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T Ó P I C O : PORTUGAL | Um diabético pode beber café? – A sua pergunta

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Criado em: 28/06/2006

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PORTUGAL | Um diabético pode beber café? – A sua pergunta


Autor: Leonardo Assad Aoun

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Último comentário neste tópico em: 29/05/2026 13:40:36


Leonardo Assad Aoun comentou em: 29/05/2026 13:51

 

PORTUGAL | Um diabético pode beber café? – A sua pergunta

 

O café faz parte da rotina de muitos portugueses, mas quando há diabetes surgem dúvidas: será que pode interferir com a glicemia? A Nutricionista Mariana Chaves esclarece.

 

Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Seja bem-vindo ao "Aprender a Comer". Esta é a edição extra que responde à sua pergunta. Olá, Mariana.

Olá, Nelson.

E hoje vamos responder à pergunta do António. Enviou-nos um e-mail para marianachaves@observador.pt. Já sabe que pode fazer o mesmo que o António. O António quer saber: um diabético pode beber café? Mariana, vamos começar pela resposta simples. Pode ou não pode?

Pode, sim senhora. Obviamente que o café é uma bebida que não tem quaisquer calorias associadas, não tem açúcar adicionado.

Se não metermos o pacotinho.

Pronto, cá está. É daquelas perguntas que a resposta curta normalmente não chega, infelizmente. Eu sei que as pessoas adoram só um sim e um não, mas a resposta curta não chega, principalmente por esse aspecto. Que café é? Com o quê? Em que momento do dia? Sem açúcar é muito diferente de com mel, com açúcar, com xaropes, leites condensados, com chantilly. Ou imagina agora estas novas versões de cappuccinos ou de lattes.

Dá para fazer um desenho por cima.

Exato. Tudo o que se pareça. É que na verdade aquilo é quase uma sobremesa líquida, porque estamos a falar de bebidas. Podem ser bebidas vegetais, muitas vezes até têm muita adição de açúcar, atenção. Portanto, é muito diferente. Eu penso que o António estava a me perguntar aqui o café puro, diria eu. Mas é importante nós não deixarmos de pensar nisto. E que na diabetes, estamos a falar da diabetes tipo dois, que é muito diferente da diabetes tipo um. O problema na diabetes tipo dois é que em relação ao café, não é o café, é o que vem com o café.

Claro, o café simples.

O café simples. Nelson, lembrei-me agora também que há muitas pessoas que dizem assim: "Não deixo de comer uma bolachinha com o meu café ou acompanhar um pastel de nata".

Isso aí já é outra conversa. Porque o café simples não parece que seja o vilão.

Não, não é. Era isso, o impacto na glicemia. Sozinho, isolado. Nós temos também de dar aqui um contexto importante, que é: o café isolado. Eu não estou a comer nada, eu bebo o meu café, ele tem impacto na glicemia? Não, não há evidência nesse aspecto. E o café tem muitas vantagens nutricionais. Aliás, já tivemos vários episódios sobre o café, que eu acho que vale a pena rever, porque na verdade antigamente achava-se que o café não fazia bem à saúde. E hoje em dia nós sabemos que há muitas vantagens para a nossa saúde, em termos metabólicos também. Temos aqui, pelo menos um que me lembro, que é o "Posso beber café depois da refeição?", em que também falamos de interação com nutrientes. E depois também temos outro, que era responder à grande pergunta, que é quantos cafés podemos beber por dia. Vão lá ouvir, que eu acho que vale a pena. Mas também já falamos aqui bastante de diabetes. Temos um programa que se chama "Diabetes: cortar tudo ou transformar?" Que eu acho que foi daqueles em que nós nos dedicamos aqui mais a falar dos grandes cuidados que esta doença implica para que nós tenhamos a doença mais controlada em termos alimentares. Estamos a falar de diabetes tipo dois, é importante.

Mas afinal, a cafeína pode ou não mexer com o açúcar no sangue? Esta é a questão do António também.

Sim, este ponto é muito interessante, principalmente se nós pensarmos que se for a bebida tomada no final da refeição.

É que de alguma forma o café é um estimulante.

Sim, sem dúvida. Nós depois bebemos o café, ele vai atingir o pico no nosso sangue cerca de 30 a 60 minutos depois, e que pode continuar durante várias horas, até 10 horas. Não sei se sabem, mas há pessoas que geneticamente são sensíveis à cafeína e outras que não. Portanto, não é igual para todos.

Há pessoas que tomam antes de ir para a cama e não têm qualquer impacto no sono.

Sim, verdade. Se uma pessoa com diabetes beber café com cafeína, café mesmo, durante uma refeição que seja rica em hidratos de carbono, por exemplo, uma refeição com pão, com arroz, com massa, com batata ou mesmo com uma sobremesa, um gelado, o efeito da cafeína pode coincidir com o momento em que a glicose dessa refeição está a entrar no sangue. Em algumas pessoas, em alguns estudos e algumas análises que foram feitas, pode-se traduzir numa glicemia um bocadinho mais aumentada pós-refeição. A evidência ainda não é perfeita, é importante também dizer isto, mas eu acho que o António quando fez esta questão, talvez possa ter sido por ter ouvido falar de alguma forma disto. É que há ensaios clínicos pequenos e há revisões sistemáticas que surgem realmente com este ponto, que a cafeína pode induzir temporariamente.

Pode reduzir a sensibilidade à insulina.

Sim, exatamente. E pode aumentar a resposta da glicose. Sobretudo em pessoas diabéticas e não em pessoas não diabéticas.

Mas para essas pessoas a recomendação seria deixar mesmo de beber café?

Não, de todo. A recomendação não é essa, até porque não é um alimento que aumenta a glicemia. Portanto, isto é assim um cuidado extra. A recomendação é sempre, se possível, ainda por cima sendo diabéticos, deveriam observar a sua resposta individual. Esse é que é o ponto. Porque há pessoas com essa doença que bebem café simples e não notam alteração nenhuma, passado uma, duas, três horas, e há outros que sim. Os sensores de glicose são muito úteis, e para gerir bem a doença são realmente fundamentais. Realmente, em três dias consecutivos a pessoa pode ter essa prova. Toma o café no final dessa refeição. Estamos sempre a falar, este é um enquadramento específico. Que é no final da refeição que tem hidratos de carbono. Tomar café e tomar descafeinado em três dias consecutivos cada um deles. Três dias a tomar café no final, três dias a tomar descafeinado no final. E medir a sua glicemia pós-prandial com umas refeições que sejam similares em termos de hidratos de carbono.

Mas há diferença para o descafeinado? O descafeinado pode ser uma alternativa?

Sim, nesses estudos diziam que o descafeinado não teria esse pequeno impacto. Atenção que estamos a falar de pequenos impactos.

Sim, e estudos também pequenos, pelo que percebi. E qual é o maior erro que uma pessoa com diabetes pode cometer com o café? É de facto deitar-lhe açúcar, acho eu.

Sem dúvida, mas ainda há tantos portugueses que põem açúcar no café, Nelson.

Eu já deixei essa vida há muitos anos. Eu agora só tomo café simples. E é muito mais saboroso.

Sem dúvida. Há pessoas que me dizem: "Eu não gosto do sabor a café se não for assim". Mas há cafés com diferentes intensidades. Portanto, há uma solução aí. A solução não pode ser continuar a pôr o açúcar, que já todos sabemos que tem impacto negativo na nossa saúde em tantos aspectos.

É que eu acho que muita gente olha para o café ainda como uma sobremesa. Ou um dos momentos da sobremesa, que é ainda pior.

Eu também acho. É assim um bocadinho como tira-gostoE, na verdade, a fruta deveria ser o tira-gosto. A água com gás devia ser o tira-gosto ou lavar os dentes. São tudo soluções. Beber o café também, obviamente, mas não pôr o açúcar no café.

Qual seria a resposta final para o António? Café sim, mas com alguma atenção?

Não sei se no caso dele, se é um caso mesmo de pessoa com diabetes ou tenha familiar com diabetes e, portanto, eu acho que tem que separar estes dois conceitos. Café isolado não tem qualquer questão em relação a aumentar a glicemia. Numa refeição que já por si só irá aumentar a glicemia, uma refeição com hidratos de carbono em grande quantidade e de absorção rápida, que poderá exponenciar um bocadinho esse valor, mas isso é resposta individual, portanto, não vamos tirar conclusões precipitadas, vamos analisar caso a caso. Mas eu diria que o core da solução será consertar essas refeições e não estar a pensar que o café é o mal da fita.

Claro. Voltando um bocadinho atrás, há regras que podemos seguir. Café simples, sem açúcar, pode. Mais regras.

Então, mais regras.

Aquelas bebidas doces.

Sem dúvida que essas são de eliminar. Café com cafeína, com essas refeições, imaginem que vão comer de repente um risoto ou um espaguete.

Muitos hidratos.

Exatamente. Não é uma boa altura pra beber café logo a seguir, esperem um bocadinho, mas primeiro que tudo, comam a salada antes desse risoto, faz favor, e controlem a quantidade do risoto pra que seja só palma da mão. E também desmistificar aqui um bocadinho que o tema não é o café, o tema normalmente é o que vem com o café ou a refeição grande que fizeram antes.

Muito bem, respondemos à pergunta do António nesta edição extra do "Aprender a Comer" e de hoje a uma semana estamos de regresso com a Mariana Chaves. Até lá, Mariana.

Até lá, Nelson.

Fonte: Observador

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