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T Ó P I C O : Conflito no Oriente Médio pesa no bolso de produtores de café do Brasil

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Conflito no Oriente Médio pesa no bolso de produtores de café do Brasil


Autor: Leonardo Assad Aoun

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Último comentário neste tópico em: 19/05/2026 17:48:27


Leonardo Assad Aoun comentou em: 19/05/2026 18:10

 

Conflito no Oriente Médio pesa no bolso de produtores de café do Brasil

 

Exportadores acompanham oscilações nas bolsas internacionais enquanto produtores enfrentam dificuldade para comprar insumos

Conflito no Oriente Médio pesa no bolso de produtores de café do Brasil

Alta do petróleo aumentou despesas ligadas ao transporte e à logística do agronegócio (Foto: Criada por IA/O Brasilianista)

Por Manoela Cardozo | O Brasilianista

A escalada das tensões no Oriente Médio começou a atingir diretamente a produção de café no Brasil. O aumento do petróleo no mercado internacional, a valorização do dólar e o encarecimento dos fertilizantes elevaram os custos da atividade rural e mudaram o cenário para produtores e exportadores nas últimas semanas.

O setor passou a enfrentar dificuldades maiores na compra de insumos agrícolas, principalmente fertilizantes, além de custos mais elevados com energia e transporte. A situação ganhou força após o agravamento do conflito envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos, que aumentou a instabilidade nos mercados internacionais.

Dados do banco holandês Rabobank apontam piora na relação de troca entre o café arábica e os fertilizantes. Em março, eram necessárias 4,66 sacas do grão para adquirir uma tonelada do insumo. Em abril, o volume subiu para 4,97 sacas.

Na comparação anual, o cenário se tornou ainda mais pesado para o produtor brasileiro. Em abril de 2025, eram necessárias apenas 2,25 sacas de café para a compra da mesma quantidade de fertilizante. O aumento mostra a perda do poder de compra do cafeicultor em poucos meses.

Além do avanço dos fertilizantes, o setor também passou a lidar com oscilações no câmbio. O dólar acumulou alta expressiva frente ao real durante a semana analisada, ampliando a pressão sobre os custos de produção e sobre as negociações do mercado interno. As informações são da CNN Brasil.

O petróleo também teve forte valorização. O barril chegou perto de US$ 110 em meio às incertezas internacionais, cenário que aumentou despesas ligadas ao transporte, logística e distribuição no agronegócio.

Mercado internacional teve dias de forte volatilidade

As bolsas internacionais do café registraram oscilações intensas ao longo da semana. Investidores acompanharam tanto o avanço da crise no Oriente Médio quanto as projeções para a próxima safra brasileira.

Segundo o Centro do Comércio de Café de Minas Gerais, a expectativa de uma safra recorde no Brasil em 2026/2027 aumentou a volatilidade nos contratos negociados nas bolsas de Nova York e Londres. O cenário internacional também influenciou diretamente o comportamento das cotações.

Na ICE Futures US, em Nova York, os contratos de arábica para julho chegaram à máxima de US$ 2,7800 por libra peso antes de encerrarem o pregão em queda de 3,19%. Já na ICE Europe, em Londres, os contratos de robusta terminaram o dia cotados a US$ 3.365 por tonelada, também em baixa.

Mesmo com a queda registrada no exterior, o avanço do dólar reduziu parte das perdas para os preços em reais. Os contratos futuros do arábica encerraram a semana equivalendo a R$ 1.789,28 por saca.

No mercado físico brasileiro, compradores diminuíram os valores das ofertas durante os últimos dias. Ainda assim, negócios continuaram sendo fechados diariamente. O volume negociado, porém, segue abaixo do considerado necessário para atender plenamente a demanda das exportações.

O setor também acompanha com atenção as condições climáticas para os próximos meses. O Rabobank informou que a previsão de menor volume de chuvas em regiões produtoras aumentou a apreensão no mercado internacional. A preocupação está associada aos efeitos do fenôeno El Niño.

Exportações seguem abaixo do esperado

Os embarques brasileiros de café apresentaram leve crescimento em abril. O país exportou 3,12 milhões de sacas no período, número um pouco acima do registrado no mesmo mês do ano passado.

Apesar disso, os embarques de café arábica registraram queda expressiva. Em abril, o volume exportado do grão ficou quase 16% abaixo do observado no mesmo período de 2025.

Entre janeiro e abril de 2026, o Brasil embarcou 8,98 milhões de sacas de arábica. O resultado ficou mais de 23% abaixo do registrado no mesmo intervalo do ano anterior.

A expectativa do mercado é que a safra brasileira de café 2026/2027 alcance 73,3 milhões de sacas de 60 quilos. A estimativa prevê produção de 48,7 milhões de sacas de arábica e 24,6 milhões de conilon.

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