T Ó P I C O : Recuperação na safra de café do Brasil traz alívio para oferta global
Informações da Comunidade
Criado em: 28/06/2006
Tipo: Tema
Membros: 5250
Visitas: 28.315.804
Mediador: Sergio Parreiras Pereira
Comentários do Tópico
Recuperação na safra de café do Brasil traz alívio para oferta global
Autor: Leonardo Assad Aoun
104 visitas
1 comentários
Último comentário neste tópico em: 04/01/2026 16:23:39
Leonardo Assad Aoun comentou em: 04/01/2026 16:59
Recuperação na safra de café do Brasil traz alívio para oferta global
Analistas de mercado e produtores estão confiantes com o tamanho da safra 2026/27, que poderá ser recorde
Por Paulo Santos — Campina Grande (PB)/Globo Rural
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_afe5c125c3bb42f0b5ae633b58923923/internal_photos/bs/2026/e/v/J4RLR8RI2Nx9XNKniACA/002-4-.jpg)
País deverá colher 70,7 milhões de sacas, alta de 13,5% em relação ao ciclo anterior — Foto: Arquivo Prospera Agro
O ano de 2026 pode representar uma virada de chave para a produção mundial de café graças ao Brasil. Após anos sucessivos sofrendo com as extremidades climáticas, a oferta do Brasil – maior produtor global – deve se recuperar e alcançar volumes recordes, conforme as primeiras projeções divulgadas por consultorias para a safra 2026/27.
Nos cálculos da StoneX, o país deverá colher 70,7 milhões de sacas, alta de 13,5% em relação ao ciclo anterior. A recuperação deverá ser puxada pelo arábica, com projeção de crescimento de quase 30%, e uma produção de 47,2 milhões de sacas. Por outro lado, a safra de conilon pode cair 8,9%, e render 23,5 milhões de sacas.
“Tivemos recuperação na maior parte das regiões de arábica em relação à safra 2025/26. Para o sul de Minas Gerais é esperado um incremento de 3 milhões de sacas. No Estado de São Paulo esperamos 3 milhões de sacas a mais, enquanto no Cerrado o aumento será de quase 2 milhões de sacas”, destaca Leonardo Rossetti, analista de inteligência de mercado da StoneX.
Ele lembra que a safra brasileira do próximo ciclo tinha potencial para alcançar quase 78 milhões de sacas. Apesar do clima mais regular registrado este ano, episódios esporádicos de geadas e temperaturas elevadas minaram o rendimento dos cafezais.
Puxado pela expansão da área, e investimentos em tratos culturais, a Hedgepoint Global Markets calcula que a produção de café no Brasil em 2026/27 deve alcançar entre 71 milhões e 74,4 milhões de sacas.
A safra de arábica está inicialmente projetada entre 46,5 e 49 milhões de sacas, acima das 37,7 milhões colhidas em 2025/26. Em relação ao conilon, são esperadas entre 24,6 milhões e 25,4 milhões de sacas, em comparação com as 27 milhões em 2025/26.
“A escassez na oferta não se resolveria do dia para noite. Nos últimos três anos, o produtor se capitalizou bastante, devido ao aumento de preços, que seguiram elevados até agora. Nesse intervalo, ele investiu na abertura dessas novas áreas, e algumas delas devem dar os primeiros frutos em 2026/27”, pontua Laleska Moda, analista de café da Hedgepoint Global Markets.
Confiança no campo
As estimativas das empresas são condizentes com o otimismo dos produtores para a nova temporada do grão. Mariana Lima Veloso, diretora comercial da Prospera Agro, cultiva 7 mil hectares da planta em Carmo do Paranaíba, no Cerrado mineiro. A recuperação em sua lavoura deve acontecer após perda de 15% na safra colhida em 2025, mesmo em uma área 100% irrigada.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_afe5c125c3bb42f0b5ae633b58923923/internal_photos/bs/2026/2/u/SKySxwRl2psFA0y49OTg/001-1-1-.jpg)
Mariana Lima Veloso, diretora comercial da Prospera Agro — Foto: Arquivo Prospera Agro
“Eu espero uma safra melhor que as últimas. Até porque o preço do café subiu muito nos últimos anos e quando isso acontece muita gente que não é do ramo começa a plantar café. Vai ser melhor, mas não tão boa quanto o mercado espera”, disse Veloso.
Mesmo com a boa expectativa para a produção para 2026/27, a diretora da Prospera Agro conta que os cafezais têm sofrido com as altas temperaturas. Assim, a propriedade deve alcançar um rendimento de 37 sacas por hectare, número inferior à média da fazenda, de 40 sacas.
Ela acrescenta que o momento de mercado, com forte alta nos preços em 2025, não mudou a estratégia adotada pela empresa há anos.
“Nós somos cafeicultores desde 1977. Então sempre buscamos uma rentabilidade boa e constante em nossas vendas para investirmos em comprar novas áreas e plantar mais. Essa alta no preço não incentivou [o aumento de área], porque já estávamos fazendo isso há muitos anos, mas é claro que estamos bem mais felizes com esse momento bom para as cotações”, afirma.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_afe5c125c3bb42f0b5ae633b58923923/internal_photos/bs/2026/t/r/LTNngbQ4GdvxVislDnQg/002-8-.jpg)
Recuperação da produção brasileira deverá ser puxada pelo arábica, com projeção de crescimento de quase 30% — Foto: Arquivo Prospera Agro
Investimentos favorecidos
Para Helder Knidel, produtor de café em Marechal Floriano (ES), a alta do grão em 2025 possibilitou a renovação de parte de seus 45 hectares cultivados. Com acréscimo do valor pago, também foi possível fazer mais investimentos na operação.
“Como estamos em uma região de montanha, o custo com a mão-de-obra é um dos grandes problemas. Mas isso amenizou com o aumento do preço nos últimos três anos, o que permitiu investimento maior na lavoura”, observa.
Ele acredita que a demanda por café pode seguir firme em 2026, devido à mudança no perfil de consumo na Europa, Ásia e EUA, que pode trazer oportunidades no que se refere a novos mercados. Por outro lado, o clima, que até o momento é favorável, ainda exige atenção por parte dos produtores.
“Esse aumento da demanda pode beneficiar o setor, considerando que não tenha nenhuma surpresa com o clima. Os extremos climáticos têm sido cada vez mais comuns, a exemplo do Vietnã, que sofreu com excesso de umidade no período da colheita em 2025. É preciso aprender a lidar com esses movimentos que sempre trazem alta volatilidade para o mercado”, pontua.
Visualizar |
| Comentar
|


