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T Ó P I C O : Brasil na linha de fogo do clima: 70 dias extras de calor ameaçam produção e preço do café

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Brasil na linha de fogo do clima: 70 dias extras de calor ameaçam produção e preço do café


Autor: Leonardo Assad Aoun

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Último comentário neste tópico em: 25/02/2026 17:06:51


Leonardo Assad Aoun comentou em: 25/02/2026 14:50

 

Brasil na linha de fogo do clima: 70 dias extras de calor ameaçam produção e preço do café

 

Análise global mostra que o maior exportador mundial enfrenta temperaturas extremas inéditas, queda de safra e ajuste de mercado 

Por Ernesto Neves 

Fazenda de café em Caconde, no interior de São Paulo: seca devastou lavouras

Fazenda de café em Caconde, no interior de São Paulo: seca devastou lavouras (Getty/Getty Images) 

De acordo com os dados da Climate Central, instituição que pesquisa e divulga informações sobre a crise climática, as principais regiões produtoras de café do Brasil estão enfrentando um aumento recorde de dias com temperaturas acima de 30 °C.

As novas condições prejudicam diretamente a produção do grão, especialmente da variedade arábica, a mais valorizada no mercado internacional. 

O Brasil, maior exportador mundial de café, registrou 70 dias extras de calor intenso por ano, elevando o risco de redução de safra e aumento de preços globais. 

A análise da Climate Central revelou que os cinco países que respondem por 75% da produção mundial de café enfrentam, em média, 57 dias adicionais por ano com calor prejudicial ao cultivo, comparado a um cenário sem impactos das mudanças climáticas. 

Minas Gerais, principal polo produtor brasileiro, contabilizou cerca de 67 dias extras com temperaturas acima do limite seguro para o cultivo da arábica. 

Impactos na planta e na produção 

O aumento da temperatura média e dos dias extremos afeta diretamente a fisiologia da planta, reduzindo a fotossíntese, prejudicando o enchimento dos grãos e diminuindo a produtividade. 

Cultivares sensíveis, como o arábica, sofrem mesmo com pequenas elevações de temperatura, cenário que já se tornou realidade em muitas regiões do Sudeste e do Cerrado mineiro. 

Segundo agrônomos brasileiros, o estresse térmico já está reduzindo a produtividade das lavouras e aumentando a vulnerabilidade das plantas a doenças. 

Além disso, as mudanças climáticas também afetam a saúde dos trabalhadores rurais, que precisam lidar com temperaturas extremas e longas jornadas sob o sol. 

Consequências econômicas e de mercado 

O clima adverso tem impacto direto no mercado global. A redução da oferta eleva os preços da commodity, que já atingiram patamares históricos nos últimos anos. 

Pequenos produtores, responsáveis por grande parte da produção brasileira, enfrentam custos crescentes com irrigação e adaptação das técnicas de cultivo. 

O fenômeno é agravado pela perda de áreas de sombra e desmatamento em regiões cafeeiras, que reduzem a proteção natural das plantas e intensificam a escassez hídrica. 

Entre 2002 e 2023, cerca de 737 mil hectares de florestas foram desmatados em áreas ligadas à produção de café, aumentando a vulnerabilidade climática da lavoura. 

Caminhos para adaptação 

Especialistas defendem que a adaptação à crise climática passa por investimentos em agroflorestas, variedades de café resistentes ao calor e políticas públicas robustas de financiamento climático. 

No entanto, boa parte desses recursos ainda não chega aos pequenos agricultores, que respondem por até 80% da produção nacional. 

Fonte: Veja

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