T Ó P I C O : CAFÉ: o que acontece com o cafeeiro após uma chuva de granizo. Por Prof. Donizeti
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CAFÉ: o que acontece com o cafeeiro após uma chuva de granizo. Por Prof. Donizeti
Autor: Leonardo Assad Aoun
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Último comentário neste tópico em: 02/06/2026 22:22:41
Leonardo Assad Aoun comentou em: 02/06/2026 21:41
Depois de um ano, choveu granizo novamente nas lavouras de café do Sul de Minas Gerais | Por Prof. José Donizeti Alves
Depois de um ano, choveu granizo novamente nas lavouras de café do Sul de Minas Gerais
Prof. José Donizeti Alves
No dia 25 de julho do último ano, o clima seco — inicialmente favorável à colheita do café — foi abruptamente interrompido por uma forte precipitação de granizo acompanhada de ventos intensos, atingindo lavouras no Sul de Minas Gerais.
Embora ainda não seja possível quantificar com precisão a extensão dos prejuízos, relatos de produtores já indicam que uma área significativa foi impactada. Em Campo do Meio (MG), aproximadamente 1.500 hectares de café foram atingidos pela chuva de granizo, conforme dados da Prefeitura Municipal. Por outro lado, é possível traçar a cronologia da cascata de eventos/danos nas lavouras atingidas pelo granizo.
(I) Imediatamente após o granizo é possível visualizar folhas rasgadas e perfuradas, ramos quebrados ainda presos à planta, além de acentuada queda de folhas, frutos, gemas e botões florais.
(II) Nos dias seguintes, surgem lesões e ferimentos em ramos e caules, que rapidamente se tornam escurecidos devido à oxidação dos tecidos necrosados. Essas lesões atuam como pontos de infecção, permitindo a penetração de fungos que se disseminam pelos tecidos vasculares. Ao colonizar o xilema e o floema, esses patógenos comprometem o transporte de água, nutrientes e fotoassimilados, resultando em obstrução dos vasos e provocando a morte regressiva de extensas porções dos ramos produtivos. Para evitar que o estresse biótico agrave o estresse abiótico e comprometa a arquitetura da planta e as safras futuras, recomenda-se aplicação imediata de produtos à base de cobre e fungicidas, visando cicatrização das feridas e contenção de patógenos.
(III) Cerca de uma semana após o evento, observa-se uma segunda onda de abscisão de folhas, frutos e estruturas reprodutivas. Esse processo é consequência da produção tardia de espécies reativas de oxigênio e da síntese de etileno, ambos desencadeados pelos ferimentos iniciais.
Um dos efeitos fisiológicos mais relevantes do granizo sobre o cafeeiro é a quebra da dominância apical dos ramos plagiotrópicos. O impacto das pedras de gelo danifica ou rompe a extremidade desses ramos, interrompendo a síntese de auxinas e intensificando a produção de citocininas. Esse desbalanço hormonal estimula de forma intensa e desordenada a brotação das gemas laterais dormentes ao longo do ramo, o que leva ao consumo acelerado das reservas de amido, comprometendo a sustentabilidade energética da planta.
É comum também a perda da dominância apical do caule, o que favorece o surgimento excessivo de ramos ladrões. Esses ramos apresentam crescimento vigoroso, mas não contribuem para a produção e acabam competindo por água, nutrientes e reservas energéticas. Por isso, devem ser desbrotados de forma sistemática, evitando a exaustão da planta e preservando o equilíbrio fisiológico necessário ao desenvolvimento dos ramos produtivos.
Os impactos de um evento extremo como a chuva de granizo vão muito além dos danos físicos imediatos, pois o cafeeiro entra em um estado de choque fisiológico. Esse estado é caracterizado por desbalanços hormonais, acúmulo de espécies reativas de oxigênio e interrupção temporária de processos metabólicos essenciais.
Diante desse cenário, recomenda-se a adoção precoce de protocolos de mitigação pós-granizo, que devem ir além dos cuidados fitossanitários convencionais. Entre os principais insumos de suporte fisiológico, destacam-se: os micronutrientes foliares que são essenciais para restabelecer a atividade enzimática e a eficiência fotossintética; bioestimulantes por favorecer a ativação metabólica e a recuperação da homeostase celular e os aminoácidos pela sua contribuição para a síntese proteica, atuação como osmoprotetores e por reduzirem os efeitos do estresse oxidativo.
Esses insumos desempenham papel fundamental na mitigação do estresse e na retomada das atividades fisiológicas, promovendo a produção de energia e a reorganização metabólica pós-granizo. Esse suporte é indispensável para que o cafeeiro supere, no menor intervalo de tempo possível, as adversidades impostas pelo granizo. Em síntese, a aplicação antecipada desses produtos aumenta a resiliência da planta, reduz perdas produtivas e contribui para a preservação da capacidade fotossintética e reprodutiva da lavoura.
Por fim, é altamente recomendável que o produtor recorra a um engenheiro agrônomo de sua confiança para a realização de um diagnóstico minucioso dos danos ocasionados pela chuva de granizo e indicar as melhores práticas de manejo filotécnico e fitossanitário.
Prof. Dr. José Donizeti Alves
E-mail: jdalves@ufla.br
Instagram: prof.donizeti
Celular: (35) 99966-7720
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