T Ó P I C O : Queda na safra de café conilon no Espírito Santo eleva prudência do produtor
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Queda na safra de café conilon no Espírito Santo eleva prudência do produtor
Autor: Leonardo Assad Aoun
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Último comentário neste tópico em: 19/06/2026 17:02:03
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Queda na safra de café conilon no Espírito Santo eleva prudência do produtor
Na Fazenda Chapadão, em Linhares, estratégia é a de cumprir contratos já firmados e escalonar novas vendas
Por Raphael Salomão — Linhares (ES)* e São Paulo | Globo Rural
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Cafezal da Fazenda Chapadão, em Linhares (ES). Produtor adota cautela para garantir margens em momento de queda de safra — Foto: Raphael Salomão
O cafeicultor Eduardo Bortolini, de Linhares (ES), analisa o mercado e mantém a prudência. Com a colheita em andamento na Fazenda Chapadão, ele conta que está entregando o que já foi contratado. O excedente, espera por preços mais favoráveis às margens do negócio.
Os Bortolini plantam 310 hectares de café conilon, voltado, principalmente, para exportação. O cafezal tem mais de 1,2 milhão de árvores. A fazenda possui vários tipos de certificação, explicam seus proprietários, o que lhe permite chegar a vários mercados diferentes.
A colhedora já passou por 40% da plantação. Eduardo afirma que se surpreendeu. Esperava uma safra menor que a do ano passado, mas não uma queda tão grande quanto a vista até agora. Nos talhões mais antigos, a redução chegou a 30%, que o cafeicultor espera, pelo menos, compensar com a boa produtividade dos cafezais mais novos.
Em alguns pontos do campo, os pés carregados de cereja em alguns ramos abriram, ao mesmo tempo, florada em outros. “Estamos com uma quebra que a gente não esperava”, resume. “Estou cumprindo contrato vendido, e o excedente, vai depender do fluxo de caixa”, acrescenta.
O Espírito Santo é o principal produtor de café conilon do Brasil. E o que o produtor vê no campo aparece nos números. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima a produção capixaba da variedade em 13,56 milhões de sacas de 60 quilos, queda de 4,2% em comparação com 2025 (14,15 milhões de sacas).
Em seu mais recente relatório sobre a cultura, a Conab destacou que o desempenho da safra passada de conilon, que cresceu, limitou o potencial produtivo da atual no Estado. De qualquer forma, a produtividade estimada pela autarquia é a segunda maior da série histórica.
A produção total de conilon no Brasil deve ficar próxima da estabilidade, passando de 20,77 milhões para 20,92 milhões de sacas de 60 quilos (+0,8%), avalia a Conab.
Estamos segurando um pouco e esperando o mercado ainda entender essa quebra toda."
— Eduardo Bortolini, cafeicultor - Linhares (ES)
Em boletim divulgado nesta semana, o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) informou que a situação atual da safra de café conilon está ajudando a dar firmeza aos preços da variedade no mercado nacional.
O indicador medido pela instituição para o conilon, com base no mercado do Espírito Santo, acumula elevação de 6,9% no mês, até a quinta-feira (18/6), quando chegou a R$ 1.018,24 a saca. É o segundo dia seguido nas últimas semanas que a referência volta aos R$ 1.000 a saca, o que não ocorria desde 27 de março deste ano, quando ficou em R$ 1.016,60.
Com referência internacional na bolsa de Londres (ICE Futures Europe), os preços subiram nesta quinta-feira (18/6). Setembro ajustou para US$ 3.629 por tonelada, alta de 0,19%, e novembro, para US$ 3.587 por tonelada (+0,36%).
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Colheita de café conion na Fazenda Chapadão, em Linhares (ES) — Foto: Divulgação
Filho de Eduardo, Rafael Bortolini pontua que, diferentemente, do conilon, a produção de arábica deve vir cheia, com efeito nos preços ao longo da safra. A estratégia da Fazenda Chapadão é escalonar as vendas para obter médias de preço que permitam manter a rentabilidade em períodos de margem mais apertada.
“O objetivo é nivelar o preço, ter um caixa mais saudável e não sofrer tanto com picos nem quedas. A margem vai estar apertada, o custo de mão de obra subiu, mas, com os preços atuais, ainda é possível segurar”, afirma.
“Temos um mercado futuro que não é tão longo quanto o do arábica, mas a gente consegue fechar alguma coisa e ter uma margem melhor mais para a frente”, acrescenta o pai.
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Com a colheita em andamento, pés de café florescem no Espírito Santo — Foto: Raphael Salomão
A consultoria de agronegócios do Itaú BBA avalia em relatório que, pelo menos por enquanto, o mercado de café aponta para uma acomodação. A perspectiva de safra cheia, particularmente no Brasil, leva a uma leitura de oferta mais confortável.
A Conab estima uma safra de café (conilon e arábica) em 66,7 milhões de sacas (+18%), número inferior ao de consultorias privadas, que apostam em uma colheita superior a 70 milhões de sacas.
“Apesar dar discussões iniciais sobre o tamanho dos grãos, em função de condições climáticas menos favoráveis durante a fase de expansão, especialmente calor e irregularidade de chuvas, ainda é prematuro incorporar perdas efetivas nos números de produção”, pontua o Itaú BBA.
O trabalho de campo avança, mas ainda com atraso em relação ao ano passado. A Safras & Mercado estima que, até o dia 17 de julho, 39% da produção nacional estava colhida. No mesmo período em 2025, eram 43% e, na média dos últimos cinco anos, 40%.
A colheita do arábica chegou a 29%. Um ano atrás, estava em 34% e, na média dos últimos cinco anos, 30%. A do conilon chegou a 59%. Tanto em 2025, quanto na média dos últimos cinco anos, as proporções de safra colhida era de 58%.
A comercialização também está em um ritmo inferior ao do ano passado, estima a consultoria. Até 11 de junho, 19% da produção de café estava vendida. No mesmo período no ano passado, eram 22%, e na média dos últimos cinco anos, 29%.
Em boletim, o analista Gil Barabach explica que ainda há um baixo volume de café no mercado, que não permite aumentar o ritmo de vendas. No arábica, a proporção chegou a 21%. No ano passado, 24% estavam vendidos, e na média dos últimos cinco anos, 31%.
A Safras & Mercado estima a comercialização de conilon em 14% da produção. No mesmo período em 2025, os produtores tinham negociado 18%, e, na média dos últimos cinco anos, 25%.
Barabach pontua que o fluxo mais acelerado do conilon em Rondônia é compensado pelo mais lento no Espírito Santo, pesando no resultado geral de vendas da produção.
Enquanto trabalha na sua colheita, Eduardo Bortolini avalia que o mercado ainda está por formar seu entendimento sobre a atual situação da oferta de café.
“O café tem uma liquidez fora do comum, e isso ajuda. Estamos segurando um pouco e esperando o mercado ainda entender essa quebra toda. A minha expectativa é de que o preço do café pode melhorar um pouco”, diz.
*O jornalista viajou a convite da Nestlé
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