T Ó P I C O : Quais São as Empresas Que Comandam o Comércio Global de Café
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Quais São as Empresas Que Comandam o Comércio Global de Café
Autor: Leonardo Assad Aoun
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Último comentário neste tópico em: 26/08/2025 16:05:30
Leonardo Assad Aoun comentou em: 26/08/2025 11:47
Quais São as Empresas Que Comandam o Comércio Global de Café
Movimento da Keurig Dr Pepper mostra como as companhias correm por um mercado estimado de US$ 174 bi até 2030, entre elas a Nestlé, Starbucks, J.M. Smucker e Luckin Coffee
David Murphy_Getty
Mercado global de café é disputado por gente grande
A norte-americana Keurig Dr Pepper, ou KDP, vem causando um rebuliço no mercado global de café ao anunciar a compra da empresa holandesa de JDE Peet’s, por 15,7 bilhões de euros (US$ 18 bilhões ou R$ 99 bilhões), considerada a maior aquisição da Europa em mais de dois anos. Além disso, como a KDP planeja separar o negócio de café do de bebidas, formando duas companhias listadas em bolsa após a transação, a gigante dos refrigerantes está prestes a criar uma empresa global do café para rivalizar com a líder de mercado Nestlé, entre as chamadas pure-play coffee company (empresa exclusivamente de café).
A nova companhia incluirá a Keurig, a Jacobs, a L’OR e a Peet’s, com cerca de US$ 16 bilhões em vendas anuais e atuação em cerca de 100 países. Como conglomerado no qual o café é um item, além de alimentos, água, nutrição, entre outros, a suíça Nestlé permanece na frente.
Além de Nestlé, e a agora KDP turbinada pela nova aquisição, entre as grandes globais do café estão a Starbucks Corporation, com sede no estado de Washington, e a The J.M. Smucker Company, em Ohio, ambas nos EUA, mais a Lavazza Group, em Turim, Itália; a Tata Coffee, em Karnataka, Índia; a Strauss Coffee, em Amsterdã, Holanda; a Massimo Zanetti Beverage Group, em Treviso, Itália; a Melitta Group, em Minden, e a Tchibo GmbH, Hamburgo, ambas na Alemanha; a Luckin Coffee, em Fujian, China, e a Caribou Coffee Company, em Minnesota, EUA.
Kitzzeh_Getty
Nestlé também investe para ficar na frente
A The Coca-Cola Company, que em 2018 adquiriu a rede britânica de cafeterias Costa por cerca de US$ 5 bilhões, e que por ora fica entre as grandes globais, está trabalhando com o banco de investimentos Lazard para avaliar opções, incluindo uma possível venda, segundo fontes do setor.
A receita da KDP nos doze meses encerrados em 30 de junho de 2025 foi de US$ 15,8 bilhões, um aumento de 4,6% em relação ao ano anterior. Hoje, a empresa é um dos principais players de bebidas da América do Norte, com um portfólio de mais de 125 marcas que incluem refrigerantes, café, chá, água, sucos e misturadores.
Hoje, o segmento de café nos Estados Unidos representa 26% do valor total da KDP, contribuindo com US$ 4 bilhões em receita relacionada à bebida (26% de US$ 15,3 bilhões em receita total no ano passado). A compra da JDE Peet’s amplia de forma significativa essa presença, mudando a KDP de uma empresa de bebidas diversificada com uma forte área de café para uma força dominante no mercado global da bebida.
Michael M. Santiago_Getty
Keurig Dr Pepper vai brigara com a Nestlé pelo primeiro posto em café
Com os US$ 18 bilhões em dívidas por causa da compra, frente a uma capitalização de mercado de US$ 48 bilhões, a relação dívida/patrimônio de 37% fica acima da média de 20% do S&P 500, indicando maior alavancagem em relação aos seus pares. O total da dívida é de cerca de US$ 36 bilhões, segundo analistas da Trefis Team, grupo de pesquisa de investimentos, estratégias de portfólio e gestão de patrimônio liderada por engenheiros do MIT e analistas de Wall Street.
Em relação aos riscos financeiros, uma estrutura carregada de dívidas aumenta a possibilidade de sobrealavancagem, potencialmente restringindo a flexibilidade estratégica durante recessões ou choques competitivos. Além disso, os custos únicos relevantes de integração podem pressionar os fluxos de caixa por dois a três anos após o fechamento, e a presença europeia da JDE Peet’s introduz uma exposição cambial que pode gerar volatilidade nos lucros.
Um mercado de fusões
Mas, então, o que alicerça essa aposta da KDP? O mercado global de café está estimado em US$ 138,37 bilhões em 2025 e deve crescer para US$ 174,25 bilhões até 2030, com uma taxa de crescimento anual composta de 4,72% no período, segundo a consultoria global Mordor Intelligence.
Coldsnowstorm_Getty
Mercado global aquecido tem demanda garantida por café
Outra consultoria, a Strait Research, estimou que o mercado global de café em 2024 foi de US$ 97,71 bilhões e deve fechar em US$ 103 bilhões neste ano, saltando para US$ 156,8 bilhões até 2033, com uma taxa de crescimento anual composta de 5,4% no período.
O mercado mundial de café, que está passando pela maior onda de consolidação de sua história, para qualquer que seja o desempenho, tem sido impulsionado pela crescente demanda por café premium, opções prontas para beber e regulamentações de sustentabilidade mais rigorosas.
Neste ano, em janeiro, a Nestlé comprou a Seattle’s Best Coffee da Starbucks, incorporando toda a linha de café em grãos, torrado e moído, além das cápsulas K-Cup. Em março do ano passado, a Lavazza Group investiu US$ 200 milhões em joint venture com a Yum China, com a meta de 1.000 cafeterias até o final deste ano. A italiana também fechou a aquisição da MaxiCoffee em março de 2023 e lançou oferta pública pela IVS Group em abril de 2024.
Na Ásia, a Luckin Coffee, que completou sua reestruturação financeira em 2023 após um escândalo contábil, retomou sua expansão agressiva na China, competindo diretamente com a Starbucks no mercado local. A Tata Coffee, após fusão com a Tata Global Beverages em 2020, passou a concentrar seus investimentos em plantações orgânicas na Índia desde 2023. E a Caribou Coffee, controlada pela JAB Holding desde 2012, expandiu suas parcerias com redes de conveniência em 2024 para distribuição de produtos ready-to-drink.
Mas a consolidação não se limita aos gigantes globais. Por trás da onda de consolidação também estão fatores econômicos que vão além do crescimento do mercado. O aumento das taxas de juros, e os custos crescentes de mão de obra e mercadorias. colocaram empresas menores sob pressão financeira.
Na Austrália, a Retail Food Group adquiriu a CIBO Espresso por US$ 2,7 milhões em dezembro de 2024, planejando rebranding de suas 22 lojas como o Gloria Jean’s. No Reino Unido, o Nero Group adquiriu as redes 200 Degrees e FCB Coffee para expandir sua presença no setor de viagens, aproveitando a recuperação pós-pandemia do turismo. Em ambos os casos, o movimento fortalece o segmento premium de café.
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