Rede Social do Café

T Ó P I C O : CAFÉ: QUEM FEZ, FEZ... POR MARCELO FRAGA MOREIRA

Informações da Comunidade

Criado em: 28/06/2006

Tipo: Tema

Membros: 5251

Visitas: 28.577.734

Mediador: Sergio Parreiras Pereira

                        

Adicionar ao Google Reader Adicionar ao Yahoo Reader Adicionar aos Favoritos BlogBlogs


Comentários do Tópico

CAFÉ: QUEM FEZ, FEZ... POR MARCELO FRAGA MOREIRA


Autor: Leonardo Assad Aoun

3.010 visitas

1 comentários

Último comentário neste tópico em: 22/09/2025 20:09:34


Leonardo Assad Aoun comentou em: 21/09/2025 19:19

 

QUEM FEZ, FEZ... POR MARCELO FRAGA MOREIRA

 

QUEM FEZ, FEZ...  

Mais uma semana para entrar para a história! O vencimento dez-25 - entre o fechamento anterior, a máxima e a mínima da semana - oscilou “apenas” 9.490 pontos = 125,52 US$/saca!

Após o fechamento anterior @ 396,85 centavos de dólar por libra-peso o mercado abriu com os fundos + especuladores “comprados” conseguindo acionar novos “stops” quando o dez-25 negociou e rompeu a máxima histórica* do contrato @ 399,65 centavos de dólar por libra-peso (dia 29 de abril de 2025). Dez-25: fechamento anterior / máxima / mínima / fechamento respectivamente @ 396,85 / 424,00* / 356,25 / 366,50 centavos de dólar por libra-peso! *nova máxima histórica do vencimento dez-25.

Como esperado, tivemos 3 eventos para esse forte movimento, tanto na alta quanto na baixa: os “stops” acima dos 399 centavos de dólar por libra-peso, a chegada das chuvas e o aumento da margem inicial na bolsa de NY.

Apesar ainda das poucas chuvas (“10-25mm” de chuvas em algumas regiões) a humidade trouxer grande alivio para o mercado. Novas previsões meteorológicas já estão projetando mais chuvas nos próximos dias nas principais regiões produtoras. As floradas continuam ocorrendo e, com as chuvas, o pegamento da próxima florada deverá ser “boa”. Ainda é muito cedo para fazer previsões para a próxima safra brasileira 26/27 mas o alívio chegou na quarta-feira quando as chuvas cairam em várias regiões produtoras no sul de minas (qual será a próxima safra brasileira 26/27? 60-65-75 milhões de sacas?)!

Junto com as chuvas o outro evento que ajudou na realização do mercado foi o novo aumento do valor da chamada de margem inicial exigida pela bolsa de NY. Em apenas 2 dias a bolsa de NY aumentou a “margem inicial” de 8.000 US$/contrato para 11.600 US$/contrato para o vencimento dez-25 e entre 2.000-2.500 US$/lote para os demais vencimentos futuros.

Agora, o “comprado”, o fundo/especulador que abriu posição comprada quando o mercado negociou acima dos 400 centavos de dólar por libra-peso está sendo obrigado a enviar margem adicional para “segurar sua posição comprada”.

Considerando a posição em aberto (em números de contratos entre futuros + opções ao redor dos 300.000 lotes) e considerando que a margem inicial é exigida tanto para quem está “comprado” quanto para quem está “vendido”, então a bolsa de NY exigiu no início da semana novo aporte de capital para os “comprados/vendidos” continuarem carregando suas posições em aproximadamente 2,00 bilhões de dólares!

Londres não foi diferente! O vencimento nov-25 caiu 715 US$/tonelada ou 43 US$/saca (227 R$/saca). Rumores voltaram a pipocar indicando possível safra do Vietnam ser “grande”! O mercado está otimista prevendo uma safra do Vietnam 25/26 entre 28-32 milhões de sacas. Será? Mesmo assim, o quadro da “oferta mundial x demanda mundial” deverá continuar muito justa até a próxima safra 28/29!

Novamente, mesmo com o mercado dando excelentes oportunidades para o produtor se proteger contra as baixas, poucos produtores souberam “operar” e poucos participaram e aproveitaram desse movimento de curto prazo.

+/-200/250 R$/saca para um produtor médio do café arábica, em 5.000 sacas por exemplo, representa aproximadamente +/- R$ 1.250.000! Para um produtor em 10.000 sacas = +/- R$ 2.500.000 e para um produtor de 15.000 sacas = +/- R$ 3.750.000!

O mesmo exercício vale para o produtor do café conilon!

+/-200/250 R$/saca para um produtor médio do café conilon, em 10.000 sacas por exemplo, representa aproximadamente +/- R$ 2.500.000! Para um produtor em 20.000 sacas = +/- R$ 5.000.000 e para um produtor de 40.000 sacas = +/- R$ 10.000.000!

No curto prazo o produtor continuava otimista apostando em voltar a negociar seu café arábica tipo 6 @ 3.000 R$/saca e o café conilon @ 2.000 R$/saca. Como mencionado anteriormente, para o café arábica negociar @ 3.000 R$/saca NY precisa voltar a negociar @ 500 centavos de dólar por libra-peso (considerando o diferencial de compra x venda nos 60 pontos e o R$/US$ nos 5.30 R$/US$).

Infelizmente muitos conselheiros perniciosos seguem influenciando e induzindo o produtor a “guardar o seu café na pilha” e seguir apostando para vender o seu café a 3.000 / 4.000 / 5.000 e até mesmo a 10.000 R$/saca durante o primeiro trimestre-2.026! E quando o mercado despenca simplesmente desaparecem!

Ninguém sabe e pode prever o futuro. Mas movimentos como o que vimos nos últimos 45 dias precisam ser aproveitados! NY chegou a subir 50% e os preços no mercado interno do café arábica +43% e do café conilon +65%!

Para a próxima safra 26/27 alguns poucos produtores prudentes conseguiram realizar vendas/travas garantindo preços acima dos 2.000 R$/saca para entrega agosto-setembro-26. E, alguns poucos negócios também já forem fechados para a safra 27/28 – também para entrega agosto-setembro-27 acima dos 1.900 R$/saca!

O objetivo do hedge para o produtor é “proteção, seguro” para garantir uma rentabilidade X% acima do seu custo de produção e poder “dormir tranquilo”!

Nessa semana foi possível montar e executar uma estrutura com piso/teto para a próxima safra 26/27, contra o vencimento set-26, entre 2.140 – 2.325 R$/saca, com “custo zero” (desde que o set-26 encerre acima dos 250 centavos de dólar por libra-peso). O mercado poderá subir novamente para 2.500-3.000-5.000 R$/saca? Ninguém sabe! Entre “hoje” e o início da próxima colheita 26/27 muita coisa ainda poderá acontecer! Os fundamentos, apesar de continuarem positivos para os próximos 2-3 anos, irão continuar dependendo da “oferta x demanda” mundial e os preços daqui pra frente continuarão expostos aos “riscos de cauda” e aos “efeitos Trump”, e ao movimento dos “fundos+especuladores+algoritimos”!

Continuo “secando gelo” há 5 anos, mas um pouco mais otimista. Felizmente alguns poucos produtores estão aprendendo a utilizar as ferramentas de hedge e conseguindo aproveitar essas oportunidades!

Garantir um preço hoje com uma rentabilidade 50-60-70% acima do seu custo de produção para a próxima safra 26/27 continua sendo um bom negócio! Em um mercado de alta, ajustar a posição para “cima” sempre será possível. Porém, na baixa, sem hedge, o produtor pode quebrar! Da mesma forma, para o produtor “vendido” para as próximas safras 26/27 e 27/28 a compra de um seguro contra novas altas também se faz necessário.

No mês de setembro-25, segundo a Cecafé*, o Brasil deverá exportar entre 4,00-4,30 milhões de sacas.

A demanda americana continua em compasso de espera e provavelmente veremos mais um mês com as exportações reduzidas para os Estados Unidos. Outros países produtores do café arábica e países com industrias deverão continuar aumentando suas importações do Brasil procurando otimizar o “spread de origem” capturando todo esse “dinheiro que está na mesa”.

No curto prazo o vencimento dez-25 encontra suportes @ 366 / 357 / 335 / 290 centavos de dólar por libra-peso e resistências @ 384 / 389 e 422 centavos de dólar por libra-peso.

O mercado poderá voltar a subir? Sim... Poderá continuar caindo? Sim. Até onde? Ninguém sabe...

Quem fez, fez... Agora aguardar novas oportunidades...

Apenas sabemos que “gestão de risco” e a proteção do “seu custo de produção” deveria fazer parte do dia a dia do produtor!

Então produtor, como sempre, PROTEJA-SE!

Boa semana a todos!

Marcelo Fraga Moreira*

PS: Você produtor (arábica e/ou robusta), caso queira saber mais sobre nossa consultoria para as operações de hedge, entre em contato conosco através dos emails:

priscilla@archerconsulting.com.br ou

mmoreira66@yahoo.com

*Marcelo Fraga Moreira é um profissional há mais de 33 anos atuando no mercado de commodities agrícolas, escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting.

** “Call” = opção de Compra

** “Put” = opção de Venda

** “Compra Call-Spread” = compra e venda simultânea de 2 Opções de Compra comprando a Opção com preço de exercício mais baixo vendendo a Opção com preço de exercício mais alto);

** “Venda Call-Spread” = venda e compra simultânea 2 Opções de Compra vendendo a Opção com preço de exercício mais baixo e comprando a Opção com preço de exercício mais alto);

** “Compra Put-Spread” = compra e venda simultânea 2 Opções de Venda comprando a Opção com preço de exercício  mais alto e vendendo a Opção com preço de exercício mais baixo);

** “Venda Put-Spread” = venda e compra simultânea 2 Opções de Venda vendendo a Opção com preço de exercício  mais alto e comprando a Opção com preço de exercício mais baixo);

** “CFTC” = Commodity Futures Trading Commission – agência independente do governo dos Estados Unidos que regula os mercados de futuros e opções das commodities;

** “IBGE” = Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

 ** “Cecafé” = Conselho dos Exportadores de Café do Brasil

** “SECEX” = Secretaria comércio exterior

** “CNC” = Conselho Nacional do Café

** “USDA” = Departamento da Agricultura dos Estados Unidos

** “FNC” = Federação Nacional dos Cafeicultores da Colômbia

** “FAS” = Serviço Agrícola Estrangeiro do USDA*

** “OIC” = Organização Internacional do Café

** “GCA” = Green Coffee Association

** “ABIC” = Associação Brasileira da Indústria de Café

** “Sincal” = Associação dos Produtores do Brasil

** “NDF” = (Non-Deliverable Forward), um contrato a termo de moeda com liquidação financeira, com vencimento para aquele mês

** “Pib” = Produto Interno Bruto

** “FED” = Banco Central Americano

** “NOAA” = Departamento Nacional da Atmosfera e Oceanos dos Estados Unidos

** “EUROSTAT”  = Serviço de Estatística da União Europeia responsável pela publicação de estatísticas e indicadores de elevada qualidade a nível europeu que permite a comparação entre países e regiões

** “OPEP” = A Organização dos Países Exportadores de Petróleo

** “FOMO” = É caracterizada pela necessidade constante que uma pessoa tem de saber o que outras estão fazendo. FOMO, sigla que vem da expressão em inglês “fear of missing out”, que traduzida para o português significa “medo de ficar de fora”.

o investidor fica com receio em perder uma oportunidade no mercado e sai “comprando ou vendendo” para não ficar de fora da “oportunidade” divulgada na mídia (FOMO = Free of missing out A Organização dos Países Exportadores de Petróleo

** “COOXUPÉ” = Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé

** “Coccamig” = Cooperativa Central de Cafeicultores e Agropecuaristas de Minas Gerais

** “PIB” = Produto interno Bruto de um país

** “COPOM” = Comitê de Política Monetária, é um órgão do Banco Central. Ele foi criado em 1996 com o objetivo de traçar e acompanhar a política monetária do país. Esse é o órgão responsável pelo estabelecimento de diretrizes a respeito da taxa de juros

** “BASIS” = O basis é a disparidade de preço causada pela diferença geográfica entre os pontos de entrega da commodity. Ele é calculado subtraindo o valor da commodity no mercado físico em determinada praça, pelo preço do mesmo produto no mercado futuro.

** “Bandas de bollinger” = do inglês bollinger bands, é um indicador de volatilidade bastante utilizado para prever se um ativo está sobre-comprado, estável ou sobre-vendido. Ele é formado por duas médias móveis, uma superior e outra inferior que indicam tal informação. São alguns atributos desse indicador:

Antever os níveis de preço de um ativo

Antecipar topos e fundos de preço no gráfico

Mostrar a intensidade de valorização ou desvalorização de um ativo

Portanto, este indicador tenta mostrar se uma ação está barata ou cara, em um determinado período de tempo.

Desse modo, ele é indicado para operações de curto prazo, day trade ou swing trade.

O autor da técnica é o americano John Bollinger (nascido em 1950), analista financeiro e colaborador da área de análise técnica. John lançou o seu livro Bollinger on Bollinger Bands em 2001, mas essa técnica começou a ser desenvolvida por ele ainda na década de 1980. As bandas são derivadas das médias móveis e mostram que, independente de qualquer movimento que o preço faça, ele tende a voltar a um equilíbrio. Portanto, temos aí um “estreitamento das bandas” no gráfico de candlestick.

Visualizar | |   Comentar     |  



1