T Ó P I C O : Pesquisas com IA melhoram produtividade e sabor do café mineiro
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Pesquisas com IA melhoram produtividade e sabor do café mineiro
Autor: Leonardo Assad Aoun
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Leonardo Assad Aoun comentou em: 05/04/2025 19:19
Pesquisas com IA melhoram produtividade e sabor do café mineiro
Pesquisas sobre o café vêm ganhando aliados como a Inteligência Artificial e a Internet das Coisas
Por Giulia Di Napoli/Rádio Itatiaia
A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG) da área de Ciências Agrárias realiza diversas pesquisas para o aprimoramento da agropecuária mineira e, principalmente, do café. Entre os trabalhos desenvolvidos, se destacam as ações realizadas pelo grupo de pesquisa “Da semente à xícara”.
Coordenado pelo professor e pesquisador Matheus Gomes, do Instituto de Biotecnologia da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), junto dos docentes Pedro Bertarini, Líbia Santos e Laurence Amaral, também da instituição, o projeto visa aprimorar os grãos e a bebida tanto para os produtores, quanto para os consumidores de café.
Um dos carros-chefes do projeto é a aplicação da Inteligência Artificial e da Internet das Coisas para otimizar a produção e o sabor dos cafés especiais. “Nosso objetivo é inspirar e democratizar o uso de tecnologias nos cafés especiais e, consequentemente, o seu consumo pela população. O projeto tem algumas ações que são disruptivas para o mercado, o que nos permite entregar ao produtor o melhor processo para que ele consiga encontrar o melhor perfil daquele café”, explica Gomes.
O grupo é composto por professores, técnicos, pesquisadores e estudantes de diversas áreas, dentre elas: Biotecnologia, Engenharia de Alimentos, Ciência da Computação e Engenharia Eletrônica e Telecomunicações.
Da semente à xícara
O nome do grupo de pesquisa não é em vão: os trabalhos desenvolvidos começam no campo e chegam até os consumidores. “Na semente, nós pesquisamos as questões da microbiota, o terroir presente na propriedade, entre outras questões. A partir deste conhecimento, aplicando outros processos pós-colheita bem direcionados, nós conseguimos entregar um café de qualidade na xícara do consumidor”, conta a pesquisadora Líbia Santos.
Por parte da análise de dados pré e pós-colheita, Matheus Gomes representa um pilar essencial para a entrega de soluções tecnológicas para a tomada de decisão dos produtores. Ele conta que, antes de iniciar o projeto, já trabalhava com genômica e transcriptômica, áreas que analisam o material genético dos seres vivos, mas que são dados intangíveis para os produtores.
“A partir de 2019, começamos a juntar essas expertises com análises pós-colheita, Inteligência Artificial, Internet das Coisas, Biologia Molecular e Biotecnologia, e fomos para dentro das fazendas entender quais eram as dores dos produtores e como podíamos ajudar com ciência”, conta Gomes. “Uma grande parte dos produtores quer saber como podem melhorar a qualidade e a produtividade do café, então já temos alguns roteiros iniciais, até publicados com o apoio da FAPEMIG, para mostrar ao parceiro qual é o potencial do seu café”, completa.
Em outra ponta, a professora Líbia Santos entrega trabalhos relacionados a apuração do sabor da bebida por meio da fermentação. “O fruto colhido é doce e tem uma mucilagem rica em carboidratos e proteínas. Se colocarmos esse fruto em um processo de fermentação, seja uma fermentação autoinduzida ou com as condições de processo bem controladas, o café adquire sabores e aromas surpreendentes que chegam à xícara por meio do café especial, que é mais valorizado no mercado”, explica.
Parceiros e apoiadores da ciência
Para os testes relacionados à fermentação, o grupo de pesquisa teve como aliado o cafeicultor Daniel Bruxel, representante dos cafés especiais da Casa Bruxel. “Nossa parceria com a UFU começou a partir da necessidade de aperfeiçoarmos uma técnica para a produção de café com maior qualidade. Naquela época [2019], já se falava muito sobre fermentação de café, mas não havia um protocolo para se fazer aquilo de maneira correta. Então em conversa com a UFU surgiu a ideia de fazermos alguns protocolos junto com pesquisas para se determinar as melhores maneiras de fazer esse procedimento”, conta.
Hoje, o grupo “Da semente à xícara” possui uma sistemática consistente para atender os produtores do Cerrado Mineiro desenvolvendo soluções tecnológicas para otimizar a produção de café especial. Atualmente, o projeto atende cerca de 10 cafeicultores, auxiliando-os na adoção de novas tecnologias para aperfeiçoar a qualidade do café. São cerca de 50 colaboradores que utilizam ferramentas inovadoras para entregar aos produtores eficiência e previsibilidade.
No caminho da inovação
A utilização de técnicas disruptivas alavancaram os trabalhos do grupo possibilitando a criação de dois produtos de sucesso: o Villa Café, um evento de consultoria sobre cafés especiais para democratização do conhecimento, e o Café Porandu, café especial criado em parceria com os produtores da região para a aplicação das pesquisas.
O projeto também abriu espaço para a participação de jovens doutores, por meio de editais da FAPEMIG, para trabalharem com tecnologias aplicadas à produção de café. A FAPEMIG foi responsável, ainda, pelo aporte de R$450 mil aos trabalhos do grupo “Da semente à xícara”. “O apoio da FAPEMIG é fundamental para que possamos continuar expandindo nossas atividades e beneficiando mais produtores”, reforça Matheus Gomes.
O Café Porandu tem se destacado em eventos nacionais e internacionais, conectando cafeicultores a mercados especializados e ampliando o reconhecimento do café do Cerrado Mineiro no cenário global. “O nosso produto tenta tangibilizar para a sociedade o que representa o nosso projeto, ou seja, como fazemos para que esse produto de qualidade possa chegar a toda a comunidade civil. Ele tem uma parceria grande com os produtores que nos doam parte da pesquisa que fazemos nas fazendas”, explica Gomes.
O apoio da FAPEMIG permitiu, ainda, que o projeto alcançasse grandes voos, como foi o caso da participação do projeto no evento Web Summit Lisboa a convite do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O Café Porandu foi o único especial representando o Brasil em um evento que contou com mais de 70 mil pessoas. “Porandu significa ‘pesquisar’ em tupi-guarani, e essa é a essência do nosso trabalho: transformar conhecimento científico em melhorias concretas para os produtores”, destaca o professor.
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