T Ó P I C O : Acordo Mercosul-UE vai impulsionar cafés industrializados e atrair investimentos, diz Cecafé
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Acordo Mercosul-UE vai impulsionar cafés industrializados e atrair investimentos, diz Cecafé
Autor: Leonardo Assad Aoun
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Último comentário neste tópico em: 12/01/2026 13:58:34
Leonardo Assad Aoun comentou em: 12/01/2026 14:27
Acordo Mercosul-UE vai impulsionar cafés industrializados e atrair investimentos, diz Cecafé
Com fim gradual de tarifas em quatro anos, indústria brasileira planeja saltar da venda de grãos verdes para produtos de maior valor, como solúveis e torrados, ampliando a fatia na receita global
Café grãos (Crédito: Freepik)
A confirmação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE) deve favorecer de forma direta o segmento de cafés industrializados do Brasil, avaliou o diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcos Matos, em nota. Segundo ele, o impacto ocorre porque o café verde (in natura) já entra no mercado europeu sem tarifação, enquanto os produtos industrializados ainda enfrentam impostos.
Com o tratado, cafés solúveis e outros produtos industrializados brasileiros passarão por um processo de desgravação tarifária anual até que a taxa chegue a zero em um prazo de quatro anos. Para Matos, essa mudança deve elevar a competitividade do Brasil no bloco europeu e estimular o crescimento dos embarques. “Os cafés solúveis e industriais brasileiros terão desgravação anual da taxação que recebem até chegar a zero, em quatro anos, o que permitirá que o Brasil amplie sua competitividade na União Europeia”, afirmou.
Além do efeito direto sobre volumes e receitas de exportação, o Cecafé destaca o potencial de atração de investimentos para a indústria de cafés industrializados instalada no País. Esse movimento, segundo Matos, pode ter reflexos sociais relevantes. “Outro fator que será relevante é o potencial aumento dos investimentos nas indústrias de cafés industrializados no Brasil, sendo esse um ponto de geração de empregos e renda nas regiões dessas fábricas”, disse, ressaltando que o avanço contribui para melhorar “os índices de desenvolvimento humano (IDH) das populações locais”.
Para além da União Europeia
O dirigente também avalia que o acordo Mercosul-UE funciona como um selo de credibilidade para o Brasil em futuras negociações comerciais. “Essa aceitação da atuação governamental brasileira pode ser entendida como uma qualificação para futuros acordos, como se tivéssemos subido de patamar”, afirmou, citando o papel dos governos do Brasil, da Alemanha e da Espanha nas tratativas.
Nesse contexto, Matos aponta que o setor cafeeiro acompanha de perto possíveis entendimentos bilaterais com outros mercados. “Temos no radar as conversas que vêm acontecendo com Canadá e alguns países asiáticos, aparte das negociações em bloco”, disse, avaliando que há “boa expectativa para que alcancemos acordos diretos com essas nações e possamos ampliar a presença dos cafés do Brasil nesses mercados”.
Como representante dos exportadores, o Cecafé afirma que continuará atuando junto ao governo federal para apoiar novas negociações comerciais. “Seguiremos atuando para fomentar o governo federal com as informações relevantes e necessárias para essas negociações, de forma que alcancemos novos acordos e possamos fortalecer, ainda mais, a posição do Brasil como principal player do mercado global de café”, concluiu Matos.
Menos tarifas, mais investimentos
Embora o tratado ainda dependa de aprovações nos parlamentos nacionais e no Parlamento Europeu, a perspectiva é de redução gradual das tarifas ao longo dos próximos anos. “Nos próximos quatro a cinco anos teremos a plenitude da isenção pretendida dessas alíquotas”, disse o executivo, ressaltando que o período de transição permitirá planejamento e adaptação por parte da indústria.
A redução gradual das tarifas de importação para cafés solúveis, torrados e outros produtos de maior valor agregado é vista como um fator fundamental para estimular investimentos, inovação e geração de empregos. Segundo Cardoso, a redução gradual das tarifas “permite que os dois blocos se preparem com tecnologia, investimento e mais emprego”, abrindo espaço para que a indústria brasileira invista em tecnologia e se adapte às certificações exigidas pelo mercado europeu. Na avaliação da entidade, o novo cenário também deve impulsionar novos investimentos no parque industrial brasileiro.
O café brasileiro no mundo
O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), Pavel Cardoso, disse que o tratado cria as condições para que o Brasil avance além da exportação de café verde e ganhe espaço no mercado europeu com cafés industrializados. “A indústria brasileira comemora e celebra esse acordo O fato de isso ocorrer agora, já no início de 2026, é um ponto muito positivo para o Brasil”, afirmou Cardoso. Ele destaca que o café é um dos principais itens da pauta exportadora brasileira para a UE e que o acordo tende a fortalecer essa relação comercial.
Para a Abic, o acordo está alinhado à estratégia de ampliar a participação do Brasil na receita global do café. “O Brasil produz cerca de 40% do café do mundo, mas representa apenas 2,7% da receita global do setor”, observou Cardoso. “Esse acordo se alinha diretamente ao projeto da Abic de aumentar as exportações brasileiras na forma de cafés industrializados.”
Além do efeito direto do acordo comercial, Cardoso ressaltou a importância de uma estratégia consistente de promoção internacional. A Abic tem investido no fortalecimento da marca Cafés do Brasil como forma de sustentar a expansão no exterior. “Somente por meio de um investimento massivo, longevo e consistente em promoção e marketing é que as nossas indústrias conseguirão adentrar os supermercados da Europa com produtos industrializados”, disse.
Segundo ele, ações recentes, como o rebranding da marca Cafés do Brasil e a exposição internacional obtida com o patrocínio no GP de São Paulo de Fórmula 1, indicam os próximos passos da estratégia. “A promoção e o marketing já encontram amparo legal e lastro no que o Brasil já faz, que é investir em cafés de qualidade, com sustentabilidade e tecnologia”, concluiu.
Fonte: Dinheiro Rural
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