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T Ó P I C O : Safra aumenta oferta e faz preço do café baixar pela primeira vez em mais de um ano em Porto Alegre

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Safra aumenta oferta e faz preço do café baixar pela primeira vez em mais de um ano em Porto Alegre


Autor: Leonardo Assad Aoun

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Último comentário neste tópico em: 14/08/2025 15:59:04


Leonardo Assad Aoun comentou em: 14/08/2025 16:08

 

Safra aumenta oferta e faz preço do café baixar pela primeira vez em mais de um ano em Porto Alegre

 

Mesmo com recuo, valor da bebida segue alto no acumulado de 12 meses. Economista diz que é cedo para saber comportamento a longo prazo

Por Bruna Oliveira/GZH

Bruna Oliveira / Agencia RBS

Aposentado Paulo Romero reclama dos pacotes de 500 gramas vendidos a R$ 36.Bruna Oliveira / Agencia RBS

Depois de 13 meses em alta e do pico em janeiro deste ano, o preço do café registrou queda na inflação oficial de Porto Alegre, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA) medido pelo IBGE. Foi o primeiro recuo desde junho de 2024.

A deflação do item no mês de julho foi de 3,33% na capital gaúcha, uma queda mais expressiva do que a média nacional. No país, o recuo no preço do café moído foi de 1,1% no mês. Desde dezembro de 2023, o café não tinha queda na inflação oficial do país.

Mesmo com o recuo mensal, o valor da bebida segue alto no acumulado. Em um ano, a variação no preço é de 70,50% no país e de 83,71% na Capital.

Apesar da folga no índice, o efeito nas gôndolas ainda não aparece. Ou, pelo menos, ainda não anima os consumidores, que seguem achando o produto caro. O aposentado Paulo Romero, 65 anos, diz que a escalada no preço amargo das caixas é generalizada. As embalagens de 500 gramas chegam a custar valores próximos a R$ 40 nos supermercados da Capital. 

— Passou para R$ 28, foi a R$ 34 e agora já vejo a R$ 36 em tudo que é lugar — relata.

Economista e coordenador do Índice de Preços ao Consumidor do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), André Braz explica que o alívio no preço se deve à colheita da safra de 2025, que aumentou a oferta no mercado doméstico.

— Esse movimento foi suficiente para interromper um ciclo de alta que durava cerca de 18 meses (no país), período em que os preços acumulavam alta de quase 99% — diz Braz.

No geral, o IPCA registrou inflação de 0,23% em julho. A Grande Porto Alegre anotou a segunda maior variação de preço entre as regiões metropolitanas pesquisadas, em 0,41%.

E os próximos meses?

Para André Braz, é cedo para afirmar que a deflação no preço do café em julho representa um ciclo prolongado de baixa no valor do produto. Isso porque o movimento relacionado à maior oferta pós-colheita é uma dinâmica já esperada.

— Entretanto, considerando que a safra 2025/26 está sendo a maior, é possível que a tendência de queda tenha continuidade nos próximos meses — pondera.

As razões para isso podem incluir variações na concorrência local, como torrefações ou atacados com estoques maiores e repasses de preços mais rápidos; diferenças na dinâmica de oferta e demanda regional, possivelmente afetadas por clima ou logística; ou mesmo por estratégias de precificação, que podem variar conforme a região.

Ulisses Castro / Agencia RBS

Variação no preço em um ano é de 83,71% na capital gaúcha.Ulisses Castro / Agencia RBS

Já há reflexo das restrições de exportações aos EUA?

Na avaliação do economista, ainda não. André Braz lembra que o IPCA de julho coleta dados até o início de agosto, portanto, antes da entrada em vigor da tarifação imposta pelos Estados Unidos, iniciada no último dia 6. O aumento da oferta no mercado doméstico, portanto, se deve exclusivamente ao resultado da safra.

Mas já há reflexos nas exportações. Entre janeiro e julho, as vendas para os EUA recuaram 18%, ficando em 3,7 milhões de sacas. As indústrias norte-americanas têm solicitado adiamento de embarques, o que gerará prejuízo estimado em US$ 10 por saca em caso de atraso de setembro a dezembro, conforme o especialista.

Dinâmica global

As dinâmicas do mercado global de café devem sofrer alterações com o tarifaço de 50% dos Estados Unidos sobre os produtos brasileiros. O país norte-americano importa quase a totalidade do café que consome, e o Brasil é o seu principal fornecedor, com 34% da fatia — ou 8 milhões de sacas.

Na avaliação da consultoria Hedgepoint Global Markets, embora o café embarcado no Brasil antes de 6 de agosto deva entrar nos EUA sem pagar a tarifa se chegar até 6 de outubro, é improvável que novos negócios ocorram entre os dois países no curto prazo.

— Os preços devem permanecer voláteis nos próximos meses devido às incertezas em relação aos impactos de médio e longo prazo na cadeia global de fornecimento de café — disse a analista de inteligência de mercado da Hedgepoint Global Markets, Laleska Moda, em comunicado.

O Brasil representa 40% de toda a oferta mundial de café. A redução nos embarques aos EUA pode aumentar significativamente a oferta do grão no mercado nacional.

 

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