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T Ó P I C O : Cafeicultoras do Espírito Santo ampliam presença em cafés especiais

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Cafeicultoras do Espírito Santo ampliam presença em cafés especiais


Autor: Leonardo Assad Aoun

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Último comentário neste tópico em: 18/01/2026 18:35:55


Leonardo Assad Aoun comentou em: 18/01/2026 19:04

 

Cafeicultoras do Espírito Santo ampliam presença em cafés especiais

 

Iniciativa coordenada pelo Incaper reúne mulheres capixabas e favorece o acesso à capacitação e a novos mercados

Por Rafaella Dorigo — São Paulo | Globo Rural

Projeto reúne cerca de 900 mulheres e atua da produção à comercialização de cafés especiais

Projeto reúne cerca de 900 mulheres e atua da produção à comercialização de cafés especiais — Foto: Divulgaçao | Incaper - Mulheres do Café

No Espírito Santo, um projeto voltado à qualificação da produção e à valorização da agricultura conduzida por mulheres tem ampliado o espaço dos cafés especiais no mercado. Coordenado pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), o Mulheres do Café reúne produtoras de diferentes regiões do Estado e atua para fortalecer a presença feminina da lavoura à comercialização do produto final.

Em entrevista à Globo Rural, a coordenadora do projeto, Patrícia Morais da Matta Campbell, explica que a iniciativa nasceu a partir da experiência acumulada das equipes de extensão rural e da observação de uma realidade recorrente no campo.

“As mulheres sempre estiveram muito presentes na cafeicultura, mas muitas vezes sem reconhecimento e com pouco acesso a oportunidades de capacitação e mercado”, afirma.

Criado em 2024, o projeto já conta com cerca de 900 cafeicultoras inscritas, com participação em aproximadamente 70% dos municípios capixabas. Em dois anos, já foram realizados mais de 2 mil atendimentos, entre cursos, oficinas, dias de campo, excursões técnicas e eventos de divulgação dos cafés produzidos pelas participantes.

“O projeto é aberto e inclusivo. Não há processo seletivo. Qualquer mulher que trabalha com café ou deseja iniciar na atividade pode participar”, explica Patrícia.

Capacitação técnica de produtoras assistidas pelo projeto Mulheres do Café — Foto: Divulgação | Incaper - Mulheres do café

Capacitação técnica de produtoras assistidas pelo projeto Mulheres do Café — Foto: Divulgação | Incaper - Mulheres do café

O apoio oferecido envolve acompanhamento técnico contínuo, com orientações sobre manejo da lavoura, colheita, secagem, beneficiamento e armazenamento dos grãos. O projeto também atua na organização de lotes, no incentivo à participação em concursos de qualidade e na aproximação com compradores.

Do Espírito Santo para Minas Gerais

A entrada dos cafés produzidos pelas participantes em novos mercados começou em 2024, durante a Semana Internacional do Café, em Belo Horizonte. Foi ali que o proprietário da cafeteria Café da Madre, localizada em Tiradentes (MG), conheceu a iniciativa e os cafés apresentados pelas produtoras no estande do Espírito Santo.

Segundo Patrícia, a iniciativa de aproximação partiu da própria cafeteria, que se identificou com a proposta do projeto. A partir desse alinhamento, o Mulheres do Café passou a atuar como facilitador da conexão entre as participantes e o ponto de venda. Atualmente, a cafeteria trabalha exclusivamente com cafés capixabas produzidos por mulheres vinculadas à iniciativa.

Para a coordenadora, a parceria gera impactos que vão além da comercialização, ao ampliar o reconhecimento do trabalho realizado no campo, agregar valor ao produto e abrir novas possibilidades de inserção no mercado.

Do café comum ao especial

Até pouco tempo atrás, a produção de Cláudia Peixoto do Carmo, em Dores do Rio Preto, seguia o padrão predominante da região: café vendido como commodity. A entrada no projeto marcou uma virada na forma de conduzir a lavoura e, principalmente, o pós-colheita. Em cinco hectares de café arábica, ela passou a reorganizar processos e a observar com mais atenção o comportamento dos frutos ao longo da safra.

A mudança de abordagem trouxe resultados diretos. A colheita passou a ser feita de forma mais seletiva, com separação dos grãos maduros e maior controle da secagem. “Quando o café é colhido no ponto certo e bem cuidado depois, ele responde na xícara”, afirma a produtora.

Com cafés mais valorizados, a renda aumentou e abriu espaço para novos investimentos. A produtora está adquirindo equipamentos como despolpador e máquina de pré-limpeza e planeja melhorias na estrutura de secagem para ampliar a produção de microlotes de maior valor agregado.

Planejamento e produtividade

Em São José do Calçado, no sul do Espírito Santo, o impacto do projeto para Jucélia Lima da Silva apareceu primeiro nos números da lavoura. Em uma área de três hectares, o foco passou a ser o planejamento da produção ao longo do ciclo do café, desde a florada até o momento da colheita.

Ao priorizar grãos maduros e ajustar o manejo, a produtora observou um salto na produtividade. Áreas que rendiam cerca de 15 sacas por hectare passaram a produzir até 30, com melhora também no padrão do café. “O sabor mudou bastante. O café ficou mais encorpado e equilibrado”, conta.

Com isso, Jucélia ampliou o portfólio e passou a trabalhar não apenas com cafés especiais, mas também com linhas gourmet e tradicional, estratégia que permite atender diferentes mercados e diluir riscos comerciais.

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