T Ó P I C O : Calor extremo ameaça café no Brasil: país já registra 70 dias extras por ano acima de 30°C nas áreas produtoras; preço tende a aumentar
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Calor extremo ameaça café no Brasil: país já registra 70 dias extras por ano acima de 30°C nas áreas produtoras; preço tende a aumentar
Autor: Leonardo Assad Aoun
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Leonardo Assad Aoun comentou em: 18/02/2026 15:30
Calor extremo ameaça café no Brasil: país já registra 70 dias extras por ano acima de 30°C nas áreas produtoras; preço tende a aumentar
Análise mostra que os cinco maiores produtores do mundo enfrentam alta recorde de dias de calor prejudicial ao grão; Brasil, responsável por 37% da produção global, está entre os mais impactados
Por Nilson Cortinhas | Um Só Planeta
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Um pé de café com suas grandes folhas escuras — Foto: Dang Cong/Unsplash
Bebida consumida em cerca de 2 bilhões de xícaras por dia no mundo, o café já lida com o impacto da crise climática. Uma nova análise da organização científica Climate Central, divulgada pelo The Gurdian, indica que os cinco maiores países produtores, responsáveis por 75% da oferta global, registraram em média 57 dias adicionais por ano de calor acima de 30°C entre 2021 e 2025. A temperatura é considerada prejudicial ao desenvolvimento do grão.
O Brasil, maior produtor mundial e responsável por 37% da produção global, aparece entre os mais impactados: foram 70 dias extras por ano acima de 30°C nas regiões cafeeiras, segundo o levantamento.
Embora o Brasil tenha uma estrutura produtiva mais mecanizada e tecnificada, o aumento de dias acima de 30°C pode acelerar a migração das lavouras para altitudes mais elevadas, pressionando novas áreas e alterando o mapa agrícola nacional.
No ranking dos países mais afetados, o Brasil ficou atrás apenas de El Salvador, que registrou 99 dias adicionais de calor extremo.
A pesquisa comparou o número de dias acima de 30°C nas regiões produtoras com o que teria ocorrido em um mundo sem poluição por carbono. A conclusão é que o aquecimento causado pela atividade humana já está alterando as condições ideais da chamada “faixa do café”, área entre os trópicos onde temperatura e regime de chuvas sempre foram favoráveis ao cultivo.
“Estresse térmico”
As plantas de café, especialmente a variedade arábica, têm dificuldade em prosperar quando a temperatura ultrapassa 30°C. O estresse térmico reduz produtividade, compromete a qualidade do grão e aumenta a vulnerabilidade a doenças. Na Etiópia, berço do café e responsável por 6,4% da produção mundial, os impactos já são visíveis.
“O arábica etíope é particularmente sensível à luz solar direta. Sem sombra suficiente, os cafeeiros produzem menos grãos e se tornam mais vulneráveis a doenças”, disse a gerente-geral da União das Cooperativas de Cafeicultores de Oromia, Dejene Dadi, ao The Guardian.
Pequenos produtores
Globalmente, entre 60% e 80% do café é produzido por pequenos agricultores. No entanto, segundo estudo citado na análise, apenas 0,36% dos recursos necessários para adaptação climática chegaram a esses produtores em 2021.
No Brasil, sistemas agroflorestais e plantios com sombreamento ganham importância como alternativas de adaptação, alinhando produção com conservação. Já na Etiópia, cooperativas passaram a distribuir fogões energeticamente eficientes para reduzir o desmatamento em áreas florestais que funcionam como abrigo natural das plantações. A estratégia mostra como floresta e café podem caminhar juntos.
Preço recorde
Os efeitos climáticos já aparecem nos mercados. De acordo com o Banco Mundial, os preços do arábica e do robusta quase dobraram entre 2023 e 2025.
Em fevereiro de 2025, o café atingiu seu maior valor histórico.
Como maior exportador mundial, o Brasil é sensível a oscilações de produtividade e preços. O setor cafeeiro representa bilhões de dólares em exportações e é estratégico para estados como Minas Gerais, Espírito Santo e Bahia. Se o número de dias extremos continuar aumentando, a tendência é que o país enfrente queda de rendimento, aumento de custos com irrigação e sombreamento e maior incidência de pragas.
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