Rede Social do Café

T Ó P I C O : Como um pássaro da Mata Atlântica cria um dos cafés mais caros do mundo?

Informações da Comunidade

Criado em: 28/06/2006

Tipo: Tema

Membros: 5268

Visitas: 28.429.651

Mediador: Sergio Parreiras Pereira

                        

Adicionar ao Google Reader Adicionar ao Yahoo Reader Adicionar aos Favoritos BlogBlogs


Comentários do Tópico

Como um pássaro da Mata Atlântica cria um dos cafés mais caros do mundo?


Autor: Leonardo Assad Aoun

78 visitas

1 comentários

Último comentário neste tópico em: 08/02/2026 20:00:20


Leonardo Assad Aoun comentou em: 08/02/2026 20:26

 

Como um pássaro da Mata Atlântica cria um dos cafés mais caros do mundo?

 

Pássaro da Mata Atlântica escolhe melhores frutos e fermentação digestiva cria sabor único e valorizado

Por Agro Estadão*

Foto: Adobe Stock

Foto: Adobe Stock

O café do jacu é um dos cafés mais caros e únicos do mundo. Esta bebida especial nasce da parceria entre produtores de café brasileiros e uma ave da Mata Atlântica. 

No passado, o fato dos pássaros comerem os frutos do café era um problema para os fazendeiros, mas para alguns isso virou um negócio lucrativo e sustentável.

Antes de conhecer a história desse café único produzido no Brasil, vale entender que ele faz parte de um grupo de cafés obtidos por processo parecido.

Na Tailândia existe o Black Ivory, resultado da digestão de grandes mamíferos, enquanto na Indonésia é feito o famoso Kopi Luwak a partir de grãos ingeridos e defecados pela civeta (luwak), um pequeno mamífero.

O que é o café do jacu e como ele surgiu?

Café do Jacu

Foto: Adobe Stock

Tudo começou quando alguns produtores de café de Minas Gerais e Espírito Santo perceberam algo interessante. O pássaro jacu (Penelope obscura), que vive na Mata Atlântica, só comia os frutos de café que estavam no ponto certo de amadurecimento.

No início, os fazendeiros achavam que o jacu era uma praga. O pássaro comia os frutos do café e causava prejuízo na safra. Mas depois descobriram que o problema poderia virar uma grande oportunidade. A ave fazia uma seleção melhor que os próprios humanos.

Esta descoberta mudou tudo. Os produtores pararam de espantar as aves e começaram a cuidar do ambiente onde elas vivem. Criaram um sistema onde a natureza e a agricultura trabalham juntas.

Como é feito o café do jacu?

café do jacu

Foto: Fazenda Camocim/YouTube/Reprodução

O processo é bem natural e interessante. O jacu come o fruto inteiro do café quando maduro. Dentro do estômago do pássaro acontece uma fermentação natural que muda o sabor do grão de forma especial.

O grão em si não se quebra durante a digestão. Ele sai inteiro nas fezes da ave. Os trabalhadores das fazendas coletam essas fezes todos os dias, procurando nas áreas onde os pássaros costumam ficar.

Depois da coleta, vem a limpeza. Os grãos passam por uma lavagem bem cuidadosa, secagem e torra especial. Cada passo precisa ser feito com muito cuidado para manter a higiene e o sabor único que se formou no estômago do pássaro.

A seleção natural feita pelo pássaro jacu
O jacu tem um talento especial para escolher os melhores frutos. Com seu bico, ele consegue identificar e comer apenas os frutos vermelhos e doces, que são os mais maduros e saborosos.

Esta escolha natural é muito melhor que a humana. Enquanto as pessoas podem misturar frutos verdes com maduros na colheita, o jacu mantém um padrão alto de qualidade através do seu instinto natural.

Por que o preço do café do jacu é tão alto?
O valor alto tem várias explicações. Primeiro, a produção é muito pequena. Cada pássaro produz pouco por dia, então é impossível fazer grandes quantidades como no café comum.

A disponibilidade também varia conforme a época do ano. Os pássaros não ficam sempre no mesmo lugar, eles migram e se reproduzem em ciclos naturais. Em alguns períodos, a produção para completamente.

Além disso, o trabalho para encontrar, coletar e processar os grãos é muito grande. Diferente do café normal que pode usar máquinas, este precisa de pessoas trabalhando o tempo todo de forma artesanal.

Uma das empresas que produz esse café especial é a Fazenda Camocim que fica em Domingos Martins (ES) que já exportou sua produção para mais de 25 países.

O produto é composto por um blend de cafés orgânicos e biodinâmicos, seus melhores grãos são selecionados naturalmente pelo Jacu. Cada quilo desse café é vendido por cerca de R$ 1.500 aos consumidores.

As principais regiões produtoras

café do jacu

Foto: Fazenda Camocim/YouTube/Reprodução

O café do jacu é produzido principalmente na Zona da Mata de Minas Gerais e nas montanhas do Espírito Santo. Segundo a Agência Minas, os produtores dessas regiões foram os primeiros a desenvolver este tipo de cultivo especial.

Nessas fazendas, os produtores cuidam do meio ambiente junto com a produção de café. Eles mantêm áreas de mata preservada perto das plantações. Assim, os pássaros vivem livres no seu ambiente natural e ainda ajudam na produção.

Esta forma de produzir café virou exemplo de sustentabilidade. Pesquisadores e compradores internacionais visitam essas fazendas para conhecer como funciona.

Perfil sensorial: qual o sabor deste café especial?
O café do jacu tem um sabor bem diferente do café comum. O processo que acontece no estômago do pássaro cria sabores florais e frutados na bebida.

A acidez é equilibrada e agradável, não é aquele gosto azedo forte. Diferente de outros cafés que podem ser amargos, o café do jacu mantém uma doçura natural. O gosto fica na boca por mais tempo depois de beber.

As enzimas digestivas (substâncias que ajudam na digestão) do jacu mudam a composição química dos grãos. Isso cria um aroma complexo e único. Especialistas consideram este café uma das experiências de sabor mais refinadas disponíveis no mercado mundial.

*Conteúdo gerado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação Agro Estadão

Visualizar | |   Comentar     |  



1