Rede Social do Café

T Ó P I C O : PH Leme revela como descomoditizar o café brasileiro

Informações da Comunidade

Criado em: 28/06/2006

Tipo: Tema

Membros: 5251

Visitas: 28.603.410

Mediador: Sergio Parreiras Pereira

                        

Adicionar ao Google Reader Adicionar ao Yahoo Reader Adicionar aos Favoritos BlogBlogs


Comentários do Tópico

PH Leme revela como descomoditizar o café brasileiro


Autor: Rodrigo Pasquini

1.481 visitas

3 comentários

Último comentário neste tópico em: 23/05/2010 18:23:15


Rodrigo Pasquini comentou em: 21/05/2010 10:32

 

PH Leme revela como descomoditizar o café brasileiro

 

[21/05/2010]

PH revela como descomoditizar o café brasileiro


O leitor e colaborador do CaféPoint Paulo Henrique Leme, consultor em marketing estratégico no agronegócio, especializado em café, respondeu ao comentário de outro leitor a sua entrevista "

Paulo Henrique Leme: temos que fazer qualidade e saber vender qualidade

". Abaixo leia a carta na íntegra.



"Caro Fernando,



Obrigado pelos comentários, que me fizeram refletir bastante. Os diferencias de preço de qualquer produto que existe refletem única e exclusivamente a velha regra da oferta e demanda. Não existe consumo se não houver demanda, ou seja, clientes dispostos a comprar e pagar o preço de mercado.



No mundo do café existe uma demanda específica para cada tipo e qualidade produzida, e mais, uma demanda específica para cada origem, que pode ou não estar atrelada à qualidade do café. Ou seja, é o desejo do consumidor final que move a gangorra dos preços.



Por exemplo, o caso colombiano. Os diferenciais atuais (altíssimos) e históricos (sempre acima de NY) são resultado de uma forte demanda pelo produto colombiano, que foi construída com muito marketing e dinheiro. Do outro lado, refletem a oferta do produto, que nos últimos dois anos sofreu forte retração (a produção despencou mais de 30%). O resultado? Preços elevados no mercado interno e na bolsa de NY.



O Brasil por sua vez é o maior produtor do mundo a séculos. Por ser o maior, nunca faltou Café do Brasil no mundo. Perdemos, portanto, o fator "exclusividade" ou "raridade" de nossos cafés.



Vamos entender melhor o mercado mundial. Os torrefadores internacionais usam a estratégia de "blendar" o café, ou seja, misturar diversas origens e qualidades para atingir um padrão de bebida que seu consumidor deseja. Desse modo, ele pode substituir uma origem que esteja cara, por algum problema climático ou qualquer outra causa, por outra mais barata. Por exemplo, café da Colômbia por cafés da América Central ou cafés lavados pelo nosso cereja descascado... Ou então, o natural brasileiro pelo café da ilha de Sumatra, na Indonésia. Pura e simplesmente uma estratégia de mercado, que qualquer indústria no mundo faz.



O problema (ou qualidade?) do café brasileiro é que ele é base da maioria dos blends mundiais, principalmente para o café espresso. Se somos a base, normalmente, é porque o café brasileiro é o mais barato. Ou seja, coloco um café mais barato, misturo com outros mais caros, faço um blend razoável a um preço acessível e satisfaço meu cliente.



Portanto, para "descomoditizar" o café brasileiro do mundo do café devemos trabalhar na regra da oferta e demanda. Reduzir a produção é inviável, pois reduziria nossa participação no mercado e colocaria muitas regiões brasileiras em situação terrível. Fazer estoques altos, de grande volume, é postergar o problema para safras futuras. Porém, devemos sim ter um estoque de regulação do mercado, de preferência, na mão do agronegócio café e não na mão do governo.



Só nos resta trabalhar a questão da demanda por nossos cafés. Colocar nosso produto na maior bolsa de café do mundo é fundamental, é um passo importante. Uma vez lá, deixemos a o mercado trabalhar e definir os diferenciais verdadeiros. Devemos aproveitar o momento de escassez dos despolpados no mercado mundial.



Outra estratégia é diferenciar os cafés do Brasil. Definir as qualidades de cada região, organizar a produção e trabalhar a consistência e qualidade da oferta ao longo dos anos. Devemos colocar na mente do consumidor internacional o desejo por tomar um café brasileiro, de qualidade tal e de tal região. Existem diversos países produtores de café dentro do Brasil, mas o mundo não sabe disso.



Portanto, marketing é a chave. E marketing não é só propaganda e publicidade. Marketing é entender o mercado, organizar a demanda, definir qualidades e procedimentos da produção, encontrar os canais de vendas adequados, definir estratégias para cada mercado, e, por fim, levar a xícara perfeita ao consumidor. O consumidor não sabe que ama o seu café até prová-lo.



Um forte abraço,


Paulo Henrique Leme


P&A Marketing Internacional"

Visualizar | |   Comentar     |  


Jorge Hiroaki Wada comentou em: 23/05/2010 14:58

 

Lei de Mercado Oferta x demanda

 

 Em um topico anterior, havia postado um link de um video sobre a palestra do entao ex-Ministro da Agricultura, Antonio Delfim Neto. Resumidamente o Mercado e’ auto regulamentador, pelas Leis de Mercado – Oferta x Demanda, isso, ja estudado desde a idade Media com Adam Smith, e aprimorado pelos grandes sabios e estudiosos, ao longo da Historia. Um dos objetivos era estudar e entender por que existem as crises economicas, como evita-las ou ao menos amenizar as suas consequencias.

 
E tambem sabido, que no Mercado existem empresas de diversas magnitudes, tanto na area de Agribusiness como em qualquer outro segmento, alguns setores com maior e outros em menor escala concentracao de mercado, bem como o seu nivel de eficiencia produtiva.
 
No Brasil, empresas produtoras de café, vao desde uma producao familiar, a uma producao em escala industrial e altamente mecanizada. Ha um consenso geral, de que o setor como um todo, anda descontente com a atual situacao de Mercado cafeeiro.
 
Considerando-se o Mercado cafeeiro numa situacao critica ha muitos anos, por questoes como divida rural, acesso ao credito rural, (re)- financiamento, manejo adequado, aumento do custeio, questoes ambientalistas, trabalhistas e nivel medio de preco de Mercado.
 
Surge um Paradoxo de Mercado, apesar do consenso geral da atual situacao critica, a area media plantada de café aumentou, bem como a producao total.
 
O Mercado e sua demanda sao criados atraves do desenvolvimento de um novo produto ou o aprimoramento do produto ja existente. A exemplo do café, apesar de ser considerado um alimento, o ser humano nao depense de seu consumo para a sua sobrevivencia, portanto e’ considerado um artigo superfluo e de luxo.
Os seus diferentes nichos, ou poderemos definir como qualidades tecnicas, surgem primeiramente devido a necessidade de uma diferenciacao de produto, para aumentar a sua demanda no Mercado de Cafes Duros, com a introducao de Cafés Premium & Gourmets. E a escoacao de produtos residuais e qualidade inferior (Rio, Riado, Sujo e outros tipos de grao nao perfeito/inteiro). Cria-se uma necessidade, e posteriormente a sua demanda.
Resumidamente a principio, o café cereja era fermentado e consumido como um vinho. Chamado Qahwah (Ka-Wa), depois feito um Cha/Remedio – com o grao verde, por peligrinos religiosos na regiao do Oriente Medio – Nordeste Africano. E por volta de 1.300 DC, passou a ser torrado, moido bem fino e adicionando-se com agua quente (nao fervente) com uma cerimonia (parecida com a do Cha Verde Japones). Era vendido como uma bebida revigorante, especiaria de excelente qualidade. Ate o ano de 1500, o café era considerado uma bebida dos Muculmanos, considerado uma bebida satanica e banido pela Igreja Catolica. Porem, o Papa Clemente VIII, ao beber o café, declarou ser uma bebida aceitavel para os Cristaos.
 
 Cultivado no Egito, Siria e Turquia, controlado pelos arabes e por fim os Holandeses obteram sementes de café no Yemen e passaram a espalhar o seu cultivo pelo Mundo (Ceilao, Java) pela Cia Holandesa das Indias.
O entao rei da Franca, Luis XIV, foi presenteado c/ algumas plantas p/ o seu jardim Botanico, e o entao official Gabriel Mathieu de Clieu, official da Marinha Francesa, levou algumas mudas p/ a colonia Francesa Martinica, seguinto p/ Guiana Francesa e depois Brasil, pelo entao Sargento mor , Francisco de Melo Palheta, em meados do Seculo XVIII.
 
Desde entao, o que vem acontecento, e’ um processo de selecao de melhores progenies para o seu cultivo em determinada regiao. No Brasil, surgiram cultivares espontaneos em determinadas plantacoes, e estas foram coletadas para serem melhoradas, caracteristicas como porte, robusticidade, etc. O mesmo processo de selecao e adaptacao, ocorria em outros paises, para que os cultivares melhor se adaptacem as condicoes locais (clima, temperature, relevo, etc).
 
Para nao dizer que tudo foi uma maravilha, a producao em escala traz tambem importantes doencas, sendo que em 1862 no Ceilao foi observado a primeira aparicao da Ferrugem, doenca fungica c/ grande importancia economica e que ainda afeta as culturas atuais.
 
Ironicamente, a producao de café na Africa, tornou-se mais relevante a partir de de 1950, principalmente com cafes Canephora, menos exigente e mais produtivo. No Kenia, surge o CBD (Coffee Berry Disease), caracteristicos das regioes mais altas, portanto, café Arabica, e essa doenca, se nao controlada pode reduzir drasticamente a producao.
 
Essas sao algumas das questoes, aliadas a fatores climaticos (seca, excesso de chuva, Geada), que influenciaram e afetam o suprimento continuo e regular de café no Mercado Internacional e o seu preco. Uma simples analise de Mercado, poderemos ver a grande variacao de preco, e para ajudar o Mercado tanto consumidor, como o produtor, foi criado em 1962 a ICA (International Coffee Association), represenado por 99% dos paises produtores e 90% dos paises importadores. O orgao focava principalmente num mecanismo regulador de preco, atraves da exportacao via quotas, eliminando-se um preco muito alto (que desencoraja o consumo), ou o preco muito baixo (desistimula sua producao).
No ano seguinte, foi criado a ICO (International Coffee Association), sediada em Londres, com 74 paises membros: 50 paises exportadores e 24 paises importadores. Com o objetivo de regulamentar o Mercado e suas condicoes e promover a pesquisa, educacao e promocao do cafe.
 Excluindo-se as questoes climaticas (Seca, Geada, Furacoes, etc), o que tem mais impactado no comercio e o vigoroso crescimento produtivo brasileiro de café e prodocao total. Saindo de aproximadamente 100 mil sacas/ ano, no ano de 1820, para 16 milhoes de sacas em 1950 (30 milhoes de sacas no Mundo todo). Os EUA, principal consumidor de café mundial, apos a revolta contra as altas Taxas impostas ao Cha, no ano de 1773, levaram os EUA a declarar o café como a bebida da Oficial Americana (acho que agora e’ a Coca Cola ou Pesi Cola).
 
A produtividade media brasileira de pouco mais de 6 sacas/ ha na decada de 80, passou para uma media Nacional de mais de 19,7 sacas/ ha. Gracas aos nossos grandes centros de pesquisa e melhoramento (IAC, Embrapa, Epamig e outros), desenvolvendo cultivares mais resistentes e adaptados a diferentes areas produtivas do Brasil, bem como melhorando as tecnicas de manejo. Tecnicas e cultivares que tiveram respostas diretas na producao media. O Cerrado Mineiro, que e’ uma regiao de referencia e excelencia produtiva, possui uma media de producao acima de 27 sacas/ ha. Bem superior a media nacional.
Infelizmente isso nao reflete a realidade Nacional, apenas alguma excessao. A principal regiao produtora de café do Brasil, Sul de Minas, caracteriza-se principalmente pelo cultivo de pequenas e medias propriedades em regioes montanhosa. Onde a aplicacao de determinadas tecnicas de cultivo, mais mecanizado, e limitado ou restrito.
Entao o que fazer para agradar a gregos e troianos, pois existem produtores bem diversos. Com certeza, uma das opcoes viaveis e o mecanismo mais eficiente, seria atraves do Estado.
O Estado possui poder e autonomia para tal funcao, e seria o agente mais adequado. O Brasil, e’ responsavel por mais de 1/3 da producao Mundial de café, poder suficiente para manipular o preco do Mercado. Porem, nao ha uma instituicao representative forte o suficiente para guiar o Mercado, e forma a satisfazer a grande maioria de seus colaboradores, sejam produtores, torrefadores, exportadores, importadores e seus dependentes.
O café e’ dolarizado, cotado em dolar e negociado no Mercado internacional na Bolsa de Nova York ou Londres. O Mercado nacional brasileiro, ainda esta acostumado a uma grande variacao de preco, pois grande parte da populacao faz parte da geracao de Mercado inflacionario. O mesmo nao se aplica aos Mercado consumidor de café, EUA, UE e Asia, onde praticamente o indice de inflacao anual anda na casa unitaria ha varias decadas e a taxa de juros abaixo da casa decimal. Portanto o regulador de Mercado e’ consumidor (lei de Mercado, oferta x demanda).
Enquanto que no Brasil, o aumento de um bem de consumo pode ou poderia oscilar, atualmente esta mais dificil, porem ainda e’ possivel vender, se tiver um bom argumento, de digamos 25%, de um dia para outro. No Japao, isso seria uma attitude impensavel e inaceitavel, pois a inflacao e’ praticamente zero ha muitos anos, o rendimento na poupanca e’ nulo, poe 100 hoje, e daqui 01 ano ou 2 continua 100, e por ai vai. Portanto, o consumidor opta por: Deixar de comprar ou comprar um substitute mais barato ou alternativo.
No ano de 2008, com a expectative de baixa producao p/ ao ano de 2009, esperava-se um aumento no preco medio aplicado no Mercado, tanto o interno como o internacional. Devido a crise financeira Mundial, iniciada com a quebra dos bancos americanos e o colapso financeiro, o efeito repercurtiu no Mercado de commodities.
Este ano, com a expectative de recuperacao de Mercado, iniciada com o bom ano do Brasil em 2009, vemos com apreensao, o desenrolamento do novelo emaranhado Europeu, com alguns respingos no Mercado de commodity.
 
O Mundo inteiro esta apreensivo, e alguns estao aproveitando-se p/ especular e ganhar com isso, chamado de lobos, pelo Presidente Barack Obama. Vai ver, sao os mesmos especuladores que perderam dinheiro c/ os creditos podres imobiliarios em 2008, e agora tentam mostrar uma boa recuperacao financeira, com a especulacao no Mercado de acoes europeu.
Portanto, na iminencia de uma crise, o consumo de bens superfluo basico e’ cortado ou substituido por outro semelhante e mais barato. O Mercado ajusta-se com certos sacrificios.
Uma elevacao no preco medio aplicado no Mercado internacional, inibira o crescimento do seu consumo, e ao mesmo tempo, estimulara o crescimento de sua producao, tanto no Mercado interno como o internacional, o que fatalmente afetara o Mercado com uma oferta maior e excedente.
Definicao de Commodity pelo Wikepedia:
Commodity é um termo de língua inglesa que, como o seu plural commodities, significa mercadoria, é utilizado nas transações comerciais de produtos de origem primária nas bolsas de mercadorias.
Usada como referência aos produtos de base em estado bruto (matérias-primas) ou com pequeno grau de industrialização, de qualidade quase uniforme, produzidos em grandes quantidades e por diferentes produtores. Estes produtos "in natura", cultivados (soft commodity) ou de extração mineral (hard commodity), podem ser estocados por determinado período sem perda significativa de qualidade.
O que torna os produtos de base muito importantes na economia é o fato de que, embora sejam mercadorias primárias, possuem cotação e "negociabilidade" globais; portanto, as oscilações nas cotações destes produtos de base têm impacto significativo nos fluxos financeiros mundiais, podendo causar perdas a agentes econômicos e até mesmo a países. O mercado de derivativos surgiu como uma proteção aos agentes econômicos contra perdas provocadas pela volatilidade nas cotações dos produtos de base.
Portanto, nao ha como “descommoditizar” a mercadoria Cafe, o Ouro e a Prata, tambem sao uma commodity, e tem valor agregado consideravel. O valor de uma mercadoria, se deve principalmente na sua dificuldade de producao e/ ou extracao.
O cafe, e’uma commodity de valor agregado consideravel, e o calculo de custo de producao e’levantado tanto pelo produtor, como pelo comprador, para que haja um certo equilibrio e consenso entre oferta e demanda. Para o brasileiro, o que realmente esta fazendo falta, e’o retorno dos impostos e encargos pagos ao governo. Considerados altos, porem de baixa eficiencia.
 
 
 

Visualizar | |   Comentar     |  


Julio Vaccari comentou em: 23/05/2010 18:23

 

Cafeicultura lucrativa

 

A cafeicultura 100% mecanizada no Brasil não esta descontente com a atual situação do mercado cafeeiro, é falso afirmar isso, os custos variam de R$ 130,00 a R$ 180,00 e os preços de venda de R$ 260,00 a R$ 300,00. Se existem regiões onde a produção de café não suporta o custo Brasil, sugerimos a troca por outra matriz produtiva, ou a venda da propriedade. A manutenção da cafeicultura não lucrativa baseada em endividamento continuo é uma incoerência.

A busca por melhorias na qualidade e venda em nichos de mercado só resolve o problema de uma parcela muito pequena dos endividados, algo quase desprezível, a grande maioria segue o calvário do prejuízo por incompetência de não ter  percebido que o Brasil não seria eternamente um pais de salário mensal de 50 dólares e leis trabalhistas para inglês ver.

E ainda tem muita gente boa por ai se segurando porque  trabalha com mão de obra semiescrava , desconhece as leis trabalhistas e impostos brasileiros, quando isso acabar vamos ter melhores preços e possivelmente 300 a 400% de lucro e não só o dobro.
A área de café aumentou por descumprimento das leis nas áreas problemáticas  e nas áreas mecanizadas pelo bom lucro que trás a atividade.

TAGS: impostos,leis,escravo,cerrado,lucro,café,cafeicultura,sonegador,cafeicultor,mecanizada,

Visualizar | |   Comentar     |  



1