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T Ó P I C O : Umidade e chuvas ameaçam qualidade do café em Minas Gerais

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Umidade e chuvas ameaçam qualidade do café em Minas Gerais


Autor: Leonardo Assad Aoun

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Último comentário neste tópico em: 18/06/2026 12:09:09


Leonardo Assad Aoun comentou em: 18/06/2026 12:18

 

Umidade e chuvas ameaçam qualidade do café em Minas Gerais

 

Ritmo de colheita avança, mas umidade atrapalha qualidade do grão e clima preocupa produtores brasileiros

Por Isadora Camargo, da CNN Brasil, São Paulo

Grãos de café  • Divulgação

Chuvas e temporais em regiões estratégicas para cultura do café em Minas Gerais têm causado interrupções na colheita do grão e problemas de qualidade que produtores já notam a olho nu. As variações do clima pesam, especialmente, sobre o Sul de Minas, uma das mais relevantes de café arábica do país.

De acordo com Leonardo Resende, produtor de Varginha, as chuvas atrasaram a colheita em 30 dias. No município, os trabalhos de campo começam em meados de maio, mas este ano, o calendário de colheita já mudou.

"Além da maturação ter atrasado um pouco, com as chuvas, temos um atraso de aproximadamente 30 dias na colheita", afirma à CNN Agro. O fruto normalmente fica "mofado antes da secagem, quando coberto para proteger da chuva e depois de beneficiado ele fica manchado, prejudicando o valor de mercado", descreve o produtor.

As chuvas ainda não paralisaram a colheita, mas quando não está chovendo, o tempo nublado permanece. Junto com ele, a umidade. "O café perde no sabor e na aparência", destaca Resende.

O cafeicultor é cooperado da Minasul (Cooperativa Agroindustrial do Sul de Minas), entidade que acompanha o andamento da colheita em uma área de 9 mil famílias produtoras de café e até o dia 11 de junho a cooperativa mantinha perspectivas favoráveis para a safra 2026 a partir de visitas técnicas realizadas em lavouras da região de Varginha.

Até aquele momento, de acordo com a cooperativa, as plantas apresentam boa carga e potencial produtivo, reforçando a expectativa de uma colheita volumosa neste ano. Entretanto, as chuvas alteram o cenário e deixam cafeicultores apreensivos em relação ao que vem por aí.

A secagem e colheita do café - predominantemente com máquina - ficam prejudicadas.

As projeções de El Niño também indicam que o café deve ser um dos produtos mais sensíveis às irregularidades de chuvas que costumam ocorrer a partir de julho.

Desde maio as chuvas na região já indicavam alerta à cadeia produtiva. Em municípios do Sul de Minas, como Campo do Meio, ocorrências de granizo prejudicaram muitas lavouras de pequeno porte e as estimativas dos cafeicultores era de uma perda de 20% a 30% da produção local.

Por outro lado, o Rabobank destacou em relatório divulgado nesta quarta-feira (17), que as chuvas foram pontuais na maior parte do estado e não chegaram a comprometer o andamento majoritário da colheita.

Em Guaxupé (MG), o acumulado foi de 21 milímetros no mês, abaixo da média histórica dos últimos cinco anos, de 47 milímetros. Em Patrocínio (MG), choveu 17,7 milímetros, ante uma média de 30,4 milímetros, detalhou o estudo mensal do banco holandês.

A colheita de café avançou em todas as regiões produtoras do Brasil ao longo de maio, favorecida por condições climáticas consideradas positivas tanto para as áreas de arábica quanto para as de conilon.

Segundo o Rabobank, o rendimento das lavouras permanece dentro da normalidade para o período, sem registro de problemas relevantes até o momento, e a previsão de manutenção do clima estável nos próximos dias deve continuar sustentando o bom ritmo dos trabalhos no campo.

Diferentemente, produtores de alguns municípios de economia cafeeira relatam a preocupação com o avanço da umidade, que prejudica a secagem dos grãos já colhidos e atrapalha a seleção dos grãos que ainda serão retirados das árvores de café.

Ritmo de colheita

De acordo com a Cooxupé, maior cooperativa de café da América Latina, o ritmo está mais lento que 2024, mas avançou de uma semana para outra: até 5 de junho, a retirada dos grãos atingia 12% da área de atuação da entidade; até 14 de junho, o percentual avançou 15,8%.

Apesar da evolução dos trabalhos de campo, o ritmo seria melhor, não fosse as chuvas de algumas regiões de Minas Gerais, como destacou o boletim semanal da Cooperativa.

Por outro lado, na área de atuação da Expocacer (Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado), a colheita do arábica evoluiu entre 10% e 15% do total previsto na segunda semana de junho.

Segundo a cooperativa, até a segunda semana de junho, 57% dos frutos se encontra no estágio cereja (57%), refletindo as condições climáticas, de maneira geral, propícias ao desenvolvimento das lavouras.

“O clima favoreceu o enchimento dos grãos e a evolução da maturação, sustentando boas perspectivas para a produtividade da safra. O cenário atual reforça perspectivas favoráveis tanto para produtividade quanto para qualidade dos cafés produzidos na região do Cerrado Mineiro”, indica boletim da Expocacer.

Na safra 2026/27, a Expocacer projeta uma colheita de 2,86 milhões de sacas de 60 kg de café arábica em sua região de abrangência, que compreende 82 mil hectares destinados. O alerta, entretanto, continua sendo o clima.

No Brasil, um El Niño ativo pode inicialmente reduzir os riscos de geadas durante o inverno de 2026, mas representar desafios no final do ano, durante o desenvolvimento da safra 2027/28, destacou o relatório da consultoria Hedgepoint.

Apesar da expectativa de uma safra brasileira recorde em 2026/27, o clima pode limitar movimentos mais acentuados de queda de preço nos mercados internacionais.

“Os possíveis impactos do El Niño poderiam limitar correções mais profundas do mercado no final do ano”, afirmou, em nota, Laleska Moda, analista de café da consultoria.

Efeitos globais

Em nível global, os riscos para o café em anos de El Niño são fortes. O Itaú BBA também destacou nesta quarta-feira (17), que a maior irregularidade das chuvas e aumento do estresse térmico podem causar floradas desuniformes, abortamento de flores e perda de produtividade e qualidade, tanto no Brasil quanto em outros grandes produtores como Colômbia e Vietnã.

"No Brasil, o principal risco associado a um evento mais intenso está na quebra do padrão regular de precipitações. Em vez de uma transição bem definida entre o período seco e o retorno das chuvas, entre setembro e outubro, o cenário tende a ser marcado por chuvas concentradas em poucos episódios, intercaladas por intervalos mais longos de estiagem", caracteriza o banco.

Essa irregularidade compromete a previsibilidade hídrica, fundamental para o café, que depende de um período seco bem definido, seguido por chuvas contínuas para estimular e sustentar a florada.

A previsão também inclui pancadas isoladas no fim do inverno podem induzir a abertura precoce das flores, mas, sem sequência de umidade, essas floradas tendem a abortar ou evoluir de forma irregular.

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