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T Ó P I C O : Recapacitação induzida pelo senhor da guerra - Por Celso Vegro

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Recapacitação induzida pelo senhor da guerra - Por Celso Vegro


Autor: Leonardo Assad Aoun

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Último comentário neste tópico em: 07/08/2025 17:34:46


Leonardo Assad Aoun comentou em: 07/08/2025 12:27

 

Recapacitação induzida pelo senhor da guerra - Por Celso Vegro

 

Diversos agentes econômicos que atuam no agronegócio café, cada qual com seus desafios e interesses, pautam posicionamentos e estratégias, segundo expectativas de fortalecimento de sua inserção no sistema produtivo. Na atual conjuntura, particularmente as empresas traders e exportadoras, são segmentos que foram diretamente impactados pela escalada tarifária imposta pelo mandatário estadunidense, exigindo delas novos modos de atuação para manutenção de seus negócios.

Durante décadas (de meados da década de 60 até 1989), o comércio exportador brasileiro foi estruturado pela disputa por cotas, administrativamente distribuídas entre os participantes do negócio a partir de acordo entre os países exportadores associados a Organização Internacional do Café. 

No passado, portanto, essa modalidade de atuação não trazia maiores desafios aos exportadores que, estando cientes das quantidades a serem embarcadas sob sua alçada, atuavam como simples despachantes dos lotes comercializados. Essa foi a escola que formou a maior parte de nossos exportadores ainda hoje atuantes no mercado.

Com o fim das cláusulas econômicas do Acordo Internacional do Café, houve alguma evolução na atuação dos exportadores. Todavia, ela não se configurou como uma busca por posicionamentos estratégicos e abertura de mercados, mas apenas enfatizando sua natureza comercial que tem por assinatura o comprar barato para vender caro. 

Em parte, a postura predominante de ser comprado pelo importador, ainda, forma o ambiente do comércio exportador de café brasileiro. Ao longo das décadas, tal acomodação tem sido fortalecida pelos méritos intrínsecos do agronegócio Cafés do Brasil: maior produtor e exportador mundial e segundo maior consumidor global da bebida. Juntos são valores que reforçam o famigerado verso do Hino Brasileiro: “deitado eternamente em berço esplêndido”.

Ingressamos em 2025, quando surge o senhor da guerra no comando do império estadunidense. Sim, impor tarifas unilateralmente às demais nações e blocos econômicos é produzir conflito, ou seja, guerra comercial. Sempre há a possibilidade de retaliação do parceiro taxado, produzindo uma escalada sem fim das hostilidades. Assistimos, recentemente, essa situação entre os governos dos EUA e da China em que a cada anúncio de incremento das tarifas, seguia-se como resposta um aumento similar da contraparte afetada. 

Inicialmente, ao impor 10% de taxação sobre as mercadorias originárias do Brasil, imaginou-se que o comércio exportador do país seria pouco afetado. A balança comercial favorável aos EUA nas transações com o Brasil compunha o arsenal de argumentos que aparentemente protegeram o país da taxação voraz aplicada sobre grande parte do mundo. Entretanto, logo após a realização da reunião dos BRICS, no Rio de Janeiro, impôs-se outros 40% de taxa cumulativas aos 10% anteriormente anunciadas, totalizando, portanto 50% de tarifa.

Evidentemente que tal patamar tarifário sobre o café brasileiro destinado ao mercado estadunidense retira competitividade do produto. Os importadores lá situados terão que buscar suprimento em outros países produtores em detrimento das habituais aquisições de café brasileiro. Há grande possibilidade de empoçamento local de produto destinado as transações internacionais, decorrente da paralização dos negócios com os EUA. Dados indicam que até oito milhões de sacas estão sob essa pendência, aguardando, na melhor das hipóteses uma revisão desse nefasto pico tarifário. 

Todavia, aquilo que aparentemente penaliza as exportações brasileiras de café pode se configurar como um grande impulso para a requalificação das empresas exportadoras. Para a manutenção de horizonte do negócio exportador, os empresários precisarão abandonar a postura de serem comprados pelo cliente importador. Terão que diligentemente assumir papel ativo na busca e captura de novos clientes, precificando o produto segundo seus atributos de qualidade, reputação (confiabilidade na entrega), suprimento estável e preços competitivos.

Uma nova era para o comércio exportador brasileiro se inicia a partir do embargo estadunidense. Pró-atividade das empresas exportadoras na abertura de mercados para o café brasileiro será o novo aprendizado que o segmento obrigatoriamente terá que trilhar. Ironicamente, o senhor da guerra presta um serviço formidável para o desenvolvimento estratégico internacional comercial para o agronegócio Cafés do Brasil.  

Celso Luis Rodrigues Vegro

Eng. AGr, MS, Pesquisador Científico VI do IEA

celvegro@sp.gov.br

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