
Leonardo Assad Aoun comentou em: 20/05/2026 21:27
25º Seminário Internacional do Café de Santos | Por Celso Vegro
25º Seminário Internacional do Café de Santos
Temas discutidos no segundo dia de trabalhos
Por Celso Vegro
Em 20/05/2026 às 10:00hs teve início o evento com a palestra do consultor econômico Pablo Spyer, que construiu um cenário pormenorizado da economia mundial ancorado nos desdobramentos do ataque estadunidense/israelense ao Irã. O impacto sobre os preços de combustíveis, gás e fertilizantes está acarretando incremento da inflação em todo o mundo, superando o impacto ocorrido na crise do petróleo de 1973. Ainda assim, os investidores mantêm otimismo com o crescimento do PIB mundial em 2026 estimado pelo FMI em 3,4% (Brasil deve marcar 2,2%). Porém, há grande desconfiança do mercado com o endividamento da economia estadunidense, que monta US$ 40 trilhões. As próximas eleições nos EUA podem trazer uma mudança importante na política do país, mas ainda assim incapaz de alterar a guerra comercial implantada após o tarifaço e a nova tarifa global de 10%, mantida mesmo após questionamentos junto à Suprema Corte. Finalmente, mencionou o impacto dos investimentos em IA como importante motor de manutenção do crescimento da economia, esperando-se em 2026 investimentos da ordem de US$ 541 bilhões.
Ainda na parte da manhã, o representante da ABIC (Pavel Cardoso) fez uma explanação sobre o esforço de recuperação da imagem do produto por meio de intenso diálogo e parcerias com as entidades do segmento. A divulgação da marca Cafés do Brasil no Grande Prêmio de Fórmula 1 em Interlagos foi o primeiro passo, levando a marca para 500 milhões de espectadores. Em seguida ocorreu a contratação de trabalho de atualização da marca, em que foi acrescentada a letra T, representando a produção com tradição, transformação e tecnologia. Com esses esforços, a entidade espera incrementar o valor capturado pela indústria no faturamento global da cadeia do café, que atualmente se situa em US$ 24,7 bilhões, enquanto nos EUA esse montante é da ordem de US$ 343 bilhões.
No painel sobre logística portuária, o aspecto fundamental dos debates girou em torno da necessidade de modernização e investimentos em infraestrutura. Pronunciaram-se Anderson Pomini – Autoridade Portuária; Mário Povia – Instituto Brasileiro de Infraestrutura; Fabrizio Perdomenico e Luis Montenegro – Consultores; e Leandro Barreto – Solve Shipping. Os debatedores enfatizaram que a expansão dos volumes embarcados nos portos brasileiros cresce muito acima da média mundial, pressionando a capacidade operacional de atendimento dessa demanda. Variação das marés, chuvas, greves etc. podem gerar substanciais atrasos no atracamento de navios e alavancar os custos logísticos dos exportadores. Vários investimentos estão previstos para Santos que, na melhor das hipóteses, caso se concretizem, já surgem defasados diante da previsão de aumento dos embarques. Para sair dessa armadilha, os debatedores reivindicam um modelo de governança com mais consensos do que disputas por interesses paroquiais.
Iniciando os trabalhos da tarde, Walter Longo explorou a temática das transformações ocasionadas pela ruptura promovida pela IA. Segundo o palestrante, sob essa tecnologia a mudança passou a constituir um estado permanente. As ferramentas de inteligência promovem melhoria na tomada de decisão, maior eficiência operacional e aprimoramento da experiência do cliente. Essa tecnologia se diferencia das anteriores devido à sua adoção inicial pelas pequenas e médias empresas e pelos profissionais seniores. Seu baixo custo de aquisição e a necessidade de repertório individual são apontados como exigências para seu bom emprego. Exemplo prático foi trazido por Guilherme Sabim com a criação de equipamento capaz de avaliar 30 atributos do produto por meio de imagens espectrais.
O fortalecimento da imagem e dos negócios com café brasileiro foi a tônica do depoimento de Pedro Neto, da ApexBrasil. Participação de empresários em feiras internacionais e vinda de compradores para conhecer os cinturões produtores são ações de grandes resultados para o segmento do café. A expansão na China é um resultado desse esforço, a partir da parceria realizada com a principal rede de cafeterias daquele país.
Retornando ao palco para debater as tendências da demanda, o diretor executivo da ABIC comentou as perspectivas para o consumo de café no Brasil e o trabalho desenvolvido pela entidade, como certificação, marketing, pesquisa, inovação e desenvolvimento sustentável. A característica de termos consumidores mais atentos à qualidade, assim como valorizando saúde e bem-estar, inovação e experiência, origem e rastreabilidade e sustentabilidade, representa exigências para as quais a torrefação precisa se ajustar. O intuito do segmento é capturar mais margem, fortalecendo todo o agronegócio.
Representando a Brazil Specialty Coffee Association, Vinícios Estrela trouxe uma visão pormenorizada de cada mercado de café no mundo e da percepção dos consumidores frente ao produto premium/especial. A mensagem final consistiu em entender que o conceito de café especial evoluiu e que o posicionamento do produto precisa buscar mais qualidade, impacto, experiência, relação e transparência.
O último a se pronunciar (Emerson Guimarães – JDE) enfatizou que o consumidor brasileiro é apaixonado por café, possuindo um sentimento nostálgico pela bebida. Mencionou que 70% dos apreciadores já experimentaram produtos premium. Sugeriu ainda que há imensas oportunidades de criação de valor em cápsulas, solúvel, especiais e mixes de café. Após uma rodada de troca de perguntas entre os membros da mesa, encerrou-se esse intenso dia de trabalho.
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