T Ó P I C O : A FALÁCIA SOBRE O AUMENTO NO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO x QUEDA NO CONSUMO! - POR MARCELO FRAGA MOREIRA
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A FALÁCIA SOBRE O AUMENTO NO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO x QUEDA NO CONSUMO! - POR MARCELO FRAGA MOREIRA
Autor: Leonardo Assad Aoun
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Último comentário neste tópico em: 21/07/2025 18:53:52
Leonardo Assad Aoun comentou em: 21/07/2025 19:15
A FALÁCIA SOBRE O AUMENTO NO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO x QUEDA NO CONSUMO! - POR MARCELO FRAGA MOREIRA
A FALÁCIA SOBRE O AUMENTO NO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO x QUEDA NO CONSUMO!
O vencimento set-25 encerrou a semana @ 303,60 centavos de dólar por libra-peso com uma alta de 1.710 pontos. O mercado tentou por 3 vezes romper os 310,00 centavos de dólar por libra-peso - porém essa resistência, por enquanto, provou ser uma resistência importante (fechamento anterior / mínima / máxima / nova mínima / fechamento atual respectivamente @ 286,50 / 286,85 / 310,50 / 299,85 / 303,60 centavos de dólar por libra-peso). O volume diário iniciou a semana firme, acima dos 30.000 lotes/dia e no último pregão da semana o volume caiu para aproximadamente 22.000 lotes.
Mesmo com toda a briga política-ideológica-“econômica” entre o Brasil e os Estados Unidos o R$ encerrou a semana praticamente “estável” @ 5,57 R$/US$.
No mercado interno o café arábica tipo 6 voltou a negociar acima dos 2.000 R$/saca (em algumas praças) e o café robusta momentaneamente acima dos 1.050 R$/saca – atenção nesse spread que em algum momento irá fechar!
Os próximos vencimentos set-25 e nov-25 em Londres encerraram a semana praticamente iguais (@ 3.348 US$/tonelada e 3.322 US$/tonelada) equivalente a praticamente 200.00 US$/saca (x 5.60 R$/US$ = 1.120 R$/saca).
Considerando que o mercado interno continua CONSEGUINDO comprar café robusta com um diferencial negativo entre -300/-500 US$/tonelada (entre -18 a -30 US$/saca), então o mercado interno encerrou a semana ainda brigando para sustentar o patamar dos 1.000 R$/saca.
Novamente, enquanto o produtor do café robusta não começar a valorizar o seu produto e a precifica-lo >= ao café arábica tipo “rio” (encerrou a semana ao redor dos 1.300 R$/saca) então, por que o consumidor brasileiro e/ou as tradings irão pagar “mais caro” pelo seu produto?
O spread entre o café arábica tipo 6 x o café robusta chegou a negociar com 100% de ágio e o café arábica tipo “rio” x o café robusta com um ágio de +30%!
Segundo alguns analistas o café robusta brasileiro chegou a ser negociado com um desconto de 200 US$/tonelada mais barato que o café origem do Vietnam (aproximadamente 65 r$/saca de desconto).
Então, como exposto em comentários anteriores, por enquanto a indústria local irá continuar comprando café robusta “barato” e alterando os seus blends maximizando ao máximo o uso do café robusta.
Segundo a Cecafé, na safra brasileira julho-24/junho-25 o Brasil exportou 45,59 milhões de sacas com a seguinte composição (em milhões de sacas):
34,81 café arábica; 6,57 café robusta; 4,15 café solúvel, 0,51 café torrado.
Os principais destinos foram:
USA: 7,47
Alemanha: 6,53
Itália: 3,55
Bélgica: 3,09
Japão: 2,29
Para a safra atual 25/26 a expectativa, por enquanto, é para o Brasil poder exportar entre 34,00 até 41,50 milhões de sacas (considerando uma produção Brasil total entre 55-62,50 milhões de sacas e um consumo interno em 21,50 milhões de sacas).
Percebe-se que o Brasil deverá reduzir sua exportação durante os próximos 12 meses entre base “melhor cenário” -8,75% e base “pior cenário” -25%.
Mesmo com ligeiro aumento na safra do Vietnam (estimada pelo USDA* em 31,00 milhões de sacas) o quadro “produção mundial x consumo total” ainda vai continuar muito justo até a entrada da próxima safra “potencial recorde” brasileira 26/27 já aguardada pelo mercado acima dos 75/80 milhões de sacas.
Então, se a safra 25/26 no café arábica realmente vier a quebrar acima dos 20% resultando em uma produção total do café arábica ao redor dos 30-33,00 milhões de sacas – resultando em uma safra total entre café tipo arábica e café robusta <= 55 milhões de sacas – então, poderemos ver NY novamente acima dos 400 centavos de dólar por libra-peso.
Muitos produtores e alguns analistas/consultores/agrônomos continuam afirmando e confirmando quebras enormes nas suas lavouras/regiões de atuação. Muitos ainda apostam que a produção total brasileira no café arábica deverá ficar apenas entre 20-25 milhões de sacas! Será?
O produtor brasileiro está muito bem capitalizado e sem pressa para vender sua produção. Existe agora o momento da “pressão da safra” em que o produtor realmente necessita vender, originar caixa, para honrar seus compromissos de curto prazo. Porém, muitos já estão dispostos a “sentar em cima” do seu estoque e “pagar para ver”!
O grande X da semana e para os próximos 15-20 dias (ou quem sabe mesmo para os próximos 6-12 meses) continua sendo o “tarifaço do Trump” aumentando o imposto de importação dos produtos brasileiros em +50% a partir do próximo dia 01 de agosto. Ainda tem muita coisa para acontecer nos próximos dias pois a crise política entre o Brasil e Estados Unidos pioraram ainda mais na sexta-feira quando, no final do dia, o governo americano cancelou o visto americano para ministros do supremo tribunal federal (inclusive com novas ameaças podendo o imposto subir para até mesmo 100% ou mais).
Considerando que os impostos serão mantidos nos 50% e considerando que o imposto de importação dos outros principais países produtores/exportadores de café para os Estados Unidos ficará na média em 30%, então, mesmo assim, é possível determinar que esse aumento tarifário terá pouco reflexo nos preços pagos pelo consumidor americano.
E que “sim”, o Brasil continuará sendo o principal fornecedor do café brasileiro para os Estados Unidos.
A análise foi realizada com base nas seguintes premissas:
- Durante os últimos 18 meses o preço do café na bolsa de NY saiu dos 180 centavos de dólar por libra-peso e chegou a negociar @ 438 centavos de dólar por libra-peso – uma alta de 143%. Então, para efeito da análise o preço médio das compras dos Estados Unidos ficou em 415 centavos de dólar por libra-peso base “fob”;
- Mesmo durante essa alta o mercado americano continuou importando e consumindo café;
- Nesse período o imposto de importação para o café, de qualquer origem, não existia = zero;
- A partir de agosto-25 o imposto de importação será de 50% para origem Brasil e na média 30% para outras origens;
- O imposto de importação será cobrado base o valor “custo + frete” porto americano;
- O diferencial de compra x venda entre a trading/cooperativa para a trading/torrefadora/indústria no destino é, na média “flat” (zero);
- Na simulação todo o café importado pelos Estados Unidos é base o café arábica precificado com base em NY (importando mais café robusta, com o deságio atual, então os resultados obviamente serão ainda melhores para o importador/distribuidor);
- Os preços em NY já recuaram aproximadamente 33% nos últimos 12 meses e deverão continuar negociando, na média ao redor dos 270 centavos de dólar durante os próximos 12 meses (com base na curva apresentada pelo fechamento do mercado na última sexta-feira);
- As industrias/redes de café não irão reduzir na ponta do consumidor o preço dos seus “cafés” em -20/-30% já repassando a queda dos preços para o consumidor final (o que, normalmente, nunca fazem) para poder novamente aumentar em muito as margens/lucros nas suas operações.
Então, temos os seguintes cenários:
- Cenário 1 x Cenário 2: quando NY negociou na média dos últimos 12 meses ao redor dos 415 centavos de dólar por libra-peso o custo da saca do café para o importador/distribuidor americano chegou a custar +558 US$/saca – aproximadamente +26,40% acima do custo estimado “hoje” sem os novos impostos de importação;
O cenário (2) considera os Estados Unidos cobrando o aumento inicial do imposto da origem “Brasil” em 10% e “outras” origens em 25% (antes do tarifaço da semana passada);
Então, no cenário atual dos preços, o preço para o produtor estaria em 441,76 US$/saca
- Cenário 1 x Cenário 3: mesmo com o imposto de importação aumentando para 50% do Brasil e 30% na média para “outras origens” os preços hoje – considerando na média para os próximos 12 meses em 270 centavos de dólar por libra-peso em NY – será ao redor dos 498 US$/saca e ainda assim -10,70% abaixo do preço praticado no pico do mercado base “cenário 1”;
- Cenário 1 x Cenário 4: mantendo o imposto de importação em 50% para Brasil e 30% para “outras origens” e considerando que os preços em NY voltem a subir para os 350 centavos de dólar por libra-peso – mesmo assim o aumento final para o distribuidor fina aumentará para 642 US$/saca (aumento estimado em 15% para o importador/distribuidor e facilmente podendo ser absorvido pelas grandes industrias / redes de varejo);
- Cenário 1 x Cenário 5: mesmo aumentando o imposto brasileiro para 100% e mantendo o imposto “outras origens” em 30% - PORÉM considerando o mercado atual na média para os próximos 12 meses nos 270 centavos de dólar por libra-peso - mesmo assim, o custo ao importador final/distribuidor ainda é 5 US$/saca mais barato/competitivo que o cenário 1!
- Cenário 1 x Cenário 6: apenas nesse cenário, mantendo NY acima dos 350 c/lb e o imposto de importação origem Brasil em 100% e “outras origens” em 30%, aí poderemos ver uma certa dificuldade em novo aumento no preço final ao consumidor final e uma eventual queda no consumo interno americano – pois o custo da saca do café chegaria a custar 713 US$/saca (aumento de 27,7% base Cenário 1);
Conclusão: O impacto do aumento das tarifas para o consumidor final americano só será sentido se a tarifa brasileira for mantida acima dos 50% e se NY voltar a superar os 350 centavos de dólar por libra-peso.
No cenário atual do mercado (considerando 50% imposto origem Brasil e 30% imposto para “outras origens”) então, o “break-even” para a saca do café voltar a atingir os 558 US$/saca representa NY @ 310 centavos de dólar por libra-peso (na média para os próximos 12 meses);
O consumidor americano já absorveu o aumento nos preços no seu café consumido diariamente.
As indústrias/torrefadores/cafeterias só deverão ter problemas e eventual dificuldade para repassar novos aumentos se o seu custo médio da saca do café ultrapassar os 600 US$/saca. Caso contrário, por enquanto, na realidade, as notícias / as retóricas sobre “os Estados Unidos deixarão de comprar café do Brasil” não se sustentam. Os Estados Unidos continuarão comprando café brasileiro.
O grande X da questão está sendo, por parte do importador, apenas “arrumar desculpas” e procurar voltar a obter as excepcionais margens de lucros anteriores.
Produtor: Proteja-se!
O mercado ainda está muito volátil; ainda tem muita “água para passar por baixo da ponte”; o inverno ainda não acabou; a próxima florada poderá ser excepcional; a safra do café robusta foi grande e a do Vietnam começará a ser colhida já em novembro próximo.

Boa semana a todos!
Marcelo Fraga Moreira*
PS: Você produtor (arábica e/ou robusta), caso queira saber mais sobre nossa consultoria para as operações de hedge, entre em contato conosco através dos emails:
priscilla@archerconsulting.com.br ou
mmoreira66@yahoo.com
** “Call” = opção de Compra
** “Put” = opção de Venda
** “Compra Call-Spread” = compra e venda simultânea de 2 Opções de Compra comprando a Opção com preço de exercício mais baixo vendendo a Opção com preço de exercício mais alto);
** “Venda Call-Spread” = venda e compra simultânea 2 Opções de Compra vendendo a Opção com preço de exercício mais baixo e comprando a Opção com preço de exercício mais alto);
** “Compra Put-Spread” = compra e venda simultânea 2 Opções de Venda comprando a Opção com preço de exercício mais alto e vendendo a Opção com preço de exercício mais baixo);
** “Venda Put-Spread” = venda e compra simultânea 2 Opções de Venda vendendo a Opção com preço de exercício mais alto e comprando a Opção com preço de exercício mais baixo);
** “CFTC” = Commodity Futures Trading Commission – agência independente do governo dos Estados Unidos que regula os mercados de futuros e opções das commodities;
** “IBGE” = Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
** “Cecafé” = Conselho dos Exportadores de Café do Brasil
** “SECEX” = Secretaria comércio exterior
** “CNC” = Conselho Nacional do Café
** “USDA” = Departamento da Agricultura dos Estados Unidos
** “FNC” = Federação Nacional dos Cafeicultores da Colômbia
** “FAS” = Serviço Agrícola Estrangeiro do USDA*
** “OIC” = Organização Internacional do Café
** “GCA” = Green Coffee Association
** “ABIC” = Associação Brasileira da Indústria de Café
** “Sincal” = Associação dos Produtores do Brasil
** “NDF” = (Non-Deliverable Forward), um contrato a termo de moeda com liquidação financeira, com vencimento para aquele mês
** “Pib” = Produto Interno Bruto
** “FED” = Banco Central Americano
** “NOAA” = Departamento Nacional da Atmosfera e Oceanos dos Estados Unidos
** “EUROSTAT” = Serviço de Estatística da União Europeia responsável pela publicação de estatísticas e indicadores de elevada qualidade a nível europeu que permite a comparação entre países e regiões
** “OPEP” = A Organização dos Países Exportadores de Petróleo
** “FOMO” = É caracterizada pela necessidade constante que uma pessoa tem de saber o que outras estão fazendo. FOMO, sigla que vem da expressão em inglês “fear of missing out”, que traduzida para o português significa “medo de ficar de fora”.
o investidor fica com receio em perder uma oportunidade no mercado e sai “comprando ou vendendo” para não ficar de fora da “oportunidade” divulgada na mídia (FOMO = Free of missing out A Organização dos Países Exportadores de Petróleo
** “COOXUPÉ” = Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé
** “Coccamig” = Cooperativa Central de Cafeicultores e Agropecuaristas de Minas Gerais
** “PIB” = Produto interno Bruto de um país
** “COPOM” = Comitê de Política Monetária, é um órgão do Banco Central. Ele foi criado em 1996 com o objetivo de traçar e acompanhar a política monetária do país. Esse é o órgão responsável pelo estabelecimento de diretrizes a respeito da taxa de juros
** “BASIS” = O basis é a disparidade de preço causada pela diferença geográfica entre os pontos de entrega da commodity. Ele é calculado subtraindo o valor da commodity no mercado físico em determinada praça, pelo preço do mesmo produto no mercado futuro.
** “Bandas de bollinger” = do inglês bollinger bands, é um indicador de volatilidade bastante utilizado para prever se um ativo está sobre-comprado, estável ou sobre-vendido. Ele é formado por duas médias móveis, uma superior e outra inferior que indicam tal informação. São alguns atributos desse indicador:
Antever os níveis de preço de um ativo
Antecipar topos e fundos de preço no gráfico
Mostrar a intensidade de valorização ou desvalorização de um ativo
Portanto, este indicador tenta mostrar se uma ação está barata ou cara, em um determinado período de tempo.
Desse modo, ele é indicado para operações de curto prazo, day trade ou swing trade.
O autor da técnica é o americano John Bollinger (nascido em 1950), analista financeiro e colaborador da área de análise técnica. John lançou o seu livro Bollinger on Bollinger Bands em 2001, mas essa técnica começou a ser desenvolvida por ele ainda na década de 1980. As bandas são derivadas das médias móveis e mostram que, independente de qualquer movimento que o preço faça, ele tende a voltar a um equilíbrio. Portanto, temos aí um “estreitamento das bandas” no gráfico de candlestick.
** “PMI” = A sigla PMI significa, em inglês, Purchasing Manager’s Index e é um indicador que mede a atividade econômica de um país a partir de pesquisas mensais realizadas por uma empresa privada.
Assim, o PMI também é conhecido como Índice de Gerentes de Compra e seu principal objetivo é fornecer informações sobre a temperatura de alguns setores da economia e orientar os diversos profissionais do mercado.
** Vicofa: Associação do Café e Cacau do Vietnam
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