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T Ó P I C O : Safra do conilon recua 30% no Norte do ES e lavouras velhas sem renovação explicam parte da queda

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Safra do conilon recua 30% no Norte do ES e lavouras velhas sem renovação explicam parte da queda


Autor: Leonardo Assad Aoun

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Último comentário neste tópico em: 22/06/2026 11:00:09


Leonardo Assad Aoun comentou em: 22/06/2026 11:10

 

Safra do conilon recua 30% no Norte do ES e lavouras velhas sem renovação explicam parte da queda

 

Por Stefany Sampaio | Folha Vitória

Safra do conilon recua 30% no Norte do ES e lavouras velhas sem renovação explicam parte da queda

A safra 2026 de café conilon no Norte do Espírito Santo vai fechar com volume expressivamente menor do que a de 2025, uma das mais produtivas da história recente da região. A estimativa do secretário de Agricultura de Rio Bananal, um dos maiores municípios produtores de conilon do estado, é de queda de 30% na produção em relação ao ano anterior. O dado é relevante não apenas pelo volume, mas pelo que ele revela sobre as decisões que os produtores tomaram quando o preço estava em alta.

Dois fatores explicam a queda. O primeiro é climático: temperaturas baixas no período de florada do café comprometeram a pegação dos frutos em parte das lavouras do município, reduzindo o potencial produtivo da safra 2026. Esse é um fator que o produtor não controla, mas que se somou a outro, esse sim evitável.

O segundo fator é a decisão, tomada por grande parte dos produtores em 2025, de não renovar as lavouras que normalmente seriam substituídas. A lógica era direta: com o preço do conilon em alta, cada saca colhida valia mais. Renovar uma lavoura significa interromper a produção por dois a três anos, um custo de oportunidade alto quando o mercado está favorável. O resultado é que 2026 chega com um volume maior de lavouras acima de 10 anos no município e lavouras velhas produzem menos.

O padrão técnico do conilon capixaba é renovar após dois ciclos produtivos, geralmente aos 12 anos. Uma planta jovem tem maior vigor vegetativo, melhor resposta à irrigação e à nutrição, e entrega produtividade consistentemente acima das lavouras envelhecidas.

Segundo estimativas dos próprios produtores relatadas à secretaria, a diferença de produtividade entre uma lavoura nova e uma com mais de 12 anos pode chegar a 30%, exatamente o mesmo percentual de queda observado na produtividade geral do município nesta safra.

O produtor de Rio Bananal, em sua maioria, tem clareza sobre o que aconteceu. “O produtor não vê as lavouras velhas como o problema principal, a maioria tem ciência que o real motivo está na combinação entre o grande volume produzido no ano anterior e a queda de temperatura na época da florada”, afirma o secretário de Agricultura do município.

Mas a renovação está em curso: a projeção para 2026 é de substituição expressiva das lavouras com mais de 12 anos, o que deve recolocar a região em trajetória ascendente de produtividade para a safra 2027.

O caso do Norte capixaba ilustra uma tensão que o produtor de conilon enfrenta periodicamente. Quando o preço está alto, adiar a renovação parece racional no curto prazo. Mas o café velho cobra seu preço na safra seguinte, exatamente quando o mercado pode estar menos favorável. Renovar lavoura não é custo, é investimento na produtividade das próximas safras. E quem entende esse ciclo chega ao próximo momento de preço favorável com lavoura jovem e pronta para produzir.

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