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T Ó P I C O : Primeira concessão ferroviária em 2026 liga o Sul Fluminense à região do café em Minas Gerais

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Primeira concessão ferroviária em 2026 liga o Sul Fluminense à região do café em Minas Gerais


Autor: Leonardo Assad Aoun

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Último comentário neste tópico em: 19/01/2026 17:05:15


Leonardo Assad Aoun comentou em: 19/01/2026 17:33

 

Primeira concessão ferroviária em 2026 liga o Sul Fluminense à região do café em Minas Gerais

 

Com 740 km de trilhos, ferrovia será ofertada à iniciativa privada sem cobrança de outorga e com contrato de até 99 anos; região líder na produção de café pode ganhar uma das principais rotas de exportação do país

Por Wilson França

O trecho ferroviário que conecta o Sul Fluminense à região cafeeira de Minas Gerais deve ser o primeiro a sair do papel no novo plano de concessões ferroviárias do Governo Federal a partir de 2026. O início das concessões à iniciativa privada está previsto para os próximos meses pelo Ministério dos Transportes e o primeiro projeto a ser ofertado deve ser o corredor que liga cidades de Minas Gerais (como Arcos, Lavras e Varginha) aos municípios fluminenses de Barra Mansa e Angra dos Reis, principalmente.

Ao todo, são 740 quilômetros de trilhos, atualmente subutilizados, mas com potencial logístico considerado elevado no transporte de cargas, principalmente o café, como também o incremento ao turismo.

Considerado estratégico para a economia do Rio de Janeiro, o chamado corredor Minas-Rio, segundo os estudiosos, promete destravar investimentos, criar uma nova rota logística para o café e reacender o debate sobre transporte de cargas e passageiros sobre trilhos na região.

O traçado integra hoje a malha da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), administrada pela VLI (Valor da Logística Integrada), mas encontra-se quase inoperante em vários pontos e exige investimentos relevantes em modernização e ampliação da capacidade.

Modelo inédito de concessão sem outorga

O projeto será retomado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por meio de um chamamento público, um modelo inédito no setor ferroviário. Nesse formato, a União oferece a infraestrutura ao mercado, condicionando a autorização à realização de investimentos, sem exigir pagamento de outorga.

A proposta prevê contratos de até 99 anos de exploração. Caso haja mais de um interessado, o governo selecionará a proposta considerada mais vantajosa ao interesse público. A aposta do Executivo é que o modelo atraia investidores dispostos a recuperar ferrovias abandonadas ou subutilizadas no país.

Fim da concessão da FCA acelera decisões

A urgência do governo se explica pelo calendário. A concessão original da FCA, firmada em 1996 por 30 anos, se encerra em agosto/setembro de 2026. Com o fim do contrato, parte dos mais de 7 mil quilômetros de trilhos deverá ser devolvida à União.

Diante desse cenário, o governo busca dar destino aos trechos que serão retomados e, ao mesmo tempo, viabilizar a prorrogação antecipada de parte da concessão com a VLI, evitando descontinuidade da operação ferroviária.

Segundo o Ministério dos Transportes, o corredor Minas-Rio reúne uma combinação rara de fatores: demanda real por transporte de cargas; estudos técnicos já concluídos; inspeções realizadas e decisão política de priorização.

O trecho foi incluído no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), o que o transforma em prioridade institucional, com acompanhamento direto da Casa Civil da Presidência da República. Para o mercado, isso funciona como um selo adicional de segurança jurídica e política.

Café, fertilizantes e nova rota de exportação

A diversificação de cargas é uma das principais apostas do projeto. Estudos indicam que o corredor pode se tornar uma nova rota de exportação do café brasileiro. O Sul de Minas é a principal região produtora do país, responsável por mais de um terço da produção nacional.

A ferrovia permitiria ligar diretamente essa produção ao porto de Angra dos Reis, criando uma alternativa logística ao escoamento hoje concentrado em rodovias e em portos mais congestionados, como Santos.

Além do café, o corredor também pode viabilizar a importação de fertilizantes e o transporte de cargas gerais. Atualmente, toda a malha da FCA movimenta cerca de 32 milhões de toneladas por ano, majoritariamente minério de ferro e insumos siderúrgicos.

Bilhões em investimentos previstos

O plano ferroviário em elaboração pelo governo federal projeta números robustos. A expectativa é de R$ 139,7 bilhões em investimentos em obras e R$ 516,5 bilhões em operações ferroviárias ao longo dos contratos.

Além do chamamento público, o planejamento prevê oito grandes traçados entre 2026 e 2027, incluindo ferrovias totalmente novas, revitalização de trechos degradados e integração direta com portos.

Ponte regulatória para evitar interrupção

Com o contrato da FCA perto do fim, o governo estuda uma prorrogação emergencial de até dois anos, analisada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A ideia é assinar um termo aditivo temporário, funcionando como uma ponte regulatória até a conclusão da renovação antecipada com a VLI.

Técnicos da agência avaliam que os meses restantes são críticos para finalizar todas as etapas do processo. A legislação de 2017 autoriza esse tipo de solução quando há risco de descontinuidade do serviço.

Apesar disso, o Ministério dos Transportes mantém oficialmente o cronograma para renovar a concessão até agosto, com previsão de envio do processo ao Tribunal de Contas da União (TCU) ainda em 2026, etapa que não tem prazo definido para conclusão.

Interesse regional e turismo ferroviário

O debate sobre a reativação do eixo ferroviário também mobiliza lideranças locais. Em janeiro de 2025, prefeitos do Sul Fluminense e da Costa Verde se reuniram em Barra Mansa para discutir a retomada da ligação ferroviária até Angra dos Reis e a reimplantação do Trem Turístico da Mata Atlântica, reforçando o potencial turístico do projeto.

Fonte: Diário do Rio

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