T Ó P I C O : CAFÉ: Atenção ao calendário fenológico das lavouras - Por Prof. Donizeti
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CAFÉ: Atenção ao calendário fenológico das lavouras - Por Prof. Donizeti
Autor: Leonardo Assad Aoun
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Último comentário neste tópico em: 05/02/2025 21:44:02
Leonardo Assad Aoun comentou em: 05/02/2025 12:41
Atenção ao calendário fenológico das lavouras: Estratégias para uma boa safra - Por Prof. José Donizeti Alves
Atenção ao calendário fenológico das lavouras: Estratégias para uma boa safra
Prof. José Donizeti Alves
Já estamos em fevereiro de 2025. De modo geral, as lavouras apresentam-se revigoradas, verdes e sadias, sem sintomas de deficiência mineral e em plena atividade fisiológica. A cada 20-25 dias, um novo par de folhas é lançado. Nesse cenário, embora não sejam visíveis, as raízes estão crescendo ativamente. Como resultado dessa interação entre parte aérea e raiz, ambos os sistemas estão se beneficiando.
Esse excelente desenvolvimento vegetativo, caso não enfrentemos dificuldades climáticas até meados do outono, será capaz de suprir as demandas de energia pelos frutos, bem como as do crescimento vegetativo. Essa é uma excelente notícia, pois a safra futura depende do lançamento de nós que está acontecendo neste ano, com uma média de 4-5 sacas por nó. Portanto, como uma das principais estratégias para a manutenção da safra de 2025 e uma boa safra em de 2026, precisamos continuar estimulando o lançamento de nós, rosetas e folhas. E o mais importante, garantir que essas folhas que estão sendo lançadas, atinjam rapidamente a fase adulta e passem da condição de dreno para fonte, gerando assim energia extra para suprir toda a planta.
Quem visita o campo hoje não reconheceria o estado depauperado das lavouras em meados de outubro, resultado de um longo período de seca e calor sem precedentes.
Essas duas condições afetaram profundamente a safra de 2024 e prejudicaram irreversivelmente o início da safra de 2025. Explico: a safra do ano passado foi comprometida pela queda no crescimento e peso dos grãos, e a deste ano pelo baixo vingamento das floradas.
Para aqueles que têm alguma dúvida quanto ao tamanho da safra deste ano, basta contar o número de frutos nas rosetas. Mas atenção, não vale apenas observar o terço médio das plantas, pois essa porção é a mais produtiva e pode trazer algum alento. No entanto, o terço superior, por ser mais exposto ao clima adverso, e o terço inferior, por ser mais sombreado e concorrer fortemente com o sistema radicular, mostrarão uma série de rosetas banguelas ou com um pequeno número de frutos, o que certamente reduzirá a média geral de sua lavoura. Longe de mim ser portador de más notícias, mas a queda na produção pode ser ainda maior caso o final do verão e o início do outono apresentem altas temperaturas. Nesse caso, pode haver uma repetição do que prejudicou a safra passada: queda no rendimento e na renda do café.
Para evitar um mal maior nas próximas duas safras, devemos deixar de lado o calendário físico e prestar atenção ao calendário fenológico da lavoura. Se seguirmos o calendário físico, a última adubação ocorreu no Natal e a próxima será daqui a um mês, no carnaval. Nesse cenário, é provável que a lavoura enfraqueça, desfolhe, os frutos caiam e os que permanecerem na planta apresentem grãos pequenos e leves. Já vimos esse filme antes e o final não é nada bom.
Por outro lado, ao focarmos no calendário fenológico, constatamos que a lavoura está vigorosa, os ramos estão lançando nós e folhas, e os frutos estão firmemente ligados à planta, crescendo e granando. A análise dessas fases revela que a oferta de carboidratos (pela quantidade de folhas maduras) e a demanda (pelo número de folhas jovens e volume de frutos) estão equilibradas e devem permanecer assim até a maturação dos frutos. Portanto, qualquer descuido no manejo da lavoura pode quebrar esse tênue equilíbrio e comprometer a produção.
Venho insistindo que o vigor da copa do cafeeiro é diretamente proporcional ao volume e à profundidade das raízes. Portanto, estimular o crescimento radicular é fundamental para manter o equilíbrio entre a parte aérea e as raízes. Raízes profundas são drenos de energia muito fortes e, como tal, exigem uma fonte igualmente forte de energia. É uma via de mão dupla: tudo o que fizer por uma parte beneficiará a outra. Portanto, mãos à obra. Quando for ao campo, observe sua lavoura com olhos críticos e tente descobrir, ou melhor ainda, antecipar suas necessidades fisiológicas. As duas próximas safras agradecerão.
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