T Ó P I C O : A nova hora da verticalização | Por Ensei Neto
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A nova hora da verticalização | Por Ensei Neto
Autor: Leonardo Assad Aoun
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Último comentário neste tópico em: 01/06/2026 12:00:38
Leonardo Assad Aoun comentou em: 01/06/2026 12:15
A nova hora da verticalização | Por Ensei Neto
Com a baixa nas cotações do café, a verticalização é alternativa aos cafeicultores.
O mercado de café e seu consumo é classificado pelos economistas como inelástico, isto é, que não apresenta variação significativa independente da variação de preço. No entanto, esta premissa é válida para o lado do consumidor, que, quando os preços ficam elevados, como recentemente em decorrência da geada no Brasil em 2021 e períodos de seca que afetaram diversos países produtores, acabam por permanecer nesse patamar.
No período de preços elevados, há uma movimentação muito grande no campo, observando-se em modo acelerado novas áreas de café, renovação de lavouras em locais tradicionais e, principalmente, a entrada de novos investidores que creem na prosperidade infinita que os cafezais podem proporcionar.


Torrando café. Foto: Ensei Neto/Arquivo Pessoal
O resultado, geralmente depois de 3 a 4 anos, é um volume de grãos de café bastante grande, levando a uma queda de preços que pode ser vertiginosa e que causa angústia nos cafeicultores. É o que se observa no momento atual, quando órgãos como a CONAB projetam uma grandiosa safra brasileira, com o fato adicional que os estoques de canéfora são os maiores da história, e de mais uma alta produção pelo Vietnan, pelo lado internacional, justificando a queda das cotações.
Nesses períodos de aperto, os produtores começam a trilhar caminhos alternativos, principalmente através da verticalização de sua operação. Seguir "porteira afora" é preciso.
Este movimento, que tem como característica iniciar atividades diferentes dentro da própria cadeia do café, teve início timidamente no final dos anos 1990, durante uma crise de preços, com a Fazenda Ipanema, gigante na produção de café no Sul de Minas, que estabeleceu uma torrefação e, em seguida, uma cafeteria localizada no bairro de Moema. Também, é dessa época o início das operações do Café Santa Mônica e do Café Fazenda Pessegueiro.
Era ainda um movimento tímido devido ao elevado investimento em maquinários em razão do limitadíssimo número de empresas produtoras de torradores existente, focados em equipamentos de médio e grande porte.


Sistema de embalagem automatizado. Foto: Ensei Neto/Arquivo Pessoal
Logo veio um período de bons preços do grão e, com isso, os produtores voltaram seus esforços à expansão dos cafezais que, como consequência, anos depois, trouxe o retorno da baixa das cotações. Havia se passado pouco mais de uma década do evento anterior, abrindo espaço para novas indústrias de torradores, que passaram a explorar o segmento das micro torrefações com seus equipamentos de 5kg e 10 kg, mais acessíveis e adequados ao tamanho dessas operações.
Nesse momento, as torrefações de cafeicultores pioneiras já se destacavam pelo volume de vendas, fazendo presença nas grandes redes do varejo, enquanto um enorme grupo de micro torrefações surgiu. A partir de 2012 diversas marcas surgiram, apresentando ao público o conceito de micro lotes, a diversidade das variedades e, principalmente, das diferentes regiões produtoras do Brasil.
Tendo comunicação divertida e com embalagens coloridas, diferente do tom clássico e sisudo das torrefações maiores, foi a vez de marcas como Martins Café, que ofereceram torras média clara, com maior destaque para a acidez, que influenciou a geração de novos "coffee lovers".
Vieram as primeiras ondas da dupla El Niño e La Niña, afetando o clima nas regiões cafeeiras de todo o mundo com secas prolongadas e altas temperaturas, provocando rupturas seguidas das safras de café, enquanto o consumo experimentava crescimento consistente. O ponto crítico foi a geada de 2021, levando o café a cotações inimagináveis.
A alta de preços, que explodiu a partir de 2024, foi de grande impacto para o segmento das torrefações e cafeterias, que tiveram dificuldades para repassar o aumento dos custos aos consumidores. Como consequência, boa parte dos cafeicultores aumentaram os cafezais, enquanto muitos ávidos investidores contribuíram para inflar os números em geral.
Hoje, os cafeicultores experimentam o gosto amargo dos preços baixos, com pouca perspectiva de melhora no curto prazo, ainda sob o clima de incertezas que os diversos conflitos estão espalhando em todo o mundo.
Se o mercado está ruim, avançam-se casas no tabuleiro do mercado. Os vários concursos de qualidade estimulam os produtores a terem sua marca e, assim, criar sua micro torrefação é um passo natural. Este é o mesmo movimento que fez o mercado de vinhos se tornar vigoroso, quando o produtor leva seu produto com excelência ao consumidor.

Pequenos torradores são acessíveis aos produtores. Foto: Ensei Neto/Arquivo Pessoal
Um novo movimento de novas pequenas torrefações vem acontecendo de forma acelerada. Novas indústrias de torradores surgiram, além da chegada de equipamentos importados, aumentando a oferta de opções de equipamentos de 1kg a 2 kg de capacidade com muita tecnologia de controle de processo disponível. Para facilitar, há mais opções de embalagens em materiais recicláveis e acessíveis mesmo em pequenas quantidades, bem como de impressoras com alta qualidade e de baixo custo.
Ao identificar que este é um movimento consistente, a ABIC - Associação Brasileira da Indústria do Café desenhou um projeto de formação profissional para empreendedores de Nano Torrefações em parceria com o Instituto Federal do Sul de Minas - Campus Machado, denominado Projeto Nano. Dedicado às torrefações da classe Nano, que torram até 5 sacas/mês, e Micro, de 6 sc/mês a 50 sc/mês, o programa envolve capacitação técnica e empresarial com 50 vagas disponíveis.
Torrefações formadas com boa base técnica é receita certa para um mercado mais saboroso e melhor.
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