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T Ó P I C O : Cafés especiais, experiências autênticas e novos empreendimentos no Caparaó

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Cafés especiais, experiências autênticas e novos empreendimentos no Caparaó


Autor: Leonardo Assad Aoun

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Último comentário neste tópico em: 17/02/2026 22:43:00


Leonardo Assad Aoun comentou em: 17/02/2026 23:07

 

Cafés especiais, experiências autênticas e novos empreendimentos no Caparaó

 

No Caparaó, tradição, cafeicultura e turismo rural avançam em sintonia e consolidam a região como um dos polos mais promissores do Espírito Santo

Por Leandro Fidelis | Conexão Safra

Acompanhar a torra, entender a ciência por trás da xícara e viver a experiência de torrar o próprio café é a proposta da família Trindade, do Sítio Alto Cachoeira. Foto: Manu Carvalhais

No Caparaó, tradição, cafeicultura e turismo rural avançam em sintonia e consolidam a região como um dos polos mais promissores do Espírito Santo. No Vale do Guarani, em Piaçu (Muniz Freire), chalés, camping com fogo no chão e cafés especiais convidam o visitante enquanto o município se prepara para receber o novo polo turístico da Fazenda Santa Maria, apoiado pelo Sebrae/ES. A região também integra a Rota do Café Especial do Espírito Santo, ampliando sua visibilidade estadual.

Lançada em dezembro, o  primeiro circuito do Caparaó inteiramente voltado aos cafés especiais reúne propriedades, espaços de degustação e experiências imersivas que aprofundam a relação do turista com a cultura do café. A Rota do Café inicia com dez produtores vinculados à Associação dos Produtores de Cafés Especiais do Caparaó (Apec) e prevê expansão em 2026, ampliando o fluxo turístico e consolidando novas oportunidades para a cafeicultura local.

Nesse contexto, o Sítio Alto Cachoeira se destaca como um dos empreendimentos. A iniciativa vem transformando a atividade turística e ampliando a conexão entre visitantes, produtores e a história local. Para a família responsável pela propriedade, a experiência vai além da visitação e do consumo do café. “A Rota do Café é, sem dúvidas, um marco para a cidade e para a região, pois permite mostrar aos turistas a cultura e a tradição do nosso café, recebendo-os na propriedade para conhecer de perto os processos produtivos”, afirma o cafeicultor Eduardo Trindade Vettorazzi.

Em Dores do Rio Preto, mais perto do Pico da Bandeira, o avanço do turismo rural acompanha o crescimento da produção de cafés especiais, que há anos impulsiona a economia do município. No Sítio Dois Corações, Viviane Viletti e Miguel Pereira diversificaram as atividades da propriedade e transformaram o espaço em destino de hospedagem, com chalé voltado para a cordilheira do Parque Nacional do Caparaó. A proposta inclui experiências como panificação artesanal, degustação de cafés da casa e contemplação do entardecer, iniciativa que tem atraído visitantes e motivado o casal a expandir a estrutura com novos chalés e área de lazer.

A qualificação tem sido peça-chave nesse processo. Participante do Projeto Mulheres do Café, iniciativa coordenada pela engenheira agrônoma Patrícia Campbell (Incaper), Viviane se dedica ao aprendizado em barismo, produção e torra de cafés superiores. O sítio também recebe acompanhamento técnico para manejo agroecológico, melhoria da lavoura e participação em programas de compras institucionais, reforçando a integração entre produção agrícola e turismo.

Outro destaque é o Restaurante Engenho do Vovô, comandado por Sandra Moreira, Mestre de Cachaça e chef de cozinha. Com restaurante integrado ao alambique da família, área de café, jardins e lagos, o empreendimento oferece experiências ligadas à gastronomia regional e à cultura da cachaça artesanal. A arquitetura do espaço narra o legado da família, enquanto Sandra se capacita com apoio do Sebrae e do Incaper para aprimorar processos e ampliar a atuação no turismo rural.

Em ordem, o Vale do Guarani e a Fazenda Santa Maria, em Muniz Freire, e o Restaurante Engenho do Vovó

O Sítio Águas da Mata Caparaó, administrado por Maria Cristina Moreira, complementa o cenário com hospedagem à beira de lago, trilhas, pesca e observação de pássaros. Pioneira no turismo rural de Dores e presidente da Associação de Empreendedores em Agroecoturismo, Artesanato e Cultura, Cristina alia produção agroecológica de cafés à preservação ambiental e participa ativamente do Projeto Mulheres do Café, além de receber orientação técnica do Incaper para ampliar seus projetos.

Esses empreendimentos têm contado com apoio contínuo do Incaper, que acompanha desde o manejo das lavouras até licenciamento, boas práticas de fabricação e análises de água em parceria com a Ufes. Para a extensionista Priscila Nascimento, ver a evolução das famílias é motivo de satisfação. “É extremamente gratificante ver o quanto eles estão crescendo e se desenvolvendo. Saber que nosso apoio contribuiu para que chegassem até aqui, e ainda irão muito mais longe, nos deixa muito felizes”, afirma.

A expansão das rotas e o fortalecimento das propriedades do Caparaó também refletem um movimento de integração regional sem precedentes. O projeto “Governança sem Fronteiras”, parceria entre Sebrae/ES e Sebrae/MG, busca consolidar o Caparaó como território empreendedor interestadual, fortalecendo pequenos negócios e criando identidade turística comum entre Espírito Santo e Minas Gerais.

Entre os resultados já alcançados pela iniciativa estão a criação do movimento “Unidos pelo Parque”, que solicitou ao Ministério do Meio Ambiente e ao ICMBio a reestruturação da equipe do Parque Nacional do Caparaó, e a formação do Consórcio de Prefeitos do Caparaó Mineiro. A parceria também formalizou um termo de cooperação técnica entre Sebrae/ES e Sebrae/MG, além do desenvolvimento do branding da Estrada Parque Caparaó, que estabelece identidade visual única para todo o território. “Essa parceria é um marco para a integração entre estados vizinhos. Queremos mostrar que governança não é apenas um conceito, mas uma prática entre líderes e empreendedores que geram resultados concretos para empresas de todos os portes”, destaca o gerente da Unidade Regional Caparaó, Anderson Baptista.

Para Baptista, a consolidação de um território turístico interestadual no Caparaó já é realidade. O gestor destaca que o visitante não percebe fronteiras, e que iniciativas como a formatação da travessia dos Sete Cumes e a ampliação das experiências rurais e de natureza projetam o território nacional e internacionalmente. “Temos atrativos consolidados como o Pico da Bandeira e estamos formatando novos produtos, como a travessia dos Sete Cumes, que certamente projetará o território para todo o Brasil e até internacionalmente”, afirma.

*Com informações do Incaper e Sebrae/ES

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