T Ó P I C O : Tarifaço mudou, mas risco segue no ES: rochas, pescados, café solúvel e aço sob pressão
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Tarifaço mudou, mas risco segue no ES: rochas, pescados, café solúvel e aço sob pressão
Autor: Leonardo Assad Aoun
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Último comentário neste tópico em: 03/06/2026 15:27:44
Leonardo Assad Aoun comentou em: 03/06/2026 15:41
Tarifaço mudou, mas risco segue no ES: rochas, pescados, café solúvel e aço sob pressão
Café, pimenta, gengibre, mamão, celulose e minério respiram melhor. Ao mesmo tempo, rochas ornamentais, pescados, café solúvel e aço continuam sob pressão. O problema deixou de ser apenas o tamanho do tarifaço e passou a ser a exposição específica de cada cadeia
Por Edu Kopernick | Folha Vitória

De um lado, produtos livres do novo tarifaço. Do outro, itens ainda ameaçados. ES precisa encontrar soluções para ameaças da cadeia produtiva. Crédito: Ilustração feita com IA
O novo movimento dos Estados Unidos contra produtos brasileiros não recoloca toda a pauta exportadora do Espírito Santo na mesma zona de perigo. O desenho é mais seletivo. E, justamente por isso, exige uma leitura mais fria. Café, pimenta, gengibre, mamão, celulose e minério respiram melhor. Ao mesmo tempo, rochas ornamentais, pescados, café solúvel e aço continuam sob pressão. O problema deixou de ser apenas o tamanho do tarifaço e passou a ser a exposição específica de cada cadeia.
A proposta do Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR na sigla em inglês) de aplicar um tarifaço adicional de 25% sobre parte das importações brasileiras tem exceções relevantes. Nesse sentido, isso reduz o impacto sobre produtos estratégicos para a economia americana e também para o Espírito Santo. No entanto, a lista não elimina o risco. Ela apenas desloca o centro da preocupação.
O setor de rochas naturais é o exemplo mais claro. Uma parte da pauta foi protegida, porém granitos, mármores, ardósias bem como outros materiais seguem potencialmente expostos ao tarifaço.
Veja o risco do tarifaço para cada produto do ES:
| Rochas ornamentais trabalhadas | Maior risco imediato. O código HTSUS 6802.99.00 aparece entre as exceções do tarifaço, no entanto granitos, mármores, ardósias e outros materiais podem ficar fora. |
| Pescados | Risco elevado. Não aparecem com clareza nas exceções e podem sofrer impacto direto da tarifa adicional. |
| Café solúvel | Risco moderado a alto. Café em grão e vários derivados têm proteção, mas parte do café instantâneo exige análise por código tarifário. |
| Aço e semimanufaturados de ferro e aço | Risco estrutural. O setor segue submetido à política americana específica para metais, porém fora da lógica comum das exceções brasileiras. |
| Café em grão | Risco menor no momento. Está entre os produtos protegidos nas exceções do tarifaço. |
| Pimenta-do-reino | Risco menor. Aparece entre as exceções. |
| Gengibre | Risco menor. O produto aparece entre as exceções. |
| Mamão | Risco menor. Também aparece entre os itens preservados do tarifaço. |
| Celulose | Risco menor. A pauta de polpa química de madeira foi contemplada nas exceções. |
| Minério de ferro | Risco menor. Está na lista de exceções. |
| Petróleo bruto | Risco menor. Energia foi tratada como item estratégico preservado do tarifaço. |
Há ainda uma segunda camada de incerteza. Além da proposta de tarifaço adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros, os Estados Unidos também abriram uma frente global relacionada a trabalho forçado. E possibilidade de cobrança extra de até 12,5% para países sem regras consideradas suficientes de restrição a esse tipo de importação. E, nesse sentido, o Brasil está incluído.
Para o Espírito Santo, esse ponto ainda exige cautela, porque o impacto dependerá do enquadramento final por produto, código tarifário e eventuais exceções. Na prática, ele amplia o risco para cadeias que já estão na zona cinzenta do tarifaço, como rochas, pescados, café solúvel e manufaturados industriais.
Findes prega diálogo sobre tarifaço
A Findes colocou o tarifaço no ponto certo ao defender diálogo técnico e cooperação institucional. O dado mais pesado está no comunicado da entidade. No primeiro quadrimestre de 2026, o Espírito Santo exportou US$ 752,82 milhões (R$ R$ 3,8 bilhões) para os Estados Unidos, o equivalente a 24,32% das vendas externas capixabas.
Não se trata, portanto, de um mercado substituível no curto prazo. Quando o principal parceiro comercial do Estado muda a regra do jogo, a indústria capixaba precisa reagir antes que a tarifa vire perda de contrato, margem e emprego.
O Sindiex adotou uma posição prudente, mas igualmente importante. A entidade lembra que ainda não é possível medir o impacto real do novo tarifaço sem a confirmação definitiva da medida e sem a publicação dos produtos atingidos. Afinal, o comércio exterior trabalha com contrato, prazo de embarque, classificação fiscal e custo final no destino.
Preocupação com rochas
A nota da Centrorochas mostra por que o setor está no centro da preocupação. A entidade afirma que os Estados Unidos são o principal destino das exportações brasileiras de rochas naturais e que cerca de 45% do faturamento exportado pelo setor permanece potencialmente exposto ao tarifaço. O alerta é ainda mais sensível para pequenas e médias empresas, muitas delas dependentes quase totalmente das vendas externas para manter operação e empregos.
A nova rodada tarifária, portanto, não produz um choque uniforme. Ela cria uma espécie de peneira econômica. Quem passa pelas exceções ganha tempo. Quem fica afetado pelo tarifaço entra em uma disputa dura por preço, previsibilidade e permanência no mercado americano. Para o Espírito Santo, o ponto mais perigoso está nos setores com alto peso regional, baixa margem de substituição e forte dependência dos EUA.
O risco maior está no produto que fica na zona cinzenta. É ali que rochas, pescados, café solúvel e aço precisam de diplomacia empresarial, pressão técnica e estratégia comercial. O tarifaço pode ter ficado mais seletivo, mas continua capaz de atingir exatamente algumas das cadeias que mais conectam o Espírito Santo ao mercado americano.
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