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T Ó P I C O : Concreteiras: Solução ou Confusão?

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Comentários do Tópico

Concreteiras: Solução ou Confusão?


Autor: Egydio Hervé Neto

4.070 visitas

2 comentários

Último comentário neste tópico em: 21/03/2008 11:42:06


Egydio Hervé Neto comentou em: 26/07/2007 11:33

 

Concreteiras: Solução ou Confusão?

 

Prezados Amigos:

Fui concreteiro muitos anos.

Era um serviço com grandes possibilidades de carreira para bons Engenheiros de Tecnologia de Concreto. Iniciava-se como staff em tecnologia no laboratório central ou em uma filial, podia-se ser gerente de central ou gerente regional, superintendente e até diretor.

A preocupação gratificante era com a obtenção de bons resultados técnicos e econômicos, exigia muito conhecimento de logística, gestão, Engenharia e administração. Entretanto isto tudo mudou.

Começaram a surgir "negociantes" no ramo da concretagem e a Engenharia perdeu espaço. Sem nada entenderem de Tecnologia de Concreto, o que querem é competir em preço. De grandes Empresas com as quais trabalhei falavam: "Estes caras ganham muito dinheiro, querem ficar ricos!" E tome baixar preço. Baixaram tanto que não mais conseguem contratar Engenheiros.

Primeiro para dirigir centrais, depois para as filiais regionais, depois nem para Diretoria. Laboratórios? "Pra que?", diziam, acreditando que os equipamentos caros e sua própria inteligencia dariam conta, sem engenharia.

Então as fábricas de cimento entraram no circuito, comprando empresas. Quem não comprou, "se vendeu". Faziam como uma filha bonita: enfeitavam a central e esperavam "o noivo". Concreteira virou "canal de venda" e Engenharia, nesta atividade, virou artigo de luxo, própria apenas para grandes Empresas em mercados pujantes, como São Paulo e algumas outras capitais.

As Construtoras, que são as que mais se queixam dos péssimos serviços prestados hoje, contribuíram grandemente para a desmontagem tecnológica do setor. Aplicando a eterna "Lei de Gérson", realizam leilões onde compradores leigos, secundados por especificações pobres, aviltam os preços do serviço, resultando, para as concreteiras péssimos contratos. Lucro inexiste. Margem, tem que rezar, e assim, paga-se para trabalhar! Ou então, "dá-se um jeitinho...!".

Apresentando Cursos nesta área em todo o Brasil, o que mais ouço hoje em dia sobre concreteiras é que elas são sinônimo de péssimo atendimento, baixos resultados, e falcatruas diversas, especialmente erros de volume... para menos! E assim, as Construtoras agora encontram motivos para massacrá-los ainda mais! É uma guerra sem tréguas: "Não te pago bem por que trabalhas mal!" E generalizam, destroçando as raras boas empresas do setor.

Precisamos mudar este quadro. Concreteiras e Construtoras têm que entender que nesta guerra todo mundo perde! A melhor relação entre Construtora e Concreteira é a parceria para bom atendimento, onde a diferença de preço, que não é relevante nos custos, remunera adequadamente e permite exigir com rigor. E paralelamente, nunca descurar de controlar. Nenhuma concreteira vai fazer controle adequado como a obra. A NBR 12655:2006, é a única Norma de Controle das Estruturas na obra, e deve ser empregada com critério, com apoio de laboratório especializado. Não existe essa de que "a concreteira controla". O controle da concreteira é pobre e interno, serve apenas a ela. Quem tem que controlar a obra, visitar a concreteira, exigir vistas ao sistema da qualidade da concreteira é a construtora.

Acreditem: isto não é mais caro! Tenho lembrado sempre a meus alunos sobre a utilidade da Curva ABC de custos, onde as contas raras "A" somam 50% dos Custos, as poucas "B" até 80% e as centenas que vão até "C" os últimos 20% do custo total de qualquer empreendimento. Daí, as contas a serem controladas são as "A", realmente significativas mas, o que mais se vê, são diretores de construtoras brigando por centavos em contas "Z", como os custos de Projeto, os custos de Controle e as diferenças de preço entre uma péssima concreteira e uma empresa ótima, de qualidade assegurada.

O que sempre lembro e penso nestas horas é que a Tecnologia de Concreto evoluiu, temos tecnologia para produzir concretos de altíssima resistência, mas, como não há "mentalidade tecnológica", a evolução prossegue estagnada, trabalha-se com resistências baixas, pouca tecnologia,e nem ao menos pode-se pensar em fazer a Norma de Concretos de Alto Desempenho, que está com Comissão de Estudos pronta na ABNT mas paralizada, aguardando que o mercado aplique decentemente as normas de concreto convencional, como a NBR 6118:2003.

Triste coisa num país que é orgulho mundial em construções de concreto e que hoje torna-se gradualmente em referência do passado e depósito de obras fissuradas, com deformações, onde revestimentos e estruturas que caem são notícias cotidianas na mídia.

Até quando?

Egydio Hervé Neto, Diretor da VENTUSCORE

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ANDRE LUIS MUGNAINI comentou em: 26/07/2007 19:07

 

Tecnologia do concreto e controle de qualidade das obras

 

Egydio. Entendo tudo aquilo que você externou, mas pego uma carona naquilo que você disse para tentar corrigir algo que, você como professor, pode e deve lutar por mudar. Do ponto de vista da qualidade tudo depende de onde se localiza a sua medida. Muitas pessoas entendem que ter uma série de relatórios que atestem a qualidade de partes de um produto lhe garantem qualidade. Em parte isto é verdade. Empresas como Holcim, Votorantim, Camargo Corrêa e algumas outras que poderia elencar têm comprovada qualidade de processos e procedimentos. Entretanto, no Brasil, a engenharia ainda está à mercê da política e há - inegavelmente - um grnade viés político nas obras públicas, nas particulares - concordo com você - o pior é a nossa cultura da "Lei de Gérson". De tudo há uma grande esperança. Se você e eu pensamos de forma contrária, é bem provável que existam outros, e creio existirem muitos outros. Mas como no mundo das drogas, tudo depende do ponto do observador! Vamos ficar nos apoiando no discurso de que "o mercado é assim", então não mudaremos nada! Temos que incutir na cabeça das pessoas que qualidade está associada a planejamento, controle, e - por que não - honestidade. Tá certo! Falta para muita gente, mas não posso recomendar uma farmácia que venda isto! Tampouco sou qualificado para ministrar, sequer doses homeopáticas de qualquer remédio. Temos que tratar a sociedade. Temos que formar e informar, e punir - com severidade - aqueles que não seguem os ensinamentos, afinal a boa educação era conseguida com estas correções de trajetória. Quanto à sua indignação com o mercado, volto a dizer que o problema está em nós. Quantos sabem especificar um traço de concreto? Aditivos? Apesar de ser coisa moderna não está ao alcance de todos e as empresas de química não fazem nenhum esforço para popularizar este conhecimento. Imagina se falarmos de GRFC, SRFC, auto adensáveis e outros que tem infinitas aplicações. Também, devemos considerar os efeitos de divulgar tecnologias de ponta para aplicação em qualquer canteiro, afinal não aprendemos nem a tirar a escora de uma laje em balanço! Mais fácil, para o bem geral, foi passar a armá-las igualmente nas duas posições, ou seja: só dobramos o consumo de ferro! Será que isto pesa no custo? Forte abraço.

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