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T Ó P I C O : Cecafé vê risco comercial em investigação dos EUA e defende acordo bilateral para evitar tarifas

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Cecafé vê risco comercial em investigação dos EUA e defende acordo bilateral para evitar tarifas


Autor: Leonardo Assad Aoun

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Último comentário neste tópico em: 02/06/2026 19:39:32


Leonardo Assad Aoun comentou em: 02/06/2026 11:58

 

Cecafé vê risco comercial em investigação dos EUA e defende acordo bilateral para evitar tarifas

 

  • A investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos pode resultar na aplicação de tarifas de até 25% sobre produtos brasileiros.
  • O café verde, responsável por cerca de 90% das exportações para o mercado americano, foi poupado das taxas. No entanto, representantes do setor defendem a ampliação do diálogo entre os países para evitar impactos sobre o comércio.
  • Em entrevista ao Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC, o diretor-geral do Cecafé, Marcos Matos, afirmou que o café solúvel (produto taxado) permanece em situação delicada.

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Setores brasileiros podem ser afetado por tarifas de até 25% sobre produtos, incluindo café solúvel e derivados. O café verde foi poupado.

O setor cafeeiro brasileiro acompanha com preocupação os desdobramentos da investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos, que pode resultar na aplicação de tarifas de até 25% sobre produtos brasileiros, incluindo café solúvel e derivados. Apesar de o café verde, responsável por cerca de 90% das exportações brasileiras para o mercado americano, estar na lista de exceções, representantes do setor defendem a ampliação do diálogo entre os dois países para evitar impactos sobre o comércio.

Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, o diretor-geral do Cecafé, Marcos Matos, afirmou que o café solúvel permanece em situação delicada. Segundo ele, o produto já enfrentava uma tarifa de 10%, que poderia subir para 15%, mas agora pode ser elevada para 25% no âmbito da chamada investigação 301. “O café solúvel segue taxado. Ele nunca entrou na lista de exceção e agora, com essa investigação, pode enfrentar uma tarifa de 25%”, disse.

Matos ressaltou que o setor enfrenta desafios paralelos, entre eles uma denúncia relacionada a trabalho forçado, apresentada por uma organização não governamental internacional às autoridades americanas. Segundo ele, o Cecafé atua em conjunto com a National Coffee Association para apresentar informações durante a fase de consultas públicas da investigação.

“Abre-se uma oportunidade de diálogo, e o Brasil precisa estar presente. Temos que participar das audiências e apresentar os documentos necessários para defender o setor”, afirmou.

Questão ambiental ganha peso nas negociações

Além das questões trabalhistas, o relatório americano também cita preocupações relacionadas ao desmatamento. O documento reconhece esforços de setores como o café, mas argumenta que o Brasil ainda falha no combate sistêmico ao desmatamento ilegal.

Para Matos, o país precisa reforçar sua comunicação e demonstrar os avanços realizados nos últimos anos. “Os Estados Unidos usam suas ferramentas para aplicar restrições comerciais. O que o Brasil precisa fazer é mostrar seus compromissos e os resultados obtidos no combate às ilegalidades”, afirmou.

Segundo Matos, temas ambientais e sociais têm sido cada vez mais utilizados como instrumentos de restrição comercial. “Questões sociais e ambientais permeiam as barreiras não tarifárias. Esse é o mundo geopolítico complexo em que estamos inseridos e precisamos saber navegar diante de uma complexidade como essa”, afirmou.

Críticas à utilização de pautas ambientais

Matos questionou as motivações por trás das críticas feitas pelos Estados Unidos ao Brasil: “A gente sabe que o último interesse numa discussão como essa é a proteção florestal. A discussão é justamente as tarifas”, declarou.

Ele também afirmou que denúncias trabalhistas utilizadas em disputas comerciais não refletem necessariamente uma preocupação genuína com os trabalhadores brasileiros. “A questão é totalmente comercial”, disse.

O diretor-geral defendeu que o Brasil contextualize melhor os dados divulgados sobre irregularidades no campo. Segundo ele, uma comunicação inadequada pode acabar fortalecendo argumentos utilizados para impor barreiras ao comércio brasileiro.

Comércio com os EUA registra queda

Matos também revelou que as exportações brasileiras de café para os Estados Unidos registraram retração de 41% entre janeiro e abril deste ano. Na avaliação dele, parte desse movimento está relacionada à expectativa dos compradores americanos pela entrada da nova safra brasileira no mercado.

“Os Estados Unidos estão aguardando a nova safra do Brasil, que começou a ser colhida recentemente. Teremos mais volume disponível e precisamos garantir condições para comercializar essa produção”, afirmou.

Ele destacou que a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma safra recorde, o que torna ainda mais importante a manutenção do acesso ao mercado americano.

Fonte: CNBC | Times Brasil

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