T Ó P I C O : Dia Nacional do Café: Brasil consome 1,4 mil xícaras por pessoa ao ano
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Dia Nacional do Café: Brasil consome 1,4 mil xícaras por pessoa ao ano
Autor: Leonardo Assad Aoun
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Último comentário neste tópico em: 25/05/2026 12:17:03
Leonardo Assad Aoun comentou em: 25/05/2026 12:33
Dia Nacional do Café: Brasil consome 1,4 mil xícaras por pessoa ao ano
Brasil é líder em produção e exportação de café no mundo
Por Isadora Camargo, da CNN Brasil, São Paulo

Brasil é maior produtor de café do mundo • Pexels
O Dia Nacional do Café, celebrado em 24 de maio, chega em um momento em que o Brasil reforça sua posição como potência mundial do grão — da lavoura à xícara. Maior produtor e exportador global, o país também segue entre os maiores consumidores do mundo, mesmo em meio à alta recente dos preços.
A data foi criada para marcar o início da colheita nas principais regiões produtoras do país. Também se tornou símbolo da cultura cafeeira brasileira, que movimenta desde cafeterias especiais até cooperativas gigantescas no interior de Minas Gerais.
Dados da Abic (Associação Brasileira da Indústria de Café) mostram que o café está presente em 98% dos lares brasileiros. Em 2025, o consumo interno alcançou 21,4 milhões de sacas, o equivalente a cerca de 1,4 mil xícaras por pessoa ao ano.
Este consumo podia ser ainda maior, não fosse os picos de preços entre 2024 e 2025, decorrentes de problemas climáticos que afetaram safras globais e estoques nas indústrias, incluindo as brasileiras. Mas o cenário começou a mudar e o preço no varejo voltou a cair.
Apesar do recuo de 2,3% no consumo em 2025, a indústria teve forte avanço em faturamento, impulsionado pelos preços mais altos nas gôndolas. Segundo a Abic, o setor movimentou R$ 46,2 bilhões no ano passado.
No mercado externo, os números também impressionam. O Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil) informou que o Brasil exportou cerca de 40 milhões de sacas de café em 2025 para 121 países.
Embora o volume tenha caído em relação ao recorde anterior, a receita cambial atingiu US$ 15,6 bilhões — o maior valor da história do setor.
Os cafés diferenciados — com certificações de sustentabilidade e qualidade superior — já representam mais de 20% das exportações brasileiras. Os Estados Unidos seguem como principal destino desse segmento premium.
No cooperativismo, a Cooxupé, considerada a maior cooperativa de café do mundo, recebeu mais de 6 milhões de sacas de café arábica em 2025, volume equivalente a cerca de 17% da produção nacional da variedade.
A cooperativa reúne mais de 21 mil produtores em Minas Gerais e São Paulo e exporta para cerca de 50 países.
Além disso, o mercado assiste a um aumento de cafeterias e métodos na busca do café perfeito, o que atrai mais consumidores para conhecer cafés de categorias premium, como os especiais, oriundos de lotes raros e com cuidados minuciosos na colheita e na pós-colheita.
Onde o brasileiro toma café?
Dados do Crest - pesquisa online da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) - mostram que o consumo de café fora do lar movimentou cerca de R$ 12 bilhões em 2025, apesar de um cenário de retração no volume de pedidos.
As padarias lideraram o consumo da bebida, concentrando mais de 41% do faturamento do segmento, seguidas pelas redes de alimentação não empratada, com 14%, e por hiper e supermercados, com 13%, de acordo com a análise pelo IFB (Instituto Foodservice Brasil).
Ao longo do ano, foram registrados aproximadamente 1 bilhão de pedidos ou transações envolvendo café, volume 17% menor em relação a 2024. O gasto total também recuou, com queda de 6% no mesmo período.
“O café segue como um símbolo da rotina do brasileiro, presente em diferentes momentos do dia, mas os dados mostram um consumidor mais atento e criterioso em suas escolhas”, afirmou Ingrid Devisate, Vice-Presidente Executiva do IFB.
Segundo a executiva, a adaptação do comércio à transição de consumo de café acompanham uma tendência global da bebida, que está aparecendo cada vez mais de forma gelada, em drinks não alcóolicos, com adição de proteínas, entre outras formas.
O levantamento aponta ainda que a bebida segue fortemente ligada à rotina diária do brasileiro. Mais de 64% do consumo ocorre no café da manhã, enquanto o lanche da tarde responde por 26% das ocasiões de consumo.
O perfil do consumidor permaneceu relativamente estável: adultos acima de 25 anos representam mais de 83% da demanda. E o mundo se adaptará à oferta de café.
Segundo o IFB, fatores como conveniência, hábito e indulgência continuam entre os principais motivadores para o consumo de café fora do lar, embora tenham perdido relevância na comparação anual, indicando um consumidor mais atento e seletivo nas escolhas.
Preços de café
O preço do café começou a dar sinais de estabilidade em 2026, após atingir recordes históricos no ano passado, segundo levantamento da empresa de benefícios VR, em linha com os dados oficiais da Abic (Associação Brasileira da Indústria de Café) divulgados na semana passada, que mostram um recuo da bebida.
A análise, feita com base em mais de 17 milhões de notas fiscais emitidas no país, mostra que o pacote de café moído de 500 gramas tem oscilado em torno de R$ 26 no primeiro quadrimestre deste ano, abaixo do pico de R$ 29,71 registrado em maio de 2025.
Ainda assim, o valor segue quase o dobro do observado em janeiro de 2023, quando o mesmo produto custava R$ 13,63.
Os dados indicam que a pressão inflacionária sobre a bebida perdeu força neste ano, mas os preços permanecem em patamares elevados para o consumidor.
O café moído de 250 gramas, por exemplo, ficou na faixa de R$ 19 a R$ 20 no primeiro quadrimestre de 2026, depois de atingir R$ 21,03 em junho de 2025.
O aumento acumulado entre o maior valor de 2023 e o pico de 2025 foi de 108,6%.
O levantamento também aponta comportamento mais moderado nos cafés em cápsula. O preço médio do produto ficou em R$ 15,76 neste ano, após alcançar o recorde de R$ 17,66 em agosto de 2025.
Já o café solúvel foi a única categoria a apresentar acomodação mais evidente, com média próxima de R$ 15 no primeiro quadrimestre, pouco abaixo do pico de R$ 15,34 registrado em novembro do ano passado.
Segundo a VR, o estudo utiliza inteligência artificial para identificar produtos nas notas fiscais escaneadas pelos consumidores por meio do código NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul).
A base reúne compras realizadas por mais de 4 milhões de trabalhadores em diferentes meios de pagamento, incluindo cartões, Pix e vale-refeição.
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