T Ó P I C O : Microrregiões produtoras transformam o café especial brasileiro em produto com identidade única
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Microrregiões produtoras transformam o café especial brasileiro em produto com identidade única
Autor: Leonardo Assad Aoun
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Último comentário neste tópico em: 07/07/2025 07:11:47
Leonardo Assad Aoun comentou em: 07/07/2025 06:44
Microrregiões produtoras transformam o café especial brasileiro em produto com identidade única
Com influência direta na qualidade da bebida, microrregiões ganham destaque e ajudam a posicionar o café brasileiro no mercado
Por Luana da Fonte
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Fonte: Fi
Cada vez mais valorizados no mercado nacional e internacional, os cafés especiais brasileiros estão se tornando protagonistas com o fortalecimento das microrregiões produtoras. Muito além da geografia, essas áreas têm identidade própria, influenciada por clima, solo, tradição e cultura local, e esses fatores impactam diretamente na qualidade da bebida.
Segundo Juliano Tarabal, diretor executivo da Federação dos Cafeicultores do Cerrado, a definição de uma região produtora parte da delimitação geográfica, mas não se resume a ela. “Envolve também o saber fazer do produtor, que é o conjunto de processos, tecnologia ou mesmo a tradição aplicada aos meios de produção e também o ambiente, onde estão os fatores climáticos, regime de chuva, temperatura, solo, relevo, o que chamamos também de fatores edafloclimaticos. E, este conjunto de fatores é o que forma o terroir”, explica.
Esse terroir, ou seja, o ambiente completo de produção, é o que dá personalidade ao café, já que solo interfere diretamente no sabor. O diretor explica que “cada tipo de solo carrega consigo uma composição de argilas, que são formadas por diferentes elementos minerais e orgânicos, além da diferenciação física do solo. Estes minerais são os nutrientes do solo que alimentam as plantas”.
Tarabal fala também sobre o clima, esse que exerce uma influência de acordo com a altitude, a temperatura média anual, índice de insolação e amplitude térmica, ele completa dizendo que “a planta e os frutos, por meio de sua fisiologia, absorvem e sofrem o impacto de cada um destes elementos de uma forma diferente, inclusive em nível de variedades”.
Para exemplificar, o diretor cita a variedade gueisha, conhecida mundialmente. “Não adianta muito você colocar uma variedade gueisha por exemplo em uma altitude muito baixa ou região muito quente e esperar que ela terá uma qualidade como no Panamá, isso é fisiologicamente impossível”, afirma. Outro caso, segundo ele, são os cafés do Cerrado Mineiro, que se destacam pela consistência da qualidade devido às estações climáticas bem definidas.
A valorização das micro regiões faz parte de um movimento mais amplo, que o diretor executivo chama de “vinificação do café”. “Estamos passando por uma revolução liderada pelas regiões. O consumidor quer saber de onde veio o alimento que consome, e isso não acontece só com o café. Contudo no café este conceito se encaixa como uma luva, exatamente por ser bastante possível a diferenciação e caracterização do produto por meio da origem, e aqui não estamos falando apenas em bebida, mas em cultura, em tradição, em história", destaca.
Assim, cada microrregião pode oferecer um perfil sensorial próprio, notas, aromas e sabores que refletem as condições únicas daquele local. No entanto, Tarabal pondera que esse entendimento ainda está em construção, “Neste quesito o vinho está a anos luz à nossa frente, porque a produção de vinho tem o entendimento do terroir como uma cultura, no café ainda não. Não basta apenas delimitar a Região e obter um registro, é importante conhecer a fundo as interações do terroir e de certa forma ‘domar’ este terroir, ou saber extrair o que ele tem de melhor, adequando tecnologias, processos, cultivares, etc”, diz.
Para reforçar essa identidade regional, o Brasil conta com o sistema de Indicação Geográfica, registro concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial. No caso do café, há duas categorias: Indicação de Procedência, que reconhece a notoriedade de uma região produtora, e Denominação de Origem, que diz que o produto tem características únicas obtidas apenas naquele território.
Tarabal afirma que “a Indicação Geográfica reforça a identidade da região, posiciona ela no mapa, destaca suas características, gera valor cultural, pertencimento dos produtores, estimula a organização em uma estrutura de governança, forma uma ideia de cultura coletiva, são vários os fatores que reforçam esta identidade.”.
O especialista acredita que o consumidor brasileiro já começa a perceber as diferenças entre os cafés de diferentes micro regiões, especialmente nos segmentos mais premium. “O consumidor já busca pela origem e começa a diferenciar. Contudo esta revolução precisa passar ainda por um processo de educação, para que o conceito, a categoria seja disseminada, de forma didática, como muito storytelling, gerando um conteúdo informacional que eleva a experiência”, conclui.
Supervisionado por Virgínia Alves./Rede Globp
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