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T Ó P I C O : Investigando os limites do consumo de café no Brasil

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Comentários do Tópico

Investigando os limites do consumo de café no Brasil


Autor: Eduardo Cesar

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14 comentários

Último comentário neste tópico em: 16/02/2018 11:50:43


Eduardo Cesar comentou em: 14/02/2018 09:12

 

Investigando os limites do consumo de café no Brasil

 

Por Eduardo Cesar - editor do Coffee Insight

O consumo per capita de café no Brasil, em equivalente de café verde, chegou a 6,2 quilos em 2017. Isso corresponde a 21,5 milhões de sacas de 60 quilos no total, conforme pesquisa da Euromonitor encomendada pela Abic.

Na comparação com outros países, estamos em 11º lugar no ranking de consumo per capita. O Gráfico 1 mostra os 20 países cujos habitantes mais bebem café. A análise desses dados revela fatos interessantes.

Gráfico 1 — Os 20 maiores consumidores de café em equivalente de grão verde (quilos per capita).

Todos, com exceção da Bósnia e Herzegovina, possuem Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) superior ao nosso. Exceto pelo Canadá, todos são europeus. O Brasil é a única nação produtora de café, e também a única abaixo da Linha do Equador, a ocupar as primeiras posições.

Nosso país é um ponto fora da curva quando se trata de tomar café. Apesar de sermos pobres e morarmos em terras quentes, bebemos mais café que os alemães ou os franceses. Só perdemos para países muito frios e desenvolvidos.

Característica em comum dos maiores consumidores de café: o frio.

Mas qual será o nosso limite de consumo?

Entre 2000 e 2017, o consumo dos brasileiros cresceu a uma taxa anual média de 1,8%. No entanto, a tendência apresenta duas fases distintas que podem ser observadas no Gráfico 2.

Gráfico 2 — Evolução do consumo de café no Brasil em equivalente de grãos verdes (quilos per capita).

De 2000 a 2012 o aumento foi contínuo e elevado. A taxa desse período é de 2,5% ao ano (linha vermelha). De 2012 a 2017, o crescimento ocorreu à taxa de 0,9% a.a. (linha verde). Seria um sinal de que estamos próximos ao nosso limite? Talvez.

A partir dos dados disponíveis, criei três projeções. A primeira, que chamarei de “otimista”, utiliza a taxa de 1,8% a.a. observada durante o período 2000–2017. A segunda, chamada de “realista”, utiliza a taxa de 0,9% a.a. do período 2012–2017. Elaborei ainda um cenário “pessimista”, com uma taxa de apenas de 0,4% a.a.

Essas taxas foram utilizadas para calcular o consumo per capita em 2027. Os resultados são apresentados na Tabela 1.

Tabela 1 — Projeções para o consumo de café no Brasil em 2027 (quilos per capita).

No cenário pessimista, o Brasil alcançaria o atual patamar de Luxemburgo, enquanto no realista, o padrão da Bélgica (Figura 1). Mesmo no cenário otimista, continuaria abaixo do Canadá.

O impacto desses níveis sobre o total consumido no Brasil é apresentado no Gráfico 3. Foi utilizada a estimativa do IBGE para a população brasileira em 2027, que é de exatamente 220.428.030 pessoas. O incremento varia de 1,3 milhão de sacas a 5,8 milhões.

Gráfico 3  — Projeções para o consumo total de café no Brasil em 2027. Em milhões de sacas de 60 quilos.

Se o alto consumo do Canadá e do norte europeu for causado por uma combinação de cultura, renda e clima, é improvável que alcancemos o patamar de 8,0 quilos. Afinal, temos a apenas a cultura de beber café.

Se a nossa economia entrar numa trajetória de crescimento pelos próximos dez anos, o per capita pode avançar mais um pouco, mas sem chegar ao nível dos países frios.

Conclusões

À medida que o mercado interno brasileiro evolui, ele passa pelas mesmas tendências já observados nos mercados maduros: menor ritmo de expansão no volume total e forte crescimento nas vendas de cafés especiais e cápsulas.

As vendas de cafés especiais e cápsulas contribuem pouco para o aumento do volume total. Talvez até reduzam o consumo per capita de algumas pessoas. Por outro lado, criam oportunidades para as empresas explorarem nichos com maior valor agregado.

A taxa de crescimento “realista”, de 0,9% a.a., não é interessante para as grandes torrefadoras, o que fará com que elas invistam cada vez mais nos nichos (como já tem acontecido).

A produção brasileira de café aumentou 1,6% a.a. entre 2006 e 2016. Se a taxa permanecer pelos próximos dez anos, a participação do consumo interno sobre o total produzido no país cairá, exceto no caso de o cenário otimista acontecer, mas ele é improvável.

Pensando no longo prazo, é plausível imaginar que o consumo per capita brasileiro vai estagnar em algum ponto entre os 7 e os 8 quilos. Caso o Brasil mantenha a sua secular tendência de ampliação da oferta, teremos um cenário novo: todo o adicional das novas safras, antes dividido entre os mercados interno e externo, será direcionado para fora.

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Para saber mais:

O Brasil que toma café extraforte

Cafés Especiais: a visão mercadológica

Panorama da importação de cápsulas no Brasil

TAGS: coffee insight, consumo de café

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Guilherme Alves Meira comentou em: 14/02/2018 10:07

 

Robusta

 

Eduardo,

     Será que essa súbita estagnação no consumo interno ocorrida a partir de 2012 não tem nada a ver com o aumento da participação de café Robusta nos blends nacionais?

     Lembre que após a grande valorização dos preços do café arabica ocorrida em 2011, as torrefações nacionais mudaram de forma abrupta seus blends, visando a redução nos custos.

     Coincidência?

     Acho que não. Até porque a partir de 2016, apesar da crise econômica, o consumo passou a crescer novamente.

      O motivo?

      A disparada dos preços do Robusta no último semestre de 2016 e durante o ano de 2017 fez com que as torrefações nacionais diminussem a participação de café Robusta nos seus blends!

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Eduardo Cesar comentou em: 14/02/2018 17:30

 

Possibilidade

 

Caro Guilherme,

Isso pode ser um fator a mais para considerar.

No entanto, eu quis destacar que o Brasil já está em um patamar de consumo per capita bastante elevado na comparação com outros países e é improvável que ele continue crescendo no mesmo ritmo do passado.

Abraços.

Eduardo
 

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Marco Antonio Jacob comentou em: 14/02/2018 17:44

 

como levar esta expertise de consumo para outros países

 

Eduardo , 

é certo que consumir café gera mais riquezas que produzir café , pois o valor agregado é muito maior.

Como levar esta expertise de consumir café que tem o Brasil para os outros países produtores de café ? 

O Brasil consome 6,2 kilos per capta/ano . Se aumentarmos apenas 0,2 (200 gramas) o consumo per capta ano nos paises produtores de café , com uma população de 2,4 bilhões de pessoas , teremos um aumento de consumo de aproximadamente 9,7 milhões de sacas. 

Os paises produtores tem que investir no seus proprios  mercados consumidores , pois é uma grande riqueza adormecida. 

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Paulo Henrique Leme comentou em: 14/02/2018 18:38

 

Excelente análise

 

Parabéns pela análise meu caro,

Ainda acho que os dados de consumo necessitam de maior clarificação. De qualquer forma, acredito mais no cenário otimista.

Devemos passar por uma recuperação econômica (se o mundo não quebrar de novo), com isso poderemos avaliar a situação.

Um abraço, PH

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Celso Luis Rodrigues Vegro comentou em: 15/02/2018 05:10

 

TEndências

 

Prezado Eduardo

Três questões a considerar em sua análise.

1 - o consumo per capita calculado pela ABIC possui vários quesitos que o compõe de estimativa subjetiva (consumo nas propriedades rurais, nas pequenas cidades e cesta básica). Esses aportes subjetivos ao número final são bastante significativos (creio que o consumo rural é estimado em 1 milhão de sacas quando pelos dados que tenho não deve ultrapassar as 400 mil sacas);

2 - o movimento de F&A entre torrefadoras tem catapultado as estatísticas de torra mensal recebido pela ABIC. Todas as empresas com vistas à cederem a incorporação inflam as quantidades torradas para aparecer melhor na foto;

3 -  seu segundo período em que a taxa foi de apenas 0,9% é muito curto para afirmar com elevado grau de acerto que se trata de tendência. Lembre-seque menos de 9 graus de liberdade não há probabilidade estatística segura;

Essas são minhas críticas aos limites de seu estudo.

Att

Celso Vegro

 

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Eduardo Cesar comentou em: 15/02/2018 06:47

 

Consumo

 

Prezado Marco,

Acho que o único caminho para os países produtores aumentarem o seu consumo interno é por meio do desenvolvimento econômico e urbanização dos mesmos.

Pelo gráfico dos 20 maiores consumidores (per capita) que fiz, fico com a impressão que o consumo de café depende de renda, cultura de consumo e clima. Os países produtores, no geral, não possuem nenhum desses três fatores em níveis adequados.

O Brasil possui a cultura de consumir café. A Etiópia também, mas é um dos países mais pobres do mundo. O per capita deles está em torno de 2,2 quilos.

Outros países produtores teriam que resolver o problema da pobreza e criar uma cultura de consumo de café, o que não é fácil é pode levar décadas para acontecer.

Mas há sinais positivos. O consumo está crescendo no Vietnã, na Indonésia e na Índia, nações bastante populosas. Na África, o mercado de cafeterias está no início. Na Colômbia e na América Central, as cafeterias de terceira onda começaram a ganhar espaço recentemente.

Abraços,

Eduardo


 

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Eduardo Cesar comentou em: 15/02/2018 06:52

 

Otimismo

 

Obrigado, PH.

O cenário otimista é ótimo para todos. Tomara que ele se confirme mesmo.

Abraços!

Eduardo

 

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Eduardo Cesar comentou em: 15/02/2018 07:07

 

Observações pertinentes

 

Caro Celso,

Observações pertinentes.

1 - Sim, estou ciente disso. Ainda me lembro daquele seu artigo que apontou esse problema pela primeira vez. Na falta de dados melhores, espero que a série oficial ao menos reflita a tendência geral.

2 - Tudo isso complica a vida de quem quer analisar o mercado. Se o Brasil, que é um país razoavelmente desenvolvido, não consegue gerar estatísticas confiáveis, imagine as estatísticas cafeeiras a nível mundial.

3 - Boa observação. O mais provável, então, seria uma taxa entre esse cenário realista e o otimista. Mas a falta de estatísticas mais confiáveis, como você demonstrou, dificulta a construção de cenários.

Ainda assim, na comparação com outros países, o per capita brasileiro é elevado e não continuará crescendo "ad infinitum".
 

Abraços,

Eduardo

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José Dauster Sette comentou em: 15/02/2018 07:15

 

Artigo interessante

 

Caro Eduardo,

Você toca em vários pontos interessantes que merecem uma análise mais profunda.

Parabéns.

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