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T Ó P I C O : Casal de São Gonçalo cria rede de cafeteria que fatura R$ 3,4 milhões por ano

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Casal de São Gonçalo cria rede de cafeteria que fatura R$ 3,4 milhões por ano


Autor: Leonardo Assad Aoun

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Último comentário neste tópico em: 29/10/2025 17:27:15


Leonardo Assad Aoun comentou em: 29/10/2025 17:25

 

Casal de São Gonçalo cria rede de cafeteria que fatura R$ 3,4 milhões por ano

 

Os empreendedores Bruno e Tamiris Fidelis transformaram R$ 70 mil em uma rede em expansão que quer chegar a 10 unidades em 2025

Por Felipe Lessa

Bruno Cordeiro Fidelis e Tamiris Lima Fidelis, fundadores do Justo Café

Bruno Cordeiro Fidelis e Tamiris Lima Fidelis, fundadores do Justo Café - Foto: Divulgação / Eric Matos

Em 2017, Bruno Cordeiro Fidelis, 37 anos, vivia o auge da carreira. Engenheiro, coordenador de compras em uma grande empresa e prestes a ser promovido a gerente, ganhava bem e tinha o futuro traçado. O que ele não tinha era tempo. A rotina de 12 horas diárias o afastava da esposa, Tamiris Lima Fidelis, 37 anos, e do filho pequeno. A crise conjugal foi o alerta de que algo precisava mudar. “Percebi que o sucesso profissional estava custando caro demais”, lembra ele.

“Quando recebi o convite para um curso de liderança, que exigiria ainda mais de mim, entendi que precisava escolher entre continuar acumulando resultados na empresa ou recuperar tempo com minha família.” A escolha foi radical: Bruno recusou a promoção, pediu demissão e decidiu empreender — mesmo sem saber exatamente com o quê.

Bruno não bebia café, mas decidiu apostar nesse mercado. Em 2018, o casal Fidelis fundou uma cafeteria em São Gonçalo (RJ) com um investimento inicial de R$ 70 mil — o valor da rescisão e do carro da família — e mais R$ 7 mil emprestados de um amigo para finalizar a obra e comprar insumos. “Queríamos que o espaço refletisse acolhimento e qualidade”, conta Bruno. “Investimos na ambientação, no maquinário e em insumos de excelência. O maior risco foi abrir sem reservas financeiras. Era tudo ou nada.” O casal foi a Minas Gerais, fez curso de barista e mergulhou no universo do café. Tamiris, que já tinha experiência no ramo alimentício e havia ajudado os pais a multiplicarem em 500% o faturamento do restaurante da família, trouxe a vivência de operação e atendimento; Bruno cuidou da gestão e da padronização. “Enquanto ele via o risco, eu via o propósito”, diz Tamiris. “O Justo nasceu dessa mistura: da fé que move e da coragem de recomeçar.”

O primeiro mês já mostrou que estavam no caminho certo: R$ 27 mil de faturamento. No fim do mesmo ano, dezembro fechou com R$ 168 mil. O que começou em uma loja de 80 m², com capacidade para 30 pessoas, se transformou em uma operação escalável. Em 2024, a Justo Café faturou R$ 3,4 milhões, com três unidades em funcionamento e outras duas em obras, todas no estado do Rio de Janeiro. Neste ano, a meta é bater 10 lojas e R$ 5,1 milhões de faturamento.

Mais do que um nome, o conceito de “ser justo” virou filosofia da marca. “Ser justo é ser íntegro com as pessoas, com o produto e com a entrega”, explica Tamiris. “Queremos que cada cliente sinta que o momento vivido aqui foi pensado pra ele. Prosperar é servir com alegria.” Essa proposta se reflete na experiência: “O Justo não nasceu pra vender café — nasceu pra entregar experiências”, diz Bruno. “Cada detalhe, da playlist à apresentação dos pratos, é pensado para que a pessoa desacelere e viva o momento.” Os pilares são claros: ambiente que atrai, atendimento que acolhe e produto que encanta — e foi essa entrega emocional que fez a marca se destacar em um mercado concorrido.

A expansão por franquias começou em 2024 como forma de multiplicar o propósito sem perder a essência. “Buscamos franqueados que se identifiquem com os valores da marca. Servir com alegria não é um slogan, é um princípio”, afirma Tamiris. Para garantir a padronização, os Fidelis criaram treinamentos, manuais e um brand book que guiam a rede. “Queremos escalar sem perder a essência. O café é o produto, mas o propósito é o que nos move”, reforça Bruno.

O sucesso do negócio também surfou numa mudança cultural: o café como espaço de convivência. “O brasileiro quer mais do que um bom café: quer pertencimento, ambiente e significado”, diz Bruno. “Nosso cliente não vem só por um café: vem por um momento pra viver de verdade.” Tamiris reforça a importância das origens. “São Gonçalo é o nosso berço. Acreditamos em crescer sem desconectar das raízes. Florescer onde fomos plantados”, diz ela. Antes de expandir para outros estados, a estratégia é consolidar a marca na região Leste Fluminense, que ainda tem alto potencial e poucos concorrentes estruturados.

Os próximos passos incluem diversificar as fontes de receita: os Fidelis estruturam uma linha de cafés em grãos, produtos licenciados e um clube de assinaturas para levar o “momento Justo” para dentro das casas. “Nossa visão é ser referência nacional em cafeterias que inspiram propósito e conexão”, resume Bruno.

A história do casal é, no fim, sobre propósito e coragem. “Empreender é servir. Não existe o tempo perfeito para começar”, afirma Tamiris. “A estabilidade não está no salário fixo — está em viver o chamado que faz sentido pra você.” Bruno completa: “Empreender é uma decisão de fé. É ter coragem pra abrir mão do certo em busca do propósito. O Plano B é fazer o Plano A dar certo.”

Fonte: Revista PEGN

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