Rede Social do Café

T Ó P I C O : Café pode perder qualidade com chuvas de junho

Informações da Comunidade

Criado em: 28/06/2006

Tipo: Tema

Membros: 5251

Visitas: 28.922.643

Mediador: Sergio Parreiras Pereira

                        

Adicionar ao Google Reader Adicionar ao Yahoo Reader Adicionar aos Favoritos BlogBlogs


Comentários do Tópico

Café pode perder qualidade com chuvas de junho


Autor: Leonardo Assad Aoun

20 visitas

1 comentários

Último comentário neste tópico em: 22/06/2026 16:50:06


Leonardo Assad Aoun comentou em: 22/06/2026 16:59

 

Café pode perder qualidade com chuvas de junho

 

Chuva fora de época atrasa colheita e põe em risco a qualidade do café em MG e SP

Agrolink - Seane Lennon

Foto: Divulgação

A colheita do café entra em uma semana de atenção nas principais regiões produtoras do Sudeste. Segundo informações da Meteored, a combinação entre chuvas fora de época, elevada umidade e a passagem de novas frentes frias pode comprometer o ritmo dos trabalhos em Minas Gerais e São Paulo, além de aumentar os riscos de perda de qualidade dos grãos já colhidos.

O principal desafio para os produtores não está apenas na redução da velocidade da colheita, mas também na preservação da qualidade do café que permanece no chão, nos terreiros ou em processo de secagem. Junho é tradicionalmente um período estratégico para a retirada e secagem dos grãos, especialmente nas regiões produtoras do Sul de Minas e da Média Mogiana paulista.

As chuvas registradas entre os dias 11 e 13 de junho já provocaram interrupções nas atividades em diversas propriedades do Sudeste. Em áreas do Sul de Minas, os trabalhos de campo foram suspensos temporariamente, enquanto cafés deixados para secagem em terreiros ficaram expostos à umidade. As áreas de maior atenção abrangem o sul mineiro, o leste paulista e regiões de maior altitude.

O avanço da safra mostra que ainda há uma parcela significativa da produção a ser colhida. Na área monitorada pela Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé), os trabalhos alcançaram 15,8% até 14 de junho. Em São Paulo, o percentual chegou a 21,5%, enquanto as Matas de Minas registraram 20%, o Sul de Minas 19,1% e o Cerrado Mineiro 8,8%. Com boa parte dos talhões ainda em fase de colheita, a continuidade dos trabalhos depende de uma sequência de dias mais secos.

A previsão indica que uma nova frente fria deve avançar sobre o Centro-Sul do país nos próximos dias. Embora os maiores volumes de chuva sejam esperados na Região Sul, o sistema também deve alcançar São Paulo e reorganizar áreas de instabilidade no Sudeste entre o fim de semana e o início da próxima semana.

O impacto para a cafeicultura está associado não apenas à chuva, mas também ao aumento da nebulosidade e à demora na secagem natural dos grãos. As regiões da Média Mogiana e Alta Mogiana podem registrar interrupções nas operações de colheita e transporte. No Sul de Minas, a preocupação recai sobre os frutos caídos, que podem perder qualidade caso permaneçam expostos à umidade. Nas Matas de Minas, o relevo e a maior cobertura de nuvens tendem a prolongar o processo de secagem. Já no Cerrado Mineiro, onde o percentual colhido ainda é menor, a necessidade de uma janela de tempo seco permanece como fator importante para o andamento da safra.

Mesmo volumes de chuva entre 10 e 30 milímetros podem ser suficientes para atrasar as operações em áreas cafeeiras quando acompanhados por alta umidade e céu encoberto. Nessas condições, o retorno das máquinas ao campo costuma ser mais lento, e os cuidados com o pós-colheita precisam ser intensificados.

 

Após a passagem das frentes frias, a recuperação dos trabalhos dependerá da ocorrência de dias consecutivos com predomínio de sol, baixa umidade e ventos moderados. O café colhido em condições de excesso de umidade pode sofrer processos de fermentação indesejada, aquecimento da massa e desenvolvimento de fungos, fatores que comprometem a qualidade final dos lotes.

Para o mercado, os reflexos não se limitam ao volume colhido. A qualidade da bebida e a classificação dos lotes também passam a depender das condições climáticas das próximas semanas. Onde houver dois ou três dias consecutivos de tempo firme, a colheita poderá avançar com maior rapidez. Já nas áreas sujeitas a chuvas recorrentes, os produtores terão de intensificar a triagem dos frutos, acelerar o recolhimento do café caído e reforçar os cuidados durante a secagem.

Visualizar | |   Comentar     |  



1