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T Ó P I C O : Exportações de café se mantêm estáveis em volume, mas receita cai com recuo nos preços

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Exportações de café se mantêm estáveis em volume, mas receita cai com recuo nos preços


Autor: Leonardo Assad Aoun

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Último comentário neste tópico em: 30/05/2026 21:34:08


Leonardo Assad Aoun comentou em: 30/05/2026 21:54

 

Exportações de café se mantêm estáveis em volume, mas receita cai com recuo nos preços

 

Alemanha ultrapassa Estados Unidos entre os principais compradores do café brasileiro

Por Luana da Fonte | Rede Globo

Exportações de café se mantêm estáveis em volume, mas receita cai com recuo nos preços

Foto: Pixabay

O Brasil exportou 3,1 milhões de sacas de café em abril, volume praticamente igual ao registrado no mesmo período do ano passado, segundo dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). Apesar da estabilidade nos embarques, a receita cambial apresentou queda de 17%, refletindo o cenário de preços mais baixos no mercado internacional.

Segundo o economista e analista de inteligência de mercado da Safras & Mercado, Gil Barabach, o desempenho das exportações foi sustentado principalmente pelo avanço dos embarques de café conilon robusta. De acordo com ele, a procura internacional pelo produto brasileiro aumentou nos últimos meses. “A justificativa é o avanço das exportações de conilon robusta do Brasil e o que fez as exportações de conilon robusta subirem foi o maior interesse externo pelo robusta, pelo conilon brasileiro”, afirma.

Barabach explica que a redução da receita está diretamente ligada à redução dos preços internacionais do café, movimento observado desde o segundo semestre do ano passado e intensificado a partir de fevereiro deste ano. Segundo ele, mesmo com volume um pouco maior embarcado, o valor médio negociado caiu em comparação com abril de 2025. “Essa queda nos preços internacionais explica por quê houve um crescimento no volume exportado e uma queda na receita”, destaca.

Apesar do aumento dos embarques, o economista afirma que o Brasil ainda não começou efetivamente a exportar café da nova safra. Segundo Barabach, a colheita segue em estágio inicial, principalmente no caso do arábica, e os embarques registrados em abril ainda pertencem à temporada comercial anterior. “Oficialmente, a nova temporada comercial inicia em julho. Então, teoricamente, café novo só é embarcado de julho em diante”, explica.

Outro destaque é a mudança entre os principais compradores do café brasileiro. Segundo o Cecafé, a Alemanha ultrapassou os Estados Unidos e assumiu a liderança nas importações do produto nos primeiros meses de 2026. De acordo com Barabach, o cenário foi influenciado pelas tarifas impostas pelos norte-americanos ao café brasileiro no ano passado.

Segundo o analista, o adicional tarifário de 40% somado à taxa geral de 10% aplicada pelos Estados Unidos reduziu significativamente a competitividade do café brasileiro naquele mercado. “Se tinha uma tarifa para o café brasileiro chegar nos Estados Unidos de 50%, então, isso inibia qualquer venda”, afirma Barabach. Ele explica que, diante desse cenário, parte do fluxo comercial foi redirecionada para outros destinos, especialmente a Alemanha, que já aparece tradicionalmente entre os maiores compradores do café brasileiro.

Mesmo após a suspensão das tarifas em novembro, Barabach afirma que os impactos ainda são percebidos neste início de ano devido ao intervalo entre negociações, logística e embarques. “Entre a compra efetiva e o embarque, tem um tempo, por isso, ainda essa questão das tarifas reflete nesses primeiros meses de embarque de 2026”, afirma.

De acordo com o economista, a expectativa para a safra de 2026 é positiva, principalmente por conta da recuperação da produção de café arábica no Brasil. “O que se espera dessa colheita que está iniciando é que o Brasil tenha uma safra recorde puxada pela recuperação da produção de arábica”, ressalta. Com maior oferta no mercado, a tendência é que os preços internacionais continuem caindo.

Com isso, Barabach afirma que o avanço da colheita deve aumentar o ritmo das exportações brasileiras nos próximos meses. Segundo ele, a expectativa é de crescimento nos embarques na temporada comercial 2026/27, que começa em julho. “Mais café no Brasil quer dizer o seguinte, mais café do Brasil saindo dos portos”, conclui.

Supervisionado por Marina Fávaro.

 

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