T Ó P I C O : São Carlos pode produzir cafés especiais e integrar rota turística
Informações da Comunidade
Criado em: 28/06/2006
Tipo: Tema
Membros: 5250
Visitas: 28.393.041
Mediador: Sergio Parreiras Pereira
Comentários do Tópico
São Carlos pode produzir cafés especiais e integrar rota turística
Autor: Leonardo Assad Aoun
33 visitas
1 comentários
Último comentário neste tópico em: 29/01/2026 17:11:35
Leonardo Assad Aoun comentou em: 29/01/2026 17:35
São Carlos pode produzir cafés especiais e integrar rota turística
Altitude, qualidade do solo e condições climáticas dão à região da Babilônia as condições necessárias para a apresentação de um produto de primeira qualidade

A região da Babilônia, em São Carlos, famosa por abrigar o Santuário de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, pode em breve ficar famosa por outro motivo. A região concentra pelo menos 15 produtores de café que têm condições de produzir cafés especiais, com alto valor no mercado internacional. Assim, o produto poderá atingir o mercado global, com bons rendimentos aos cafeicultores, e promover uma retomada do município nessa área, pois Santa Eudóxia já chegou a produzir, no século XIX, o café preferido pela Rainha Vitória.
Ao mesmo tempo, o Sebrae orienta de várias formas os produtores para também fazerem parte de um projeto que leve São Carlos a integrar as Rotas do Café de São Paulo. Esse projeto da Secretaria Estadual de Turismo conecta a história do café com o presente, aproximando o visitante de produtores, fazendas históricas, torrefações e cafeterias.
São Carlos poderá, por exemplo, integrar a região da Cuesta, Itaqueri e Tietê, uma área que tem uma geografia única, com relevos marcantes e solos que favorecem o cultivo de cafés de qualidade. Localizada no centro-oeste paulista, em municípios como Brotas, Dois Córregos e Dourado, essa região se destaca pelo desenvolvimento de cafés artesanais e processos de torrefação cuidadosos. Além da produção, a área combina o turismo rural com atividades de aventura, oferecendo experiências que vão além da xícara, incluindo trilhas e visitas a propriedades sustentáveis.
“Atuar em um mercado tão competitivo como o de café especial assusta a maioria dos produtores rurais, pois desafia a percorrer caminhos desconhecidos para a realidade de vida do produtor, que, em alguns casos, se limitou a produzir o café e a vender para elos da cadeia que nem sempre valorizam de forma adequada o produto, nivelando a qualidade por baixo”, explica o consultor de negócios do Sebrae, Luis Adriano Alves Pinto, em entrevista exclusiva ao São Carlos Agora.
“Levando em consideração que, em São Carlos, a produção de café atravessa gerações, o município conta com alguns atributos que fazem a diferença, como, por exemplo, a altitude da região da Babilônia, que ultrapassa os 850 metros e, em alguns casos, chega a quase 1.000 metros em relação ao nível do mar”, comenta.
Segundo Luís Adriano, soma-se a esse fator a questão da amplitude térmica, a pluviometria anual da região e a localização. A combinação desses elementos permite ultrapassar a nota de 80 pontos, exigida para que o produto seja considerado café especial.
“Mas como descobrir se o café de fato é bom e se pode ser chamado de café especial? É necessário produzir o café buscando um referencial comparativo, com a chancela de provadores gabaritados que utilizam a tabela de avaliações da Brazilian Specialty Coffee Association (BSCA), que, no cup, avalia os atributos físicos e organolépticos da bebida. Isso leva à necessidade de o produtor se preparar para participar de concursos de qualidade do café, pois o resultado trará maior segurança para afirmar que o café produzido é, de fato, um café especial”, avalia o consultor do Sebrae.
Análises prévias demonstram que o produtor de café em São Carlos tem potencial na produção de cafés especiais e já vem trabalhando no aprimoramento do processo de pós-colheita, a fim de atingir melhores resultados em concursos de qualidade. Uma forma de agregar valor ao produto é a busca por reconhecimentos que estão fora do alcance direto do território de produção.
“Esse reconhecimento se dá por meio da participação em um selo de Indicação Geográfica, ampliando o merecido reconhecimento do café e de sua qualidade, que, aliado a controles gerenciais e à criação e divulgação da marca, certamente fará muita diferença no faturamento da propriedade”, explica.

A escalabilidade vem com a participação em rotas turísticas, como, por exemplo, o Caminho da Fé ou mesmo uma rota específica, como a Rota do Café, criada pelo Governo do Estado de São Paulo, em uma ação coletiva das secretarias de Agricultura, Turismo e Desenvolvimento Econômico. Essa participação gera oportunidades de mercado, diferencial competitivo nos cafés especiais e avanços na Indicação Geográfica.
“Os produtores de café da Babilônia passaram por um diagnóstico promovido pelo Sebrae para avaliar se o grupo tem potencial para obter uma Indicação de Procedência do Café da Babilônia (São Carlos). Informações iniciais indicam que sim, existe um caminho, que será detalhado em um relatório a ser entregue em breve, dando continuidade aos trabalhos de governança, envolvendo entidades locais, gestão pública, universidades, escolas técnicas, além do Sebrae e do Senar”, ressalta Luís Adriano.
Qual a lição de casa enquanto o relatório não chega?
Será trabalhado com os produtores:
Introdução do Caderno de Campo na propriedade
Identificação dos defeitos que depreciam a nota do café
Melhoria dos processos de colheita, pós-colheita e armazenagem
Preparação de amostras para concursos
Participação no Concurso de Café do Sindicato Rural
Participação no Concurso Estadual de Café
O projeto contempla inicialmente 15 produtores de café, especificamente da região da Babilônia, mas poderá ser ampliado para outras regiões que tenham produtores interessados em participar.
“Todo esse trabalho tem como objetivo preparar não apenas a propriedade, mas também o produto e a gestão do produtor para que, no momento da atualização da Rota do Café, prevista para setembro, tudo esteja pronto. Turismo e café gerando oportunidade e renda no campo”, destaca.
Fonte: São Carlos Agora
Visualizar |
| Comentar
|


